quinta-feira, 19 de Dezembro de 2013

NENHUM PAI PODE FICAR SOSSEGADO

O ministro da Presidência no final da habitual reunião de Conselho de Ministros "disse hoje que 'as cenas' de ontem com professores projectaram 'uma péssima imagem para a escola pública' e  que "Não há nenhum pai deste país que possa ficar sossegado se achar que alguma daquelas pessoas, com as cenas que assistimos ontem na televisão, possa ser professor de um filho seu".

Sem mais comentários, apenas um pormenor (ou pormaior) que o ministro se esqueceu de dizer: "exceptuando os 'boys' e afins, nenhum cidadão português anda descansado com a escumalha governativa que, ludibriado, colocou no poder os políticos que nos desgovernam".  



quarta-feira, 18 de Dezembro de 2013

VERGONHA

PACC, confusões, divisões, empurrões,  mentiras, prepotência, vergonha...

Porque hoje foi o dia mais infame para a classe docente, urge o silêncio e tratar de irradicar Crato e seus acólitos, antes que o abismo tome conta da Educação em Portugal.


segunda-feira, 16 de Dezembro de 2013

O DESMANTELAR DA ESCOLA PÚBLICA

O desmantelar da escola pública teve o seu principal impulso com a alteração do modelo de gestão. Aos democráticos conselhos directivos, constituídos e eleitos por professores, sucedeu uma "nova classe de dirigentes", muitos deles ávidos de um poder que nunca conseguiram noutras áreas e muitos outros que se tornaram simples peões de primeira linha do ME.

De forma sistemática e quase imperceptível para muitos docentes distraídos, a destruição continuou através da criação dos mega agrupamentos, do fecho de escolas, da deslocação de alunos para os colégios privados por imposições na distribuição da rede escolar, dos apoios às escolas privadas, etc., etc.

Um novo impulso chega, uma revolução nas escolas começa em Óbidos. De acordo com o semanário Sol, antes de este ano acabar, "o Ministério da Educação e Ciência (MEC) deve alterar toda a legislação necessária para que arranque no próximo ano lectivo a primeira escola municipal do país com total autonomia pedagógica. Foi esse o compromisso assumido com a Câmara de Óbidos, concelho que servirá de projecto-piloto."

Pressente-se o fim da escola pública mais depressa do que o que se imaginava. E os professores quase nem se manifestam. E o povo assiste calmo e sereno. Tudo à boa maneira portuguesa.

quinta-feira, 12 de Dezembro de 2013

MINUTA PARA ESCUSA DE VIGILÂNCIA À PACC

Minuta destinada a todos os professores convocados para vigiar outros colegas na realização da PACC.

Com fundamento nos artigos 10.º e 82.º do Estatuto da Carreira Docente, que se referem, respectivamente, a deveres funcionais e conteúdos da componente não lectiva, os professores devem contestar a sua eventual convocação para serviço relacionado com a “PACC” e requerer escusa. 

Esta minuta é oriunda da Fenprof, que refere ainda que um eventual indeferimento deste pedido poderá resultar no recurso aos tribunais. 

O texto pode ser seleccionado, copiado e colado. Quem preferir pode baixar o documento word, clicando aqui.


Exmº(ª) Senhor(ª)
Diretor(a) do Agrupamento de Escolas / da Escola ____________________________


REQUERIMENTO

(Nome) _________________________________________________________, professor(a) do Quadro do Agrupamento de Escolas / da Escola __________________________________________________________, do grupo de recrutamento  ______, residente em  ___________________________________, (CP-Localidade) __________-_____ _______________________________________, tendo sido convocado(a) para o serviço de vigilância da prova de avaliação de conhecimentos e capacidades, a ter lugar no dia 18 de dezembro de 2013, das ____H____ às ____H____, vem, por este meio, junto de Vª Exª, requerer a anulação de tal convocação, pelo facto de a tarefa a executar não se enquadrar no âmbito dos seus deveres funcionais, atendendo ao disposto, nomeadamente, nos artigos 10.º, 10.º-B e 82.º do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário.

Espera deferimento

Local e data

O(A) requerente


UMA NO CRAVO, OUTRA NA FERRADURA

Nuno Crato afirma que em breve vão abrir vagas no quadro de professores 

11 Dez, 2013, 13:45 

O ministro da Educação diz que, em breve, haverá novas vagas no quadro de professores, devido à aposentação dos docentes mais velhos. Nuno Crato desvalorizou ainda a polémica em torno da prova de avaliação de professores, que está marcada para daqui a uma semana.

Vídeo aqui: RTP

Mais declarações recentes do ministro:

Nuno Crato apela ao bom senso na prova de avaliação (11-12--2013)

Ministro: Isenção de fazer prova é definitiva (11-12-2013)

Dificuldades na construção de escolas resultam da falta de planeamento (10-12-2013)

segunda-feira, 9 de Dezembro de 2013

ISTO TAMBÉM TEM QUE VER COM EDUCAÇÃO

PROMISCUIDADE DOS DEPUTADOS. OS INTERESSES QUE SERVEM.

Os nomes aí estão.

Paulo Morais foi à Assembleia da República e disse o que até agora poucos tiveram coragem de dizer.

Cada português, sobretudo os que ainda dormem, deveria ouvir, pensar e agir.

Partilha!



segunda-feira, 2 de Dezembro de 2013

TODOS JUNTOS VENCEREMOS

A notícia de que os professores com cinco ou mais anos de servico estão dispensados da prova de avaliacao parece ser, e é, uma excelente nova: Crato e seus acólitos recuaram e deram mais uma demonstração de que não têm competência para o desempenho das funções que exercem.

No entanto, nenhum professor pode ficar inebriado com este recuo. As razões que justificavam a luta mantêm-se, pois a iniquidade de uma prova abjecta não desapareceu, ainda que apenas caindo como anátema sobre os colegas com menos de cinco anos de serviço, afinal os mais jovens e os mais frágeis.

É verdade que este recuo veio demonstrar também que quando se persegue um objectivo consegue-se sempre alguma coisa. Por isso, esta é a hora da união e da luta por aquilo que consideramos da mais elementar justiça: o retorno da dignidade da profissão docente e de uma escola pública de qualidade. Por isso, esta é a hora da união e da lutra contra qualquer tipo de PACC, contra a humilhação e injustiça, o despedimento e a privatização da escola pública.

Os professores, unidos e mobilizados, conseguirão reverter as atrocidades cometidas na educação e impedir a destruição da educação em Portugal.

Esta é a hora!

NOTA: Todas as iniciativas que visem a dignificação dos professores, a melhoria da educação e a preservação da escola pública devem ser apoiadas por todos. Nesse sentido, continua a ser importante a participação de todos os professores (que puderem estar presentes) na concentração em frente à Assembleia da República no dia 5 de dezembro, pelas 14:00h.

sexta-feira, 29 de Novembro de 2013

É HORA DE DAR AS MÃOS

A prova de que à frente do Ministério da Educação está uma equipa incompetente e que tudo tem feito para ultrajar os professores, especialmente com a aplicação infame de uma PACC, está nas orientações do Provedor de Justiça que quer professores experientes livres da prova.

Na Página da Provedoria de Justiça refere-se que o "Provedor de Justiça pediu ao Ministro da Educação e Ciência que ponderasse dispensar da prova de avaliação os docentes que há vários anos satisfazem necessidades permanentes.
A iniciativa foi tomada na sequência da apresentação de cerca de 4.000 queixas de docentes sobre o assunto."

Sabemos que a guerra ainda não está ganha, sobretudo se percebermos que o ministro Crato, bem como a sua equipa, que tem agido de forma ardilosa e autista, com esta abjecta prova pretende amesquinhar os professores, dando um sinal à sociedade de que nada adianta a oposição a qualquer medida do governo, tenciona preparar o terreno para afastar, em breve, muitos dos professores do quadro e quer sacar uns milhões de euros aos professores, que terão de pagar pelo menos 20 € por inscrição.

Aliás, este último objectivo parece estar claro no facto de Crato anunciar 30 mil inscritos na prova dos professores, um número que se afigura não corresponder à verdade e que é consentâneo com a decisão de prolongar o prazo para inscrição na prova de avaliação, ou seja, demonstrando pretender sugar o máximo de dinheiro aos professores para entregar ao chefe de governo e, assim, minimizar o déficit.

Neste contexto, ao invés de esfregarmos as mãos, temos de dar as mãos e endurecer a luta, pois só assim será possível conseguirmos fazer arrepiar caminho aos responsáveis por estas atrocidades.

quarta-feira, 27 de Novembro de 2013

CAÇA AO DINHEIRO

Afinal, a dita "prova" arrisca-se a ser a prova de que o ME pretende alcançar três objectivos claros:
. amesquinhar os professores, dando um sinal à sociedade de que nada adianta a oposição a qualquer medida do governo;
. preparar o terreno para afastar, em breve, muitos dos professores do quadro;
. sacar uns milhões de euros aos professores, que terão de pagar pelo menos 20 € para a inscrição na dita-cuja.

Embora todos eles sejam relevantes, sádicos e preocupantes, aqui fica um e-mail que demonstra a obsessão da DGAE pelo dinheiro.

Além de ser um e-mail frio, impessoal em termos de remetente e destinatário, é possível verificar que, dos três parágrafos de texto que contém, dois são sobre o pagamento. Acresce que esta resposta chegou à caixa de correio do colega (desempregado neste ano lectivo) pouco mais de duas horas depois de se ter inscrito para a infame PACC. E mais infame se torna porque vai ao bolso de pessoas fragilizadas, grande parte delas desempregada.

Vergonha nacional!

Subject: Inscrição PACC
From: dgae.mec@dgae.mec.pt
Date: Wed, 27 Nov 2013 17:20:31 +0000
To: xxxxxxxxxxx@hotmail.com

Caro(a) candidato(a),

A sua escola já procedeu à validação da inscrição para a Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades.
Deve aceder ao SIGRHE e gerar referência para pagamento da mesma.
Mais se informa que dispõe de cinco dias para efetuar o pagamento, a contar desta data.

Com os melhores cumprimentos,
DGAE

VOZES DA REVOLTA

A palavra prova talvez tenha sido a que mais vezes foi escrita e lida, por estes dias, nas redes sociais, pelo menos nas páginas e grupos de professores no Facebook. E as razões disso, de sobejamente conhecidas, nem vale a pena repeti-las, ainda que não seja demais reiterar que estamos perante a maior infâmia aluma vez cometida contra todos os professores portugueses, aqueles profissionais que, com provas dadas nas universidades que frequentaram, nos estágios e formações que fizeram e no desempenho que tiveram, preparam muitos profissionais qualificados que hoje ocupam lugares de topo em muitas áreas da sociedade portuguesa, mas que também contribuiram para a deformação daqueles que hoje nos governam e para uma geração de políticos tão fraquinhos, quão fraca parece ser a determinação e a alma de um povo entregue à sua sorte e ao seu carrasco.

Os professores estão feridos na sua dignidade. A classse - na exacta medida da que pretendia o ME - está dividida, repleta de gente solitária, mas não solidária, de gente triste, cansada, abandonada, perdida, amedrontada, num salve-se quem puder arrepiante, desejando cada um apenas prolongar o seu sustento até onde for possível.

O Facebook tem sido um autêntico confessionário, onde os medos se espraiam, as dores têm rosto, as tentativas germinam e onde a esperança e a desilusão concorrem numa luta feroz.

Aqui ficam sete desabafos/comentários, hoje recolhidos aleatoriamente de outros tantos posts publicados em grupos de professores, mas que dão conta da terribilidade que os colegas professores contratados experimentam nestas horas de angústia.

E se é inadmissível e infame a exigência de uma prova deste género, é também infame e inadmissível que os professores do quadro abandonem os colegas contratados neste momento difícil, assim como é inadmissivelmente infame que todos estes não tenham querido gritar a uma só voz um rotundo "não à PACC!".

Comentário/desabafo 1:
Agora chateei-me! Então é assim: eu já me inscrevi para a prova, sim. Fi-lo de consciência traquila, de quem sempre lutou nos momentos em que achou que deveria ter lutado. Fiz greves, tipo extraterrestre, pois era quase sempre a única contratada a fazê-lo ao lado dos colegas do quadro. Fui a manifestações em autocarros de sindicatos com colegas do quadro e ZERO colegas contratados. Cheguei a enviar mensagens a variadíssimos colegas para se manifestarem pois em breve seria tarde demais. Nem resposta me davam, descansadinhos na sua colocaçãozinha anual e olhando para o seu umbigo, sem qualquer tipo de leitura dos sinais, que foram MUITOS! Não tenho medo de prova nenhuma! Se chumbar é porque devo mudar de profissão! Não me sinto humilhada! Não, não sou amiga do Crato, aliás, há muito que nada espero do MEC (sobretudo desde o tempo da Milú)! Agora andam a querer saber quem se inscreveu para a prova? EU! Porque sou LIVRE! E só queria teu 1 euro por cada um daqueles que diz aqui à boca cheia que não vai fazer a prova e que não vai cumprir com o prometido! E apetece-me terminar com uma adaptação de uma célebre pergunta de Babtista Bastos: "onde é que vocês estavam antes da PACC?". Um bom dia para todos!

Comentário/desabafo 2: 
Pelos comentários que venho lendo a respeito das últimas declarações proferidas por Mário Nogueira, sou obrigado a concluir que há uma certa leviandade de pensamento nalguns colegas. Reparem, os sindicatos solicitaram aos professores contratados que aguardassem por uma decisão dos tribunais até ao dia de hoje. Como a decisão, infelizmente, tarda em chegar, é natural que se apele ao bom senso, pondo de lado radicalismos que possam, no futuro, conduzir a situações dramáticas de desemprego. O prazo para a inscrição na dita prova termina na 5ª feira, dia 28, às 18h. Ainda que a vasta maioria esteja contra a mesma (eu estou, por isso ainda não me inscrevi), temos a obrigação de refletir e, como cidadãos sensatos que somos (ou não fôssemos professores), decidir em consciência. Não estou a defender nenhum sindicato ou o Mário Nogueira em particular, estou sim a defender a sensatez e a prudência. Bem-hajam

Comentário/desabafo 3:
Também eu quero partilhar a minha dor. Dispenso comentários do deita a baixo, pois lá no fundo já eu estou, aqui em casa este governo conseguiu dar cabo de Uma família inteira. Os sindicatos há muito que se deviam ter juntado e lutado ao lado dos professores contratados, melhor de todos os professores. Deviam ter deixado a politiquice de lado, pois devemos todos remar para o mesmo lado. Quando se fez a manifestação na AR, deviam ter ouvido quem lhes pedia ajuda, (eu pedi ajuda, escrevi emails a todos eles o único que me respondeu foi SPRC , ainda indignado) pois são estes quem lhes paga o ordenado todos os meses, para que possam colocar comida na mesa para os seus filhos. Quando se invadiu os ministérios da saúde , da economia e das finanças e ambiente. Onde estavam os sindicatos que não invadiram o da educação???? Se tenho ido às manifestações vigílias e afins.... TENHO. Não é o Crato que nos obriga a fazer uma prova, mas sim os sindicatos que não nos defende devidamente para que essa prova não vá para a frente. Estou revoltada, SIM, ESTOU REVOLTADA!!!!

Comentário/desabafo 4: 
 "A termo está a educação nestes moldes! A termo está o desrespeito por uma classe profissional que cumpre requisitos universitários e avaliações anuais! A termo está a educação voltada apenas para a redução de gastos!"

Comentário/desabafo 5: 
 Então é assim?? Deixam se levar pelo medo e pela incerteza da decisão do Tribunal e já estão todos a inscrever se na dita PROVA? Falam e falam... e depois todos vão lá bater à porta? Desculpem as minhas palavras, mas... isto não faz sentido!

Comentário/desabafo 6:
Então é assim?? Deixam se levar pelo medo e pela incerteza da decisão do Tribunal e já estão todos a inscrever se na dita PROVA? Falam e falam... e depois todos vão lá bater à porta? Desculpem as minhas palavras, mas... isto não faz sentido!

Comentário/desabafo 7:
Muito sinceramente, despeço-me deste grupo e de outros, em virtude dos comentários de alguns colegas relativamente aos outros... Boa vida para vocês e que Deus, Alá ou Buda vos ensine a respeitar-se uns aos outros... efectivos e contratados, grevistas e não grevistas, etc.... Ser-se professor é, acima de tudo, saber ouvir e compreender, algo que não tem abundado muito por aqui...

PORQUE TODAS AS ACÇÕES SÃO POUCAS...



terça-feira, 26 de Novembro de 2013

APENAS DESNORTE?

Já várias vezes o fizera, mas hoje, depois ler a notícia no Público, pus-me, de forma muito especial, na pele de um colega contratado. E os sentimentos que me percorreram o corpo deixaram-me completamente siderado. Perdido, confuso, sozinho, completamente abandonado, senti, em definitivo, que apenas me restam duas alternativas: ou lutar  e gritar pela dignidade que me resta, ou continuar imóvel, deixando que todos, incluindo aqueles que deveriam defender todos os docentes, me arrasem enquanto pessoa e professor.

Além do exemplo que tenho de dar ao Ministério da Educação, eis que me vejo obrigado a lutar contra a inércia e desmobilização dos dirigentes sindicais.

As palavras de Mário Nogueira até poderão ter implícita alguma sábia prudência. No entanto, não conseguem esconder apenas desnorte e falta de trabalho na mobilização de todos professores. Elas são também reveladores da falta de criatividade em acções eficazes de luta quando está em causa, segundo as próprias palavras de todos os dirigentes sindicais, o pior ataque de que há memória à escola públia e a maior ignomínia alguma vez cometida para com os professores.

Com ou sem apoio em todas as ocasiões, os professores acabarão por saber dar a resposta no momento certo. Apenas porque é inevitável que assim seja.

Notícia do Público:  

Dirigente da Fenprof diz que se estivesse no lugar dos contratados se inscrevia para fazer a prova de avaliação

À espera das decisões definitivas dos tribunais, o dirigente sindical Mário Nogueira diz que "a vida ensina que é importante manter possibilidades em aberto". O prazo para as inscrições para realizar a prova termina às 18h de quinta-feira.

O PARTO DO IAVE

Os flibusteiros que tomaram o governo de Portugal reuniram-se e tomaram mais uma daquelas sinuosas medidas tanto a seu gosto. Uma importantíssima medida. Tomaram-na sem sequer consultar alguém que não os amigos. E ficou ali resolvido o esquema: resolveram instituir o IAVE, passando responsabilidades do Ministério da Educação para as mãos de amigos do ministro, amigos que praticamente ninguém conhece. O IAVE substitui o Gave e é considerada uma “entidade independente”, com amplas competências e a tão desejada e tranquilizadora liberdade de ação. A “independência”, essa, é seletiva: por exemplo, esta entidade “independente” usa, sem dar cavaco a ninguém, os sites governamentais, nomeadamente o do antigo Gave, o que seria considerado ilegal em qualquer outro país. Ao IAVE, entidade criada por um grupo de pessoas numa reunião, foi dado enorme poder: pode, por exemplo, ANULAR as habilitações conferidas pelas universidades portuguesas (se quiserem, podem amanhã dizer que TODOS os cursos superiores tirados em Portugal valem menos que zero). O IAVE é “independente” mas cobra dinheiro através do Estado e mexe com dinheiro, que entra pelo ministério e se dissipa por meandros obscuros.

Não há nada de ilegal aqui? Tudo isto é, no mínimo, muuuuito estranho, não é?

Recebido por e-mail, sem referência de autor. Uma pesquisa posterior, permitiu verificar que a primeira publicação terá sido em http://olhequenao.wordpress.com/author/jyotigomes/
 

DEPUTADOS: SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E DE NATAL TÊM AUMENTO DE 91,8%

Se, face a estes factos, os portugueses não se revoltarem em definitivo, há razão para dizer que somos um povo fraco, de fraca gente e tão pobre de espírito, que nada mais nos restará como nação.

Vejamos:

Aprovado já em Outubro passado, o orçamento para o funcionamento da Assembleia da República revela algumas surpresas capazes de deixar qualquer cidadão de boca aberta e levá-lo a acções de luta bem duras e necessárias. É que, nestes tempos de aperto até à exaustão, as despesas e os vencimentos previstos com os deputados e demais pessoal aumentam em 2014.

Não se trata apenas de um mau exemplo de despesismo público e de desperdício da Assembleia da República, em contexto de crise e austeridade. Trata-se de uma ignomínia, que tem de ser combatida por todos e com todas as forças, até porque
aumento brutal não tem qualquer explicação que o justifique.

Se compararmos o orçamento dos anos de 2013 e 2014, verifica-se que, para 2014, ele prevê um aumento global de 4,99% nos vencimentos dos deputados, passando estes de 9.803.084 € para 10.293.000,00 €.

E se este aumento de praticamente 5% é uma autêntica infâmia, a verba relativa aos subsídios de férias de natal dos deputados é uma autêntica declaração de guerra aos portugueses. É deveras terrorista o facto de, relativamente ao orçamento para o ano de 2013, ele contemplar um aumento de 91,8%, passando de 1.017.270,00 € (em 2013) para 1.951.376,00 € (em 2014), ou seja, o ano de 2014 prevê mais 934.106,00 €. 

Infelizmente, as despesas com remunerações certas e permanentes com a totalidade do pessoal da Assembleia da República (deputados, assistentes, secretárias e assessores, que aumentam 5,4%, bem como outros valores astronómicos atribuídos aos partidos e em mordomias, são ingredientes a mais para deixar qualquer cidadão insensível e comodamente sentado em casa.
  
Para quem quiser confirmar, basta consultar e comparar o D.R., 1.ª Série, n.º 222, de 16/11/2012 (relativo ao orçamento de 2013) com o D.R., 1.ª Série, n.º 226, de 21/11/2013 (onde está o orçamento de 2014). Consultem a rubrica "despesas correntes", que se encontra na segunda página dos documentos destes links.

Indigna-te! Há sempre um tempo de dizer BASTA! E este é o tempo!

 

sábado, 23 de Novembro de 2013

SONDAGEM A PROFESSORES CANDIDATOS À REALIZAÇÃO DA PROVA

VAI REALIZAR A PROVA (PACC)? 

ATENÇÃO: ESTA SONDAGEM DESTINA-SE APENAS A PROFESSORES CANDIDATOS À REALIZAÇÃO DA PROVA

Muitos são os professores que se têm manifestado ultimamente sobre a PACC, parecendo ser unânime que todos estão contra a sua realização.

No entanto, quando se fala na luta concreta contra ela, verifica-se o extremar de posições, havendo pelo meio alguns professores, cuja decisão só será tomada de acordo com a percepção da maioria.

Além disso, não é novidade que muita gente exprime e demonstra publicamente uma determinação e atitude, mas, depois, no silêncio e solidão da sua existência, decide-se pelo seu contrário.

Assim, através desta sondagem (ver painel à esquerda), pretendemos saber, de forma anónima, qual é a verdadeira determinação dos professores em realizar ou não esta prova humilhante para toda a classe docente. 

Divulga e partilha!

NÃO FAREI QUALQUER EXAME RETROACTIVO

Carta aberta de um professor ao primeiro-ministro: não farei qualquer exame retroactivo

Não temo como nunca temi qualquer forma de avaliação, mas não me sujeito ou humilho perante este cenário a que Vossa Excelência nos quer forçar.

O meu nome é Manuel Maria de Magalhães e sou professor profissionalizado do grupo 410 (Filosofia), desde 2002. Desde então fui contratado por 13 escolas, em cinco distritos diferentes (Viana do Castelo, Braga, Porto, Guarda e Viseu). Em todas excedi sempre aquilo que me era pedido, como prova o reconhecimento, em alguns casos público e formal, que alunos, colegas, órgãos das escolas e encarregados de educação prestaram ao meu trabalho.

 Em termos de formação contínua de professores desprezei sempre as acções de formação promovidas pelo ministério através das suas direcções regionais, que conjugam o verbo "encher" na perfeição, para procurar na academia a continuação dos meus estudos sob a forma de congressos ou mesmo na execução de duas pós-graduações nas áreas em que o meu grupo disciplinar se move. Em todas as escolas o meu trabalho foi avaliado, de acordo com o estipulado, tendo inclusivamente sido dos primeiros a submeter-se voluntariamente às "aulas assistidas". Em consequência das suas políticas educativas encontro-me no corrente ano desempregado e sem perspectivas de encontrar colocação nesta área, tal como dezenas de milhares de colegas meus, muitos deles com uma história profissional bem mais dura do que a minha e muitos mais anos de serviço. É neste quadro que Vossa Excelência, através do seu ministro da Educação, nos quer obrigar a fazer um exame para poder continuar a concorrer ao ensino. Era a humilhação que faltava e a maior de todas.

Ao enveredar por este caminho, Vossa Excelência está a descredibilizar todos os docentes com provas dadas nesta causa que é tomada como uma missão em prol do desenvolvimento do país. Está a descredibilizar as universidades que nos formaram e as escolas que nos avaliaram. Está a destruir a credibilidade do próprio ensino, através de uma avaliação retroactiva, sem fundamento, obscura nos seus contornos, pois até esta data pouco se sabe sobre o processo, que é mais próprio de regimes ditatoriais revolucionários do que de democracias maduras, onde todas as partes devem ser ouvidas.

Estou de acordo consigo num ponto: a Educação não está bem,apesar dos esforços de tantos, mas residirá apenas na classe docente a causa desse mal? Já reparou que todos os governos eleitos impuseram uma política de Educação diametralmente diferente dos anteriores? Já se deu conta que a Educação foi verdadeiramente uma área em que se "atirou dinheiro" para cima dos problemas na esperança que passassem? No ensino, como em muitas outras áreas, também existiu o privilégio do betão face à formação. Quantas escolas não têm psicólogos, sobretudo clínicos, que tanta falta fariam aos inúmeros casos dramáticos que assolam milhares de alunos? Que vínculos tem o Estado, através da Segurança Social, para ajudar a estabelecer pontes entre as famílias e a Escola? O que se (não) tem feito em termos de prevenção da indisciplina em ambiente escolar, seja na sala de aula ou fora dela? O que fez o Estado para promover a autoridade (não autoritarismo) do professor e do auxiliar de acção educativa que ainda é tratado, à maneira do Estado Novo, como um mero contínuo, desprezando o seu vital papel nas escolas? Construir ou renovar escolas não chega… Se quer introduzir alterações em atitudes e comportamentos dos docentes, este não é seguramente o melhor caminho. Se analisar a formação que o ministério nos disponibiliza, constatará que não tem, na maioria dos casos, qualquer interesse em termos pedagógicos. Já pensou em fomentar a ligação entre as universidades e as escolas neste sentido? Ao persistir neste caminho, Vossa Excelência encerra em si o pior modelo de docência: o do professor que obriga os alunos a uma avaliação para a qual não os preparou.

Não temo como nunca temi qualquer forma de avaliação, mas não me sujeito ou humilho perante este cenário a que Vossa Excelência nos quer forçar. Não farei qualquer exame retroactivo, imposto de forma ditatorial. Se o preço a pagar for a exclusão definitiva do ensino, assumo-o. Mais importante do que as palavras que proferimos é o exemplo que perdura. A dignidade não está à venda e não posso ser incoerente com tudo o que tenho passado aos alunos que o Estado me entregou. Ainda assim tenho a esperança que Vossa Excelência tenha a humildade (uma das maiores, se não a maior, virtude humana) de reconhecer o erro que esta medida encerra e procurar novas soluções.

Professor de Filosofia

In Público

sexta-feira, 22 de Novembro de 2013

A PROVA, ALGUÉM DO MINISTÉRIO E A FLATULÊNCIA

Quando a infâmia é grande, até as palavras escasseiam.

Estive a entreter-me neste fim de tarde chuvosa, realizando a prova, a tal PACC, que mais não é do que uma flatulência ministerial! E se já antes tinha claro que se tratava da maior ignomínia alguma vez lançada sobre os professores, o ridículo de ser uma prova ao nível de um aluno do ensino secundário faz com que deva ser combatida por todos os meios e por TODOS os professores.

Mas há uma questão que fica, para já, em aberto: não será esta "facilidade" um isco para atrair os professores e levá-los a inscrever-se massivamente e a realizar a prova no dia marcado? É que Crato, o seu comandante e o seu séquito são muito matreiros (uma tradição que já vem de longe, especialmente dos antecessores) e podem bem estar a utilizar uma estratégia de esvaziamento da luta, de forma a que os seus objectivos sejam alcançados, num esquema descarado de exploração e redução da classe docente à miséria e de destruição da escola pública.

Não nos podemos deixar amesquinhar! Os professores não podem ter medo e deixar-se derrubar. Começa a ser tempo de nos começarmos antecipar, derrubando-os nós a eles. 

O modelo da prova encontra-se aqui

quinta-feira, 21 de Novembro de 2013

O NAUFRÁGIO DE CRATO

Excelente texto de Eduardo Oliveira e Silva, no Ionline. Esperemos apenas que este naufrágio seja daqueles sem resgaste, daqueles em que nem o corpo aparece. Todos sabemos que o poder corrompe. Mas nenhum de nós está para aturar quem, manifestamente, já deu mostras de não ter competência para gerir a pasta e estar a destruir a educação em Portugal.

O ministro está a afundar-se, para seu mal e do país 

Quando entrou para o governo era o mais velho dos seus membros. Ao seu nome associava-se prestígio, como acontecia por exemplo com Francisco José Viegas, que entretanto desertou.

Sensato, cordato, competente, e também um reputado matemático e professor universitário, esperava-se de Nuno Crato que concretizasse o que nunca um dos seus antecessores tinha alcançado: uma política simultaneamente coerente e minimamente consensual.

A missão era quase impossível, mas, dado o perfil, admitia-se a hipótese de êxito relativo. No entanto, nada deu certo e a culpa não tem a ver com a crise e a falta de meios. Crato conseguiu, rapidamente, mobilizar contra ele todos os agentes do ensino, começando pelos professores, que promoveram as maiores manifestações de sempre.

Basta, aliás, olhar para o que está acontecer nos últimos dias para se ter uma ideia clara de que o ministério e a política de Nuno Crato metem água por todo o lado. Verifica-se que, não querendo fazer uma revolução mas uma reforma tranquila, não fez nem uma coisa nem outra.

Os reitores, através do seu conselho, decidiram recentemente num gesto inédito e simbólico cortar as pontes de diálogo e acusar o ministro de violar a sagrada autonomia universitária. De facto, as coisas estão péssimas, tanto no ensino superior universitário como no politécnico, cuja frequência é hoje impossível para quem não disponha de meios económicos. A ideia de gratuidade sempre foi um tanto simbólica, mas agora morreu.

Nos patamares anteriores à universidade ou na área especial, a situação é ainda mais grave. Estão instalados o caos e a ineficácia, salvo alguns casos de excepção.

A ideia dos contratos de autonomia está já ferida de morte, embora uma em cada quatro escolas públicas queira aderir. Como ontem se acentuava num trabalho desenvolvido neste jornal, os limites da lei e das disponibilidades financeiras condicionam as decisões e desiludem os responsáveis pelos agrupamentos que avançaram para o acordo. Em contrapartida, os agrupamentos tal qual estão revelam-se em regra impossíveis de gerir, porque o afastamento em relação ao terreno é excessivo e a intervenção directa ao nível da escola sempre foi uma forma de gestão mais eficaz.

Os contratos com o ensino privado suscitam desconfianças e promiscuidades inimagináveis, como demonstrou um recente trabalho da TVI.

No meio de uma situação sempre instável, Portugal conseguiu, mesmo assim, preparar ao longo dos anos uma parte significativa da sua juventude e dar aos mais velhos alguns incentivos para que voltassem a estudar. Mesmo opções controversas como as Novas Oportunidades tinham alguma utilidade e recuperaram auto-estimas. Hoje vivemos numa floresta de equívocos. Não se sabe para onde vai o ensino e sobretudo percebe-se que os caminhos que Nuno Crato trilhou estão bloqueados.

É pena, porque Crato tinha o perfil certo para a função e à partida foi invulgarmente bem aceite por um sistema que, além de altamente corporativo, transporta interesses específicos e não raras vezes antagónicos, sendo dominando por sindicatos e ideologias políticas.

Não é certo que algum dia alguém consiga fazer melhor, mas é certo que Nuno Crato se está a afundar, o que é mau para ele mas sobretudo para os portugueses. Vergonha Pepsi: Vamos trucidar Portugal. Foi esta a mensagem que a marca promoveu ao colocar um boneco lembrando Ronaldo em cima de uma linha de comboio. Uma só resposta: beber Coca-Cola!!!

In Ionline
NOTA: O sublinhado é nosso. 

quarta-feira, 20 de Novembro de 2013

ABAIXO ASSINADO CONTRA A PROVA

Seria bom que se gerasse um movimento de abaixo assinados pelas escolas, do género do que se propõe, que pode ser usado na íntegra ou adptado, devendo ser enviado ao IAVE, através do endereço de correio eletrónico pacc@gave.mec.pt.

ABAIXO ASSINADO

          Em resposta  ao Aviso n.º 14185-A/2013, publicado no Diário da República de 19 de novembro de 2013 e relativo à inscrição dos candidatos para a realização da prova de avaliação de conhecimentos e de capacidades para o exercício da função docente, os professores abaixo assinados, pertencentes ao quadro de escola/agrupamento de escolas ______________, com sede em ______________, vêm, por este meio, expressar publicamente o seu repúdio por esta prova, por considerarem tratar-se de um procedimento profissionalmente inaceitável e indigno, em virtude de, como o próprio texto do aviso refere, se destinar a quem já é "detentor de uma qualificação profissional para a docência"; por entenderem que o contexto da exigência da mesma revela um total atropelo a todas as instituições responsáveis pela atribuição das competências científicas e pedagógicas a esses docentes, bem como ao trabalho prestado por estes profissionais ao longo de vários anos nos estabelecimentos de ensino, pondo ainda em causa toda a avaliação a que foram sistematicamente sujeitos.
          Assim, compromentem-se os professores abaixo assinados a não se disporem, qualquer que seja a circunstância, a vigiar, controlar, ou, muito menos, corrigir as provas, se a isso vierem a ser chamados, por considerarem que essa tarefa carece quer de enquadramento legal e profissional da profissão docente, quer de um mínimo de dignidade e deontologia profissionais.

        (Local) ______________________, ____ de Novembro de 2013.

        Os abaixo assinados:

UMA VEZ MAIS, É HORA!

Tendo em conta tudo aquilo que recentemente se tem passado na educação e no ensino público português, nenhum professor pode continuar de braços cruzados, sob pena de se tornar cúmplice da destruição da escola pública e da profissão docente.

Com Nuno Crato, muita coisa mudou. Infelizmente, para pior. E em catadupa, para que a anestesia tomasse conta dos professores e estes não reagissem. Foi isso que veio acontecendo. Porque a crise e o medo foram forças maiores do que a força humana.

Mas algo está a mudar.
Sem esquecer as dificuldades em que os professores foram colocados, com reformas penalizadoras, convites ao despedimento encapotados em mobilidade e rescisões amigáveis, aumento de número de alunos por turma, aumento das horas de trabalho, aumento de trabalho burocrático, roubo nos vencimentos, congelamento de carreiras, etc., etc., os professores vêem-se confrontados com a marcha devoradora para a privatização do ensino e com uma indigna prova de avaliação de capacidades e conhecimentos aplicada aos colegas contratados, agravada pelo facto de terem de  pagar para a realizar e de há muito sofrerem a injustiça e ilegalidade de não vinculação depois de muitos anos de trabalho.


Todos já percebemos que o governo tem sido especialista no desrespeito pelas leis. Nuno Crato, apesar das diversas providências cautelares aceites contra a prova, não se coibiu de mandar publicar os procedimentos administrativos no Diário da República de 19/11/13.

Até porque já há uma boa notícia...

ESTÁ NA HORA DE DIZER "BASTA". ESTÁ NA HORA DE DIZER "NÃO".

PRECISO VOLTAR A UNIR E MOBILIZAR TODOS OS PROFESSORES
. contra o financiamento público do ensino privado;
. contra a destrução da escola pública;
. contra a Prova de Avaliação de Capacidades e Conhecimentos.


TODOS SOMOS POUCOS!

Colabora: mobilizar.e.unir.professores@gmail.com

quarta-feira, 3 de Julho de 2013

SONDAGEM: QUE SOLUÇÃO PARA PORTUGAL?

Durante alguns dias, apresenta-se aqui uma sondagem que pretende perceber o que pensam os visitantes deste espaço sobre a melhor solução para o país face à atual crise política e governativa.

Mesmo sem rigor científico, parece-nos interessante saber a opinião dos professores e dos educadores portugueses, que, embora com especial incidência no domínio educativo, muito têm contestado as diversas medidas governativas.

Na caixa à esquerda, selecionar a opção e clicar em "votar".

Obrigado.

UM GOVERNO SWAP

Texto de Santana Castilho * (destacado nosso)

1. O fim da greve dos professores, primeiro, e a demissão de Gaspar, depois, atiraram para o limbo do quase esquecimento o escândalo do exame de Português do 12º ano. Mas a consciência obriga-me a retomar o tema, no dia (escrevo a 2 de Julho) em que se branqueia a iniquidade. Que teria feito a Inspecção, que aparecia sempre e este ano sumiu, se verificasse que se efectuaram exames sem o funcionamento regulado dos respectivos secretariados? Que houve vigilantes desconhecedores das normas básicas, socorridos no acto … pelos próprios examinandos? Que se realizaram exames sem a presença de professores coadjuvantes? Que professores de Português vigiaram exames? Que não foi garantida a inexistência de parentesco entre examinados e vigilantes? Que não houve um critério uniforme para determinar quem fez e quem não fez o exame a 17 de Junho? Que o sigilo, desde sempre regra de ouro, foi grosseiramente quebrado pela comunicação, em ambiente de tumulto público, entre o exterior e examinandos? Que se prestaram provas em locais inadequados e proibidos pelas regras vigentes? Que não foi respeitada a hora de início da prova? Que teria feito, afinal, a Inspecção, se … existisse? O óbvio, isto é, a recomendação da anulação do exame e o apuramento dos responsáveis pela derrocada do que se julgava adquirido. Consumada a trapalhada inicial, transformada a Inspecção em submissão, prosseguiu a farsa com o Despacho 8056/2013, que, preto no branco, contrariou a lei e mandou admitir à repetição da prova todos, sem excepção, que a não tinham feito, independentemente do motivo. A última palavra, corrigindo o despacho, deu-a … o Gabinete de Imprensa do ministério. Tudo brilhante, em nome do rigor, sob a responsabilidade política do ministro do rigor. Espanta isto no dia em que Maria Luís Albuquerque substitui Gaspar? Claro que não. Este é um Governo swap. Um Governo que troca o que lhe dá jeito, particularmente a ética, pela sobrevivência a qualquer custo.  

2. É ainda a consciência que me dita uma palavra sobre a greve dos professores. Fora eu dado ao swap e ficaria calado, que era mais fácil. Mas não sou. Os motivos invocados pelos sindicatos para decretarem a greve foram próximos e curtos. As razões que levaram 100.000 professores a abraçá-la foram remotas e longas. Remontam a toda uma política que Maria de Lurdes Rodrigues começou e Crato prosseguiu e reforçou com denodo. É minha convicção que a expressão da adesão à greve surpreendeu Governo e sindicatos. Não é pois possível medir-lhe os resultados sem a consideração do que é mais profundo, do que está para lá do recente. E aí chegados, a insatisfação assoma. Eu explico porquê.

Há hoje um grupo de bem-pensantes que desconhece ou esqueceu a história do sindicalismo. Para eles, o exercício do direito à greve não deve ultrapassar o simbolismo coreográfico que terminou nos acordos anteriores. Mas a consciência política que os terá surpreendido, disse-lhes que há 100.000 que não aceitam trocar por lentilhas aquilo que outros conseguiram com décadas de padecimento e sacrifícios. Não há greves cómodas. Não há greves com resultados se não forem para doer. Esta greve poderia ter ido mais além. A bolsa dos professores não aguentaria muito mais tempo? Talvez! O protelamento das reuniões do 5º ao 11º anos, não passaria de um simples acumular de trabalho? Talvez! Mas … e se os conselhos de turma do 12º ano ainda não se tivessem realizado?

A direcção de turma passou a estar incluída na componente lectiva? Mas era lá que estava há nada de tempo! Passou para 100 minutos? Mas antes da passagem recente para hora e meia, cifrava-se em duas horas! E que ganho objectivo resulta para os horários disponíveis, se a direcção de turma for atribuída (como é possível segundo o negociado) no quadro dos 100 minutos previstos para apoio pedagógico? Não fica anulado o efeito sobre a potencial recuperação de horários disponíveis? Ganhou-se o limite de 60 quilómetros para a mobilidade exigível aos vinculados, depois de se ter perdido uma estabilidade com mais de meio século? Mas é isso que já existia para todos os funcionários públicos! E 120 quilómetros de deslocação são aceitáveis para o dia-a-dia de quem trabalha? E os contratados, com vidas de mobilidade permanente? É decente, sequer concebível à luz das leis do trabalho, terem contratos sucessivos, durante 20 anos, com o mesmo patrão, que despoticamente lhes recusa estabilidade de emprego? Quando o Papa proclama, em boa hora, que não há mães solteiras, mas tão-só mães, não foi desta que se gritou que não há professores de primeira e professores de segunda, mas tão só professores. Ou cairemos, com o regozijo de termos evitado o vandalismo que o Governo projectava, na armadilha de calar as aspirações legítimas de uns com o retrocesso das aquisições de outros?

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt) 

 Texto parcialmente disponível no Público e, na íntegra, em diversos sítios da internet.

terça-feira, 2 de Julho de 2013

SEM PORTAS, QUAL SERÁ A SAÍDA?

Tal como ontem referimos, o caso do dia do início do segundo semestre de 2013 não foi apenas a demissão de Vítor Gaspar. Em consequência desse facto, a nomeação de Maria Luís Albuquerque foi um caso estranho e só compreensível à luz da deriva de um país afundado. Segundo parece, o  pedido de demissão de Paulo Portas radica nessa nomeação.

A pergunta que todos fazem é "o que acontecerá agora?"

Independentemente da melhor solução para o País, estes são os cenários possíveis, pelo menos antes de ouvirmos a declaração de Passos Coelho ao País, às 20:00h.

Eleições antecipadas

Governo de iniciativa presidencial

CDS sai do Governo mas oferece acordo de incidência parlamentar

CDS mantém-se no Governo e só troca Portas

Novo nome refaz a coligação

Confira no Jornal de Negócios o desenvolvimento de cada uma destas hipóteses.
   

segunda-feira, 1 de Julho de 2013

DEMISSÃO DE VÍTOR GASPAR: O INÍCIO DO FIM?

Tendo em conta o inegável impacto na vida dos portugueses, nomeadamente na dos professores, há duas notícias relevantes que marcam o início da segunda metade de 2013: a demissão de Vítor Gaspar e a nomeação de Maria Luís Albuquerque para o substituir na pasta.

A demissão do ministro das Finanças, como a do próprio governo, peca por tardia. De acordo com a Diário Económico, "Vítor Gaspar deverá alegar motivos pessoais para abandonar o Executivo, mas na base da sua demissão estão três pontos de ruptura: a recente cedência na Educação - a mobilidade especial dos professores só será aplicada em 2015 -, as dúvidas da ‘troika' quanto à execução da reforma do Estado e, por último, o caso dos ‘swaps'."

No que respeita à nomeação para nova ministra de uma pessoa envolta em acesa polémica por causa dos "swaps", já nada se estranha num primeiro-ministro e num governo tão estranhos, sem nada a dar ao País e a contribuir para o seu cada vez maior e irremediável afundamento.

Algumas das principais ligações (a não perder):  







sábado, 29 de Junho de 2013

ATA DAS NEGOCIAÇÕES ENTRE OS SINDICATOS E O MEC

Depois de se terem sabido notícias, ouvido os intervenientes, lido comentários e conhecido posições, disponibiliza-se aqui a ata conclusiva das negociações sindicais de 24 de Junho. Assim, cada um poderá fazer a sua leitura e análise pessoal.

Para aceder ao documento, clicar aqui.

quinta-feira, 27 de Junho de 2013

NA LUTA, COMO NA VIDA, MAIS VALE TARDE QUE NUNCA...

Num espaço plural como este, aqui fica a posição e análise do Ricardo Silva relativamente à luta e aos resultados com ela conseguidos.

Tendo sido, enquanto professor e membro da APEDE, ao longo destes anos de luta, bastante crítico da forma como as cúpulas sindicais foram conduzindo a ação reivindicativa dos professores, nomeadamente com memorandos e acordos de triste memória, ao arrepio dos apelos das bases para uma luta mais dura e no “osso” (recordo “apenas” as intervenções dos professores no 15 de Novembro de 2008 e as moções aprovadas nos Encontros de Escolas/Professores em Luta, em Leiria, entre outras tomadas de posição públicas dos movimentos e de diversos bloggers) não posso deixar de reconhecer e afirmar que mais vale tarde que nunca!

A marcação, finalmente(!!!), de uma greve “a doer”… como há longo tempo muitos de nós exigiam, veio a revelar-se um fator importante e decisivo nesta luta. Poderia questionar as razões da demora, pois sempre acreditei (ao contrário de muitos dirigentes sindicais) que os professores não falhariam numa greve às avaliações e aos exames, desde que sentissem força e determinação nos negociadores sindicais e podendo neles confiar. Por outro lado, tenho dúvidas que os sindicatos (e o governo) acreditassem na tremenda adesão dos professores a esta greve. A verdade indesmentível é que ela foi muito expressiva, muito de dentro, muito “do terreno” e muito bem organizada e gerida nas escolas, pelos professores. Isto prova que a maioria deles estão disponíveis para lutar, e mesmo sacrificar parte dos salários, desde que percebam que pode valer a pena, que faz todo o sentido, que tem peso político efetivo, e sobretudo, que não serão “traídos”, ou abandonados na luta, em troca de um “prato de lentilhas” (ou pizza para quem assina).

Quanto aos resultados obtidos com esta greve, e é isso que mais importa referir neste momento, faço uma primeira leitura clara, positiva, afirmativa, e sem subterfúgios ou meias palavras:  esta ata negocial, se vier a traduzir-se integralmente em normativos legais representa, no contexto atual, um ganho efetivo para os professores, em diversas matérias, e uma vitória incontestável das estruturas sindicais e dos seus líderes, em particular da FENPROF e de Mário Nogueira! É por isso que repito: luta assim... mais vale tarde... que nunca!

Não é possível escamotear (e foi importante a insistência para que tudo ficasse escrito e com redação inequívoca) que estão expressos naquela ata negocial ganhos reais para os professores: quer quanto à componente individual, quer quanto às atividades que podem ser consideradas letivas (na prática dificilmente haverá horários zero, e isso só acontecerá com diretores tiranetes e apenas se os professores nessas escolas facilitarem e cederem - sendo a culpa, nesse caso, dos professores… capados!!! dos CG's e dos CP's!), quanto à DT... que cresce para 100 minutos e fica na letiva, quanto à passagem à reforma dos docentes que solicitaram aposentação, quanto à manutenção (pelo menos por agora) do artigo 79. E mesmo para os contratados, apesar de tudo, também há algumas (é verdade que deveriam ser mais) boas notícias: a redução dos DACL's, a manutenção da DT na letiva e as aposentações até Agosto (sem atribuição de horário em Setembro), representam, em princípio, mais horários disponíveis para as necessidades residuais e contratações de escola. Não chega, é certo, mas o próximo Setembro, que se adivinhava ser o mês do adeus definitivo para muitos milhares de contratados, poderá não ser assim tão negro. Aqui, como em muitos outros domínios, a luta tem de continuar. A começar pelo combate à precariedade, pela abertura de concursos de afectação com as vagas reais declaradas, passando pela urgentíssima reformulação do modelo de gestão não democrático, pela formação contínua estupidamente obrigatória em tempos de congelamento (que não pode manter-se indefinidamente), pelo nº de alunos por turma, etc. etc.

O problema maior que persiste e o mais grave de todos (a par da precarização dos contratados) é, sem dúvida, a quebra do vínculo… não sendo despicienda a questão da mobilidade geográfica (60km é muito km, pois significam na prática 120 km dia, situação que considero muito penalizadora – e sim, eu sei que há quem faça ainda mais e há muito tempo! Inaceitável!). Nesta questão da alteração dos vínculos, sabemos que ainda terá de passar pelo Tribunal Constitucional, precisamos de manter a pressão alta e nada impede que a luta regresse, em força, para se evitar este atropelo às normas constitucionais e aos direitos e garantias que delas emanam.

Resumindo: nos tempos que correm, e face ao modo como o governo tem atacado os funcionários públicos e, em particular, os professores, este foi, na minha opinião, um “acordo” bastante satisfatório e provou que a luta, quando é “no osso”, vital, significativa, politicamente dura e operativa, é melhor compreendida e apoiada pelas bases, tendo resultados efetivos e pode ser concluída (por agora) com a sensação de que valeu a pena!!! Importa, assim, felicitar os professores, por mais um exemplo da sua capacidade de resistência e de luta, que pode e deve ser acompanhada e replicada noutros sectores, a que acresceu, em muitas escolas, a solidariedade financeira demonstrada, com a organização espontânea de fundos de greve que permitirão aliviar (ou mesmo anular – e sei do que falo) o corte salarial dela decorrente. Este é um ponto que deveria merecer reflexão, muito atenta, por parte das direções sindicais. A constituição de um fundo de greve é possível, é desejável, e deveria passar a ser uma preocupação e um objetivo dos sindicatos de professores.

Concluindo: fica uma sensação positiva, pessoal e coletiva, de dever cumprido dos professores com esta greve, exceptuando alguns, quiçá muitos, "amarelos primários" (sem nenhuma intenção de desrespeitar ou generalizar quem agiu de outro modo na luta, pois a democracia é isto mesmo), que não conseguiram ou não quiseram compreender a importância desta hora e, em termos de resultados obtidos (salvaguardando desde já a possibilidade do manda-chuva Gaspar atirar a ata  para o lixo o que, como se sabe, depende muito da meteorologia), dizer que, dado o contexto político e económico, não podemos lamentar ou repudiar as assinaturas sindicais de ontem. Nem sequer duvidar de que a luta deve mesmo continuar, como foi dito!

Um último apontamento para os invejosos sociais de outros sectores profissionais (que não lutam pelo seu progresso, e melhoria de direitos, mas sim pela regressão dos direitos dos outros) considero particularmente delicioso, e justíssimo, que o aumento das 5 horas de trabalho seja todo refletido na componente individual (fazendo fé no texto assinado pelas partes). Por aí até poderiam considerar muito mais de 5 horas. E pagá-las... já agora!

Abraço a todos e como diria, mais ou menos, o eterno Mário Nogueira: "quem luta nem sempre ganha, mas quem desiste será sempre derrotado!"

Até concordo!

Ricardo Silva (APEDE)

terça-feira, 25 de Junho de 2013

DESILUSÃO SINDICAL DE NOVO?

O jornal Público escarrapacha que Acabaram as Greves na Educação.

Eu sei que havia muita gente cansada (ministros, professores, alunos, pais, sindicalistas, cidadãos) e que um processo de luta é mesmo assim: desgastante para todos. Desgastante para quem declara a guerra, para quem se defende, para inocentes apanhados pelo meio, e até para quem a ela assiste.

Um dos principais representantes dos sindicatos, agente das negociações, parece muito satisfeito com os acordos firmados, mas pouco fica resolvido. À primeira vista vislumbra-se que o mais importante é prolongar indefinidamente o combate dos professores, em vez de o que resolver em definitivo, como é o caso da requalificação ou mobilidade que, no fundo, é problema que apenas fica adiado para 2015.

De acordo com notícias, declarações e reações que vão surgindo, relativas ao resultado das negociações entre o ME e os sindicatos, os professores no "terreno", mais ou menos entrosados na luta destes últimos tempos, começam a tomar um de três partidos: o dos entusiasmados, que consideram que foi uma grande vitória dos professores; o dos desconfiados, que acham que houve bons progressos; e o dos desiludidos, que não hesitam em apontar o dedos às estruturas sindicais pelo facto de, uma vez mais, terem hipotecado a luta e o futuro dos professores. Deste último grupo farão parte, sobretudo, muitos daqueles que, nestes últimos dias, lutaram determinadamente contra a mais feroz tentativa de acabar com a classe docente.

É verdade que, na luta, há os corajosos, como a  colega em greve de fome contra a mobilidade especial, e há quem, por razões várias, desde a descrença ao cansaço, se tenha borrifado para tudo. Pelo meio, uma grande parte de professores que souberam dizer "não" na hora da verdade. Também há aqueles que começavam a acusar alguma fadiga, sobretudo por verificarem a falta de unidade e de solidariedade de muitos colegas que acabarão por beneficiar dos eventuais ganhos que, mais do que conseguidos, se vierem a concretizar.

Costuma dizer-se que não há duas sem três. Esperemos que, uma vez mais, não se tenha hoje repetido uma nova versão do acordo com Isabel Alçada ou com memorando de entendimento com MLR, pois tal significará o fim prático de uma luta, visto que dificilmente os professores terão forças para novos combates depois de tantas vezes ter sido esvaziado o seu esforço.

Por mim, mergulhado em muitas dúvidas, quero apenas crer que a estratégia de hoje, que sei em contexto difícil, venha a revelar que, afinal, foi a atitude mais sensata.    

Ilídio Trindade

Desde 01-01-2009


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