sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

A "SOLUSPENSÃO"

O que tivemos hoje, na Assembleia da República, foi uma "soluspensão": uma suspensão que não chegou a existir para uma solução que não chegou a sê-lo ou, se se quiser, uma verdadeira suspensão da solução.

O resultado da apresentação, discussão e votação dos diversos projectos apresentados na Assembleia da República, com vista à suspensão do actual modelo de avaliação docente e ao fim da divisão da carreira, foi importante para a escola pública e para os docentes portugueses, mas não correspondeu de todo às justas expectativas dos professores. Houve avanços, mas não foram evitados alguns recuos. Nem tudo foi mau, mas não ficou ainda nada claramente resolvido.

De facto, o "Compromisso Educação", posto em marcha pelos movimentos independentes de professores, revelou-se ter sido um dos factores decisivos no que foi agora conseguido, embora um pouco aquém do que seria expectável. Quem, há um ano, admitia a possibilidade de acabar com a divisão da carreira docente? Quem, aquando da introdução do "simplex", julgou ser possível acabar com este modelo de avaliação?

O MUP empenhou-se numa campanha difícil - criticada por muitos - contra o "PS de Sócrates". Os resultados eleitorais permitiram um novo desenho parlamentar e impossibilitaram o PS de prosseguir, no seu autismo e teimosia, as desastrosas políticas educativas, evitando que destruísse por completo a escola pública e, sobretudo, cilindrasse os professores.

CDS-PP, BE e PCP, honrarando os seus compromissos com os professores, apresentaram e defenderam propostas que visavam, de facto, pacificar definitivamente as escolas e criar um clima propício para que se possa encontrar um modelo de avaliação adequado e renegociar um estatuto de carreira docente digno. Os professores estão-lhes gratos e não esquecerão!

O PSD, certamente em virtude de ser um partido com "cheiro" de poder, não cumpriu totalmente os seus compromissos. Pior do que isso, ao querer transmitir a imagem pública de partido de soluções, acabou por não ser ainda a solução definitiva que se esperava. Pode ter querido conquistar muito eleitorado que se revê na política educativa introduzida pelo PS, mas perdeu, certamente, muitos professores que lhe deram o seu voto.

Queira-se ou não, o problema da avaliação não ficou definitivamente resolvido. Ao PSD deve-se, assim, a não suspensão imediata de um modelo assumidamente medíocre, injusto, burocrático e punitivo. Ao PSD deve-se o refrear de muita tensão, mas não o alcançar da tranquilidade e serenidade necessárias, no imediato, nas escolas portuguesas.

Em suma, saudamos os passos que hoje foram dados, que levam ao fim da divisão dos professores em duas categorias e que abrem a porta a um novo modelo de avaliação. Não ficámos tranquilos com a continuidade, mesmo que a prazo, de alguma incerteza que continua a afectar o dia-a-dia de muitos professores.

Congratulamo-nos com as posições do CDS-PP, do PCP e do BE. Sinceramente, não gostámos da mãozinha dada, pelo PSD, ao partido que criou o mais nefasto clima nas escolas portuguesas e que tem um nome: "PS de Sócrates"!

REACÇÃO DA FNE À VOTAÇÃO NA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA

Não se esqueçam de ouvir os professores. Tenham presente que os professores estão atentos e vigilantes!


A FNE congratula-se com o resultado da votação de hoje na Assembleia da República que determina como orientação o fim da divisão dos Professores Portugueses em duas categorias.

Elimina-se, assim, um dos factores que mais perturbação trouxe às Escolas Portuguesas nos últimos anos e que resultou da imposição do Ministério da Educação de Maria de Lurdes Rodrigues de um Estatuto de Carreira Docente que assentava naquela divisão e numa concepção meramente burocrática da profissão docente.

Com o fim da divisão dos Professores em duas categorias, ficam abertas condições favoráveis ao início da revisão do ECD, nomeadamente no que diz respeito à estrutura da Carreira Docente.

Para esta revisão da Carreira Docente, a FNE parte do princípio de que ela deve ser atractiva e mobilizadora e que deve valorizar a componente Científico Pedagógica da actividade profissional Docente.

A FNE parte assim para as próximas negociações com estes pressupostos e com a convicção de que a aposta num espírito negocial construtivo é fundamental para encontrar soluções equilibradas e justas.


A Comissão Permanente da FNE
Porto, 20 de Novembro de 2009

DUAS ENTREVISTAS

Rosário Lira entrevista a presidente do Conselho Nacional de Educação, Ana Maria Bettencourt: http://tv1.rtp.pt/


Maria Flor Pedroso entrevista Mário Nogueira: http://tv1.rtp.pt/antena1

PARTIDOS ACUSAM PSD DE DEIXAR CAIR COMPROMISSO

O Bloco de Esquerda, o PCP, "Os Verdes" e o CDS-PP acusaram, esta tarde, o PSD de deixar cair um compromisso eleitoral relativamente à suspensão da avaliação dos professores, acusação rejeitada pelos sociais-democratas que apontam o seu diploma como «a solução».

Na Assembleia da República, a bloquista Ana Drago começou por lembrar que o PSD já tinha apresentado na anterior legislatura um projecto de resolução tendo em vista a suspensão do regime em vigor e que essa medida também constava do programa eleitoral apresentado pelos sociais-democratas.

«O PSD tem neste debate a primeira oportunidade de cumprir um compromisso eleitoral que assumiu durante a campanha. Vai viabilizar os projectos de lei que pretendem suspender o modelo ou vai desde já trair os compromissos que assumiram com os professores», questionou Ana Drago.

A mesma pergunta foi feita pela deputada ecologista Heloísa Apolónia, «quando o PS já não pode estragar mais vem o PSD e estraga. O que é que se está a passar. Houve alguma conversa? O que é que se passou para a vossa proposta estar completamente alterada?».

O democrata cristão José Manuel Rodrigues não foi tão longe, mas não deixou de criticar o PSD, questionando o porquê de o partido ter deixado cair o termo suspensão.

Na resposta, o social-democrata Pedro Duarte começou por afirmar que é «elementar» que quando o partido propõe 30 dias para a definição de um novo modelo «não faz qualquer sentido que procedimentos administrativos que as escolas estejam a iniciar em relação ao segundo ciclo prossigam».

O parlamentar social-democrata reiterou depois que o diploma do partido pede a «substituição e revogação do actual modelo», acusando os restantes partidos de estarem «agarrados» à palavra "suspensão", garantido que o PSD está agarrado «à palavra solução», rematou.

In TSF.

PODIA TER FICADO RESOLVIDO, MAS NÃO FICOU

Caro/a Professor/a,

O retomar dos trabalhos parlamentares nesta nova legislatura foi feito em torno do debate sobre Educação e Carreira Docente.

Para que o trabalho político do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda na área da educação tenha a qualidade que nos é exigida, e para que esse trabalho seja também participado e avaliado por todos os envolvidos e interessados no debate sobre política educativa, retomamos por este meio o contacto e o diálogo com todos os professores e educadores que a nós se dirigiram na anterior legislatura.

A Assembleia da República votou hoje os projectos apresentados pelos diferentes partidos da oposição relativos ao fim da divisão da carreira e ao actual modelo de avaliação.

O resultado da votação será hoje divulgado pela comunicação social – os projectos apresentados pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, que previam quer o fim da divisão da carreira de professor, quer a suspensão do actual modelo de avaliação (o que implicaria a não penalização de qualquer professor ao abrigo deste modelo, ou a contagem das classificações para os efeitos de concurso ou progressão) foram chumbados.

Os restantes projectos que também previam a suspensão, designadamente do PCP e do CDS, foram também chumbados.

As intervenções do Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda no debate dessas propostas, de Francisco Louçã, Ana Drago, José Manuel Pureza e Cecília Honório podem ser visualizadas nas respectivas hiperligações.

Da votação de hoje resultou apenas a aprovação do projecto de resolução do PSD. Porque muita desinformação e confusão se tem instalado sobre o que significa esta iniciativa, e muitas dúvidas se criaram sobre as implicações desta votação, aproveitamos para fazer alguns esclarecimentos.

1 . A proposta pelo PSD não define a suspensão do actual modelo de avaliação. Defende sim a substituição no futuro por um outro modelo, mas sem o balizar (ou seja, não acautela a não introdução de quotas, ou dos resultados escolares dos alunos num futuro modelo), e sem acautelar os efeitos das classificações do actual modelo nos futuros concursos ou na progressão na carreira.

O que significa que o modelo de avaliação ainda está em vigor, e que só o Governo pode agora definir o que vai acontecer. Ou seja, o acordo do PS e do PSD vai no sentido de passar um “cheque em branco” ao Governo.

2. A proposta do PSD que foi hoje aprovada é uma recomendação ao Governo. Isto é, não tem carácter vinculativo. O Governo pode ou não cumprir essa recomendação.

Se tivessem sido aprovado projecto de lei do Bloco de Esquerda significaria que a suspensão da avaliação era uma lei da República – logo, imperativa e vinculativa.

3 . Deste debate fica, portanto, muito em aberto. Contudo, se algo aprendemos com este debate na AR foi que ele forçou o Governo a recuar e a mostrar disponibilidade negocial . O que significa que a pressão tem que ser mantida, para que essa negociação tenha resultados reais.

Nesse sentido, acompanharemos com atenção o processo negocial que agora decorre entre Ministério da Educação e os representantes sindicais, e tudo faremos para que este tenha resultados positivos que permitam colocar um ponto final neste lastimável processo.

Contamos, para tal, com a sua participação, crítica ou sugestão – para que possamos cumprir o nosso compromisso político: trabalhar para construir e reforçar uma escola pública democrática e de qualidade.

Com os melhores cumprimentos,

Ana Drago

Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda

AI, CEDEU, CEDEU!

Aguiar-Branco garante que PSD não cedeu na questão da avaliação dos professores

Aguiar-Branco demonstrou-se satisfeito com a aprovação, no Parlamento, do projecto do PSD que defende a substituição do modelo de avaliação dos professores, reafirmando que os sociais-democratas não mudaram de opinião mas fizeram antes uma alteração semântica.

O líder parlamentar do PSD, José Pedro Aguiar-Branco, garantiu, esta sexta-feira que a aprovação do projecto do PSD que defende a substituição do modelo de avaliação dos professores em vez da sua suspensão, não representa uma cedência por parte do PSD.

«Não cedemos em nada. Apresentámos um quadro que permite a substituição do actual modelo de avaliação. A discussão semântica e de retórica que se colocou no debate tem menos importância do que o resultado prático que se consegue com o nosso projecto de resolução», afirmou Aguiar-Branco.

Para o líder parlamentar do PSD, usar a palavra substituição em vez de suspensão trata-se apenas de uma «alteração semântica» que se fica a dever ao facto de o quadro actual ser diferente do de há 8 meses atrás.

Depois de muito se ter falado da possibilidade de criar uma coligação negativa contra o Governo, o PSD revelou-se o parceiro do executivo na procura de uma solução para o problema da avaliação dos professores.

O projecto de resolução do PSD aprovado prevê que, em 30 dias, se extinga a divisão da carreira docente entre as categorias hierarquizadas de «professor» e «professor titular», e se encontre um novo modelo de avaliação.

In TSF.



A repórter da TSF, Bárbara Baldaia, relata a reacção de Aguiar Branco face à aprovação da proposta do PSD para o modelo de avaliação dos professores: AQUI.

RECOMENDA-SE?

Projecto de resolução do PSD viabilizado com abstenção do PS

O projecto de resolução do PSD sobre avaliação de professores e estatuto da carreira docente foi, esta sexta-feira, viabilizado no Parlamento, com votos favoráveis da bancada social-democrata e abstenção do PS, enquanto os restantes diplomas da oposição foram chumbados.

O diploma do PSD, aprovado com abstenção de todas as outras bancadas, recomenda ao Governo o fim da divisão da carreira em duas categorias e a criação de um novo modelo de avaliação no prazo de 30 dias.

O projecto defende também que, no primeiro ciclo avaliativo, que está a terminar, não haja professores penalizados em termos de progressão da carreira devido a diferentes interpretações da lei.

Foram chumbados os sete projectos da restante oposição para suspender o actual modelo de avaliação e acabar com a divisão da carreira dos professores, com o voto contra do PS e a abstenção do PSD.

Os partidos da oposição no Parlamento aprovaram também, na generalidade, com a abstenção do PS, projectos de lei do BE, PSD e CDS-PP para acabar com as taxas cobradas em caso de internamento e de cirurgia.

O projecto de lei do PCP que pretendia ir mais longe, revogando todas «as taxas moderadoras que não dependem da vontade dos utentes» do Serviço Nacional de Saúde (SNS) obteve os votos favoráveis do BE e do PEV, mas foi chumbado com os votos contra do PS, PSD e CDS-PP.

In TSF.

NÃO SE ESTAVA À ESPERA DESTE POSSÍVEL CASAMENTO

Clicar na imagem para ampliar.

In Público (20-11-2009)

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

PROBLEMAS QUE OUTROS NÃO VÊEM... NA PRIMEIRA PESSOA!

O texto que aqui se encontrava foi retirado a pedido do/a autor/a. Depois de ter reflectido melhor, considerou que poderia ser penalizado/a no caso se ser identificado/a, embora a mensagem tenha sido publicada com preservação de identidade.

Fica o registo de uma perseguição movida pela prepotência de algumas direcções e das consequências psicológicas em professores indefesos. As sequelas psicológicas dificilmente serão sanáveis!

GRUPO DE PROFESSORES DE ODIVELAS ENVIA MENSAGEM AOS DEPUTADOS

Os Professores Não Esquecem

Durante quase dois anos a grande maioria dos professores portugueses defendeu de forma abnegada a causa da escola pública, bateu-se pela sua dignidade profissional, exigiu a revisão de um estatuto lesivo dos seus direitos e recusou participar num processo de avaliação incoerente e iníquo.
Durante os dois últimos anos mostrámos o nosso descontentamento de forma clara e inequívoca e, ao percebermos que o poder político ensurdecia a cada dia que passava, apesar de termos falado cada vez mais alto e em maior número, contribuímos decisivamente para a nova geometria política no parlamento.
Não esquecemos, não queremos esquecer, que de outros quadrantes políticos nos ouviram e entendendo justas as nossa reivindicações as tornaram suas e as verteram nos seus programas eleitorais.

Assim, porque achamos que nos representam e em vós delegámos, pelo voto, também a responsabilidade de honrar os compromissos, vimos recordar os aspectos inegociáveis das nossas reivindicações e que mereceram a vossa concordância:

• Uma carreira única, eliminando, por conseguinte, a divisão entre professor titular e não titular.

• Uma avaliação formativa, exequível, objectiva e simples e que os resultados desta apenas reflictam a justiça e não quaisquer quotas ou outros artifícios economicistas.

• A suspensão imediata do processo de avaliação de desempenho docente que ainda decorre em muitas escolas, porque não é aceitável que se perpetue a iniquidade, quando é possível pôr-lhe um termo.

• Avaliação de todos os professores, sem qualquer tipo de discriminação negativa daqueles que, por dela discordarem desde a primeira hora, não se submeteram ao processo de avaliação.

Cientes de que saberão honrar os vossos compromissos,

Atentamente,

Um grupo de professores da Escola Secundária de Odivelas,

DEBATE NO PARLAMENTO

Os colegas que quiserem acompanhar e participar, comentando, o debate no Parlamento sobre a suspensão do actual modelo de avaliação e o fim da divisão da carreira docente, poderão fazê-lo online no Parlamento Global.

MENSAGEM AOS GRUPOS PARLAMENTARES DA OPOSIÇÃO

O MUP enviou a todos os grupos parlamentares da oposição - em maioria na AR - uma mensagem (de conteúdo similar a este) apelando ao sentido de responsabilidade na discussão de hoje e votação de amanhã, na Assembleia da República, das propostas apresentadas pelos diversos partidos da oposição e que visam resolver o problema da avaliação dos professores e acabar com a divisão da carreira.

Para quem o desejar fazer, de forma individual, aqui ficam os endereços:

MENSAGEM DO MUP À BANCADA PARLAMENTAR DO PSD

Tendo em conta o actual contexto de apresentação e discussão, na Assembleia da República, de diversas propostas que visam suspender o actual modelo de avaliação e acabar com a divisão da carreira, foi enviado, por e-mail, para o vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, deputado Pedro Duarte a seguinte mensagem:

Exmo. Senhor Deputado Pedro Duarte,

Aproveito a oportunidade para agradecer o anterior esclarecimento que se dignou enviar-nos, bem como a celeridade e deferência na resposta ao e-mail.

Hoje e amanhã são dias muito importantes para o presente e o futuro da Educação em Portugal. A apresentação e discussão das propostas dos diversos partidos da oposição, incluindo a do PSD, relativamente à suspensão do modelo de avaliação e ao fim da divisão da carreira dos professores, são uma oportunidade única para, em definitivo, resolver duas das questões fundamentais que têm ensombrado o ensino em Portugal e, assim, pacificar a escola pública, estancar os prejuízos e as injustiças cometidas no seio da classe docente e (re)motivar os professores na sua nobre e fundamental função, pilar essencial de uma democracia e de um país: ensinar.

Na qualidade de professor e coordenador do MUP, tal como é desejo de milhares de professores, venho renovar a V. Exa., bem como à bancada parlamentar de que é vice-presidente, o meu apelo ao sentido de responsabilidade, na hora da votação das diversas propostas, por forma a que o maior partido da oposição cumpra os compromissos assumidos e não defrauda as justas expectativas dos professores. Os docentes portugueses, já tão massacrados, não perdoariam ao PSD o não cumprimento das promessas pré-eleitorais - que condicionaram o seu sentido de voto - e que se encontram nas ligações que, embora do conhecimento de V. Exa., aqui recordo: http://www.politicadeverdade.com/?idc=700&idi=4708; http://www.politicadeverdade.com/archive/doc/Publico_-_Sindicatos_dos_professores_simpatizam_com_programa_do_PSD.pdf; http://www.politicadeverdade.com/?idc=904&idi=1996; http://www.politicadeverdade.com/?idc=904&idi=2426.

Pessoalmente confiante no sentido de responsabilidade e grandeza do PSD, aceite, uma vez mais, os meus sinceros e cordiais cumprimentos.

Ilídio Trindade
(Coordenador do MUP)

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

SÓ PARA LIMPAR A FACE?

Ministério garante que 1º ciclo da avaliação será concluído de acordo com lei em vigor

O Governo informou, esta quarta-feira, as escolas de que os professores que não entregaram objectivos serão avaliados até 31 de Dezembro desde que tenham apresentado fichas de auto-avaliação, reiterando que o 1º ciclo avaliativo será concluído segundo a lei em vigor.


«Todos docentes serão avaliados no âmbito do 1.º ciclo de avaliação desde que se tenham apresentado à avaliação na primeira fase desse processo», lê-se numa nota enviada esta tarde pelo Ministério da Educação às escolas.

«Assim, a apresentação do avaliado à primeira fase do processo de avaliação concretiza-se através da entrega da ficha de auto-avaliação, que é legalmente obrigatória, ainda que não tenham apresentado previamente, no prazo previsto, a respectiva proposta de objectivos individuais(...)», prossegue o mesmo texto.

A nota esclarece que quem não entregou os objectivos é avaliado tendo como referência 'os objectivos e metas fixados no projecto educativo e no plano anual de actividades» da escola. Nos restantes casos, a referência é o cumprimento dos objectivos individuais.

«O 1.º ciclo de avaliação do desempenho docente prossegue e conclui-se, nos termos da lei, até 31 de Dezembro de 2009», segundo o mesmo texto e como já tinha sublinhado a ministra da Educação.

O Ministério da Educação reuniu, esta quarta-feira, com os sindicatos do sector para lhes propor um calendário para as negociações da revisão do Estatuto da Carreira Docente e do modelo de avaliação.

«A calendarização e a metodologia da negociação ficaram acertadas e, neste contexto, as negociações terão início na próxima quarta-feira, 25 de Novembro», indica o mesmo comunicado.

«Em relação às alterações a introduzir no Estatuto e na Carreira Docente, recorda-se que o processo de revisão está em curso. Neste contexto, as direcções das escolas deverão aguardar a conclusão deste processo e as orientações que o Ministério da Educação enviará sobre a configuração futura da avaliação do desempenho», acrescenta o Ministério da Educação.

In TSF.

SE NÃO PAROU, VAI MORRER DENTRO DE HORAS

Bloco desafia PS a admitir que actual modelo de avaliação "parou"

A deputada do Bloco de Esquerda (BE), Ana Drago, desafiou esta tarde o PS a trabalhar para estabelecer uma nova lei que diga que o actual modelo de avalição «parou». Ana Drago sublinhou ainda que os professores que foram ou não avaliados, no anterior ciclo de avaliação, não devem ser penalizados.


A deputada do Bloco de Esquerda (BE) afirmou, esta tarde, que se o PS «quiser ser coerente com as tomadas de posição do Ministério da Educação», anunciadas esta tarde depois das negociações com os sindicatos, deve ser chamado à discussão que vamos ter [esta quinta-feira]».

Neste sentido, acrescentou Ana Drago, o PS deve trabalhar para que se estabeleça na Assembleia da República «uma nova legislação que diga que este modelo parou e todos os professores que foram ou não avaliados, no anterior ciclo de avaliação, não serão penalizados».

Esta quinta-feira na Assembleia da República vão ser discutidos pelo menos oito diplomas (cinco projectos de resolução e três projectos-lei) sobre a avaliação e o estatuto da carreira docente, quatro dos quais insistem na suspensão dos modelos em vigor.

O BE vai levar a plenário um projecto-lei para suspender o actual modelo de avaliação em vigor, que obriga o Governo a constituir, num prazo de 30 dias, uma unidade de missão para elaborar novas regras.

In TSF.

CDS-PP INSISTE NA SUSPENSÃO

CDS-PP insiste na suspensão do modelo de avaliação dos professores

O líder parlamentar do CDS-PP desafiou, esta quarta-feira, o Governo a aceitar a suspensão legal da avaliação dos professores, uma vez que já garantiu que dará indicações às escolas para não iniciarem os procedimentos do segundo ciclo avaliativo.

«Se o que o Governo está a fazer é dar indicações para não aplicar os procedimentos do segundo ciclo avaliativo, o que está a dar é uma indicação que não cumpre a legalidade. Porque é que não admite suspender?», argumentou Pedro Mota Soares, em declarações aos jornalistas, no Parlamento.

Mota Soares questionou ainda o PSD face a declarações públicas do deputado do social-democrata Pedro Duarte a defender a suspensão do segundo ciclo avaliativo, apesar de o projecto de resolução social-democrata não pedir a suspensão da avaliação.

O projecto de resolução do CDS-PP prevê a suspensão da avaliação dos professores e a criação de uma comissão jurídica para decidir o que fazer aos efeitos das avaliações já feitas.

In TSF.

ELEMENTOS... QUE ELEMENTOS? OBECTIVOS E RELATÓRIO DE AUTO-AVALIAÇÃO?

Professores que não entregaram elementos de avaliação não serão penalizados, diz Fenprof

Os professores que não entregaram os elementos de avaliação não serão penalizados, declarou esta quarta-feira o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

«Foi-nos dito que a ministra da Educação iria actuar para que não houvesse penalizações aos professores em relação ao primeiro ciclo (de avaliação)», relatou Mário Nogueira, após uma reunião com o secretário de Estado adjunto e da Educação, Alexandre Ventura.

O Governo retomou hoje o diálogo com as estruturas sindicais, tendo apresentado o calendário negocial relativo ao Estatuto da Carreira Docente e ao modelo de avaliação.

A próxima reunião está agendada para 25 de Novembro, altura em que será discutida a estrutura da carreira dos professores, devendo as negociações terminar no dia 30 de Dezembro.

«No entanto, se não houver acordo, poder-se-á pedir a negociação suplementar», acrescentou o dirigente da FENPROF.

Questionado sobre se a abertura manifestada pelo Ministério da Educação configura uma suspensão do processo em vigor, Mário Nogueira respondeu: «Suspensão é parar uma coisa que está em curso. O que aqui foi assumido é que essa coisa vai parar.»

In TSF.

VAMOS VER COMO DECORRE A PARTE DA SOLUÇÃO

Aguiar Branco assume que PSD quer fazer parte da solução para os problemas dos professores

O líder parlamentar do PSD desafiou, esta quarta-feira, o PS a aprovar o projecto social-democrata entregue no Parlamento sobre a avaliação dos professores. Aguiar-Branco insistiu na ideia de que o partido tem a melhor proposta para resolver o problema e para «mudar aquilo que aconteceu de mal na anterior legislatura».

À saída de um encontro com João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), o líder parlamentar do PSD, Aguiar Branco, sublinhou que os social-democratas querem «ser parte da solução e não do problema» no que repeita à avaliação dos professores.

«O PS tem uma boa oportunidade -- e constitui um desafio -- de vir ao encontro da nossa proposta, ser parte da solução para este problema e mudar aquilo que aconteceu de mal na anterior legislatura», referiu Aguiar Branco.

O líder parlamentar do PSD referiu que o projecto social-democrata «garante o fim da divisão da carreira entre titular e não titular, garante um novo método de avaliação e garante também a não penalização dos professores que não foram avaliados durante o primeiro ciclo na progressão da carreira».

Assumindo que o projecto de resolução do PSD vai ser aprovado nas votações de sexta-feira, Aguiar Branco prometeu que os sociais-democratas vão estar atentes ao «bom cumprimento» do diploma pelo Governo.

In TSF.

Declarações do líder parlamentar do PSD, Aguiar Branco, que desafia o PS a aprovar o projecto social-democrata para a avaliação dos professores e peça de Ângela Braga sobre proposta do PSD para a avaliação dos professores: aqui.

QUAIS NOVAS REGRAS?

Governo vai informar escolas sobre novas regras da avaliação

A Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) revelou, esta terça-feira, a intenção do Governo de informar as escolas sobre a cessação dos procedimentos a seguir relativamente à avaliação dos professores, pois vão ser impostas novas regras.


«O Ministério da Educação comprometeu-se hoje a muito rapidamente fazer chegar às escolas instruções no sentido de que os procedimentos que constavam do modelo de avaliação anterior» não se repitam no novo ciclo lectivo, disse o secretário-geral da FNE, no final de uma reunião com os secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Ventura.

João Dias da Silva frisou que vai haver uma substituição das regras, algo que deixa a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação satisfeita.

«Este é um elemento significativo para permitir que os professores deixem de estar a perder tempo com instrumentos relacionados com a avaliação de desempenho», acrescentou.

O Governo reúne-se, esta quarta-feira, com as várias organizações sindicais do sector da Educação para apresentar o calendário negocial relativo à avaliação do desempenho dos professores e ao estatuto da carreira docente. Até ao final de Dezembro, as reuniões irão repetir-se semanalmente.

In TSF.

O REFORÇO DA SUSPENSÃO

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In Público (18-11-2009)

CUSTOS

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In Público (18-11-2009)

USO DA INTERNET E A MANIFESTAÇÃO DOS ALUNOS DO SUPERIOR

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In Público (18-11-2009)

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

ECOS DA AUDIÇÃO PÚBLICA DO GRUPO PARLAMENTAR DO PCP

Numa iniciativa do Grupo Parlamentar do PCP, decorreu hoje, pelas 15 horas, no Auditório do Edifício Novo da Assembleia da República, a Audição Pública sobre os princípios para a alteração do Estatuto da Carreira Docente e do regime de avaliação de professores.

O PCP encarou com grande dignidade e espírito construtivo esta iniciativa, quer pela presença e participação do seu secretário-geral, Jerónimo de Sousa, e vários deputados do seu Grupo Parlamentar, quer pela diversidade nos convites à participação de personalidades ligadas à educação.

Assim, intervieram nesta audição os principais representantes das várias estruturas sindicais, das associações, dos movimentos independentes de professores e de outros professores, que não só manifestaram o agradecimento pela iniciativa como reconheceram a postura de coerência e de coragem do PCP relativamente às posições públicas que tem assumido e, sobretudo, ao projecto-lei que vão apresentar na próxima quinta-feira e que pretende suspender, em definitivo, o actual modelo de avaliação, evitando, assim, que mais estragos sejam provocados na escola pública e que mais injustiças sejam cometidas na carreira dos professores.

Embora a audição tenha sido focalizada na ADD e no ECD, todas as intervenções foram consensuais relativamente à necessidade da imediata suspensão do actual modelo de avaliação e ao fim da divisão da carreira, bem como aos principais problemas que afectam e ensombram a escola pública e os professores, designadamente, o modelo de gestão, os horários dos professores, o estatuto dos alunos, a prova de ingresso, os concursos e os professores contratados, as quotas…

Muitas das intervenções foram particularmente incisivas relativamente à necessidade de uma decisão política que garanta que nenhum dos professores que, em virtude do contexto particular de uma luta consequente, não tenha feita a entrega dos objectivos individuais ou mesmo da ficha de auto-avaliação, seja prejudicado.

Em suma, o Grupo Parlamentar do PCP demonstrou uma vez mais que honra os seus compromissos e que está fortemente interessado em que seja resolvido, definitivamente, o problema da avaliação dos professores.

ECD - PROJECTO DE RESOLUÇÃO DO CDS-PP

Partido Popular CDS-PP
Grupo Parlamentar


PROJECTO DE RESOLUÇÃO Nº ____ /XI

Sobre a alteração do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário

I. A estrutura actual da carreira dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário, tem colocado inúmeros problemas de aplicação, face às contradições que o sistema em vigor encerra, nomeadamente, no âmbito da grande desigualdade de progressão dos docentes ao logo do seu percurso profissional;

II. A carreira dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário deverá ser o mais transparente possível, dando a todos os professores as mesmas oportunidades de construírem a sua carreira, valorizando as suas competências e capacidades, quer no exercício das suas funções docentes, quer no exercício de funções de coordenação, de gestão intermédia ou de supervisão;

III. Não tem sido essa a situação que tem decorrido da aplicação do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, com as consequências conhecidas ao nível da estabilidade do sistema educativo e das escolas;

IV. É, exactamente por isso, que importa alterar os aspectos que constituem obstáculos na construção de uma carreira docente que dignifique e que constitua um pilar fundamental no percurso profissional dos professores;

V. Estamos certos que é necessário consolidar uma carreira que permita o desenvolvimento pessoal e profissional de todos os professores, clarificando percursos diferenciados e voluntários em função das responsabilidades acrescidas que, em momentos precisos da carreira docente, os professores assumem, acedendo, por candidatura nas escolas, ao exercício de cargos de coordenação, administração escolar, orientação educativa, organizaçao e desenvolvimento curricular ou supervisão pedagógica;

VI. Consideramos que, em conjunto com a definição de uma avaliação docente coerente, clara e rigorosa, a melhoria do Estatuto da Carreira dos Educadores de Infância e dos Professores dos Ensinos Básico e Secundário, propiciará ao sistema de ensino e às escolas uma maior qualidade e, por consequência, uma melhoria das aprendizagens e do sucesso dos alunos.

Assim, e tendo em conta a especial importância para a dignificação da função docente, para as Escolas do ensino público e para o futuro da Educação em Portugal, a Assembleia da República recomenda ao Governo que:

1. Estabeleça uma estrutura de carreira dos educadores de infância e dos professores dos ensinos básico e secundário, que se desenvolva em nove escalões, à qual, para além da função docente, se possam associar funções de coordenação pedagógica escolar, como direcção de turma, coordenação de directores de turma, coordenação de projectos, ou outras coordenações previstas no Regulamento Interno de Escola;

2. Considere na progressão da carreira docente, uma bonificação do tempo de serviço para efeitos de progressão, em função da aquisição de formação especializada quer na área científica de leccionação, quer na área de Ciências da Educação em domínios relacionados com o desempenho de funções no Sistema Educativo;

3. Considere, decorrido o tempo de permanência estipulado para o 7º escalão, a possibilidade do docente se candidatar, a lugares abertos por concurso em cada escola, ao prosseguimento da sua carreira, associando à sua função docente, o exercício de funções de administração escolar, orientação educativa, organizaçao e desenvolvimento curricular ou supervisão pedagógica;

4. Estabeleça para o acesso à candidatura a esse prosseguimento da carreira, a obrigatoriedade do candidato, para além da apresentação do seu currículo profissional, ser detentor de formação especializada nos dominios da administração escolar, orientação educativa, organizaçao e desenvolvimento curricular, supervisão pedagógica ou formação de formadores;

5. Estabeleça a possibilidade dos docentes que se encontrem no 8º e 9º escalão da carreira docente, poderem candidatar-se ao percurso profissional estabelecido para funções docentes e de administração escolar, orientação educativa, organizaçao e desenvolvimento curricular ou supervisão pedagógica, sempre que se abram candidaturas em cada escola, sendo que, no caso de se integrarem no referido percurso, o tempo de permanência no escalão terá correspondência no tempo estabelecido para o respectivo nível;

6. Estabeleça, como medida transitória, para os docentes integrados na actual categoria de professor titular uma integração no percurso definido em três níveis, sem prejuízo de, gradualmente, obterem os requisitos estabelecidos para o acesso a esse percurso, a saber: formação especializada nos dominios da administração escolar, orientação educativa, organizaçao e desenvolvimento curricular, supervisão pedagógica ou formação de formadores;

7. Estabeleça para os docentes identificados no número anterior, um período de dois anos para que cada um dos docentes possa obter a formação solicitada, sendo que, no caso de incumprimento desse requisito, o docente seja integrado no escalão correspondente ao nível em que se encontrava, sem perda do índice remuneratório;

8. Estabeleça na situação anterior e para os docentes que se encontrem no nível III a correspondência, para esse efeito, ao 9º escalão;

9. Estabeleça ainda, como medida transitória, para os docentes integrados na actual categoria de professor, mas a vencer pelos níveis 240 e 299 da anterior carreira, a sua integração no percurso definido em três níveis, sem prejuízo de, gradualmente, obterem os requisitos estabelecidos para o acesso a esse percurso, a saber: formação especializada nos dominios da administração escolar, orientação educativa, organizaçao e desenvolvimento curricular, supervisão pedagógica ou formação de formadores;

10. Considere a estrutura da carreira docente como se segue, face ao estabelecido nos números anteriores:

ADD - PROJECTO DE RESOLUÇÃO DO CDS-PP

Partido Popular - CDS-PP
Grupo Parlamentar


PROJECTO DE RESOLUÇÃO Nº ____/XI

Sobre a suspensão da avaliação do desempenho do pessoal docente e consequente alteração dos mecanismos de avaliação
I – O sistema de avaliação dos professores que, em concreto, o Ministério da Educação entendeu aplicar tem sido motivo de instabilidade nas escolas. De facto, o modelo nunca foi suficientemente acordado com os parceiros sociais do sector educativo, demonstrou fragilidades e erros na sua aplicação, e tem sido alvo de alterações repetidas. Este modelo tem dificultado a aplicação de um bom princípio. É por tudo isto que o sistema de avaliação dos professores, deve ser alterado, devendo o Governo negociar com os representantes dos docentes uma solução inovadora e que traduza a pacificação das escolas. É precisamente esse quadro de negociações que a Assembleia da República deve balizar.

II – Para levar a cabo uma mudança nas escolas, deve procurar-se o consenso dos agentes educativos que, no dia a dia, irão aplicar os novos dispositivos legais. É um erro não repetível tentar criar uma imagem negativa da classe docente, e imputar aos professores a responsabilidade pelos deficientes resultados educativos do país. O processo de avaliação não deve ser pensado contra uma classe, nem pode prejudicar o essencial do trabalho docente. Deve ser pensado para favorecer a escola, isto é, os alunos, os pais e os professores.

III - A aposta deve ser encontrar uma solução construtiva, pela positiva, que ultrapasse o actual conflito. É por essa razão que o processo negocial já iniciado pelo Governo deve alcançar esse modelo inovador e consensual, que ofereça estabilidade, eficácia e equidade à avaliação de professores. Uma base inspiradora para esse modelo encontra-se no processo de avaliação em vigor no ensino particular e cooperativo, que foi objecto de acordo com as forças sindicais, devendo fazer-se, naturalmente, as necessárias adaptações para as escolas que são propriedade do Estado.

IV – Acresce que um dos principais problemas que tem de ser resolvido tem origem na forma como se estruturou a carreira docente. O novo Estatuto da Carreira Docente, entre outros problemas, criou uma injusta divisão entre Professor e Professor Titular, obedecendo a critérios muito discutíveis. Rectificar uma divisão que é artificial e está na origem de conflitos desnecessários faz parte da solução a encontrar.

V – Defender uma cultura de avaliação é apanágio de sempre do CDS-PP. Sempre defendemos, aliás como política global, a avaliação de políticas educativas, de currículos, de programas, de manuais, de escolas, de professores e de alunos. Mas há uma diferença substancial entre defender uma boa avaliação e defender um modelo que revelou conter uma exagerada carga burocrática, assentar numa componente ”organizacional” mais relevante do que a componente científica e pedagógica, percebido como factor de sobreposição do trabalho docente. O carácter aleatório de vários aspectos cruciais do modelo, e a natureza não hierárquica da função de avaliação, geraram equívocos e disparidades que a realidade se encarregou de demonstrar.

VI - Por essa razão, faz sentido que para os professores se defenda um modelo de Avaliação de Desempenho Docente (ADD) que promova a motivação o desenvolvimento profissional dos docentes no quadro de um sistema de rigor que reconheça o mérito e a excelência, suportado por um plano nacional de formação de professores.

VII - O inicio do processo de avaliação dos professores deve coincidir com o inicio do ano lectivo, de modo que os docentes sejam avaliados por todo um percurso lectivo e não apenas pelo ciclo final. Mas é para nós um princípio elementar que a avaliação não se sobreponha ao trabalho docente, de modo que o seu ponto culminante, a entrega de um relatório elaborado pelo professor, deve acontecer após o final do trabalho lectivo; e o consequente processo de decisão, deve acontecer até ao inicio do ano lectivo seguinte.

VIII - A avaliação dos docentes não pode transformar a vida dos professores num processo permanente de reuniões e burocracia. Por essa razão, deve ser simples e basear-se num documento único de auto-avaliação, a construir durante o ano lectivo, tendo como suporte, um portfolio, não pondo em causa a principal função dos professores - preparar aulas, transmitir conhecimentos, acompanhar alunos, avaliar o respectivo esforço e mérito. Em muitos pontos do país, onde para mais a distância entre a escola e a residência do professor é considerável, a soma entre o trabalho docente e o tempo alocado a uma avaliação burocrática, extravazou claramente o horário laboral e reduziu expressamente o tempo disponível dos professores para a sua vida familiar.

IX - A avaliação deve incidir, sobretudo, na componente científico-pedagógica que constitui o núcleo essencial da actividade docente, e deve estar centralizada no Conselho Pedagógico. São dois aspectos profundamente inovadores, face ao modelo ainda em vigor. Por um lado, visamos substituir um modelo de avaliação essencialmente “organizacional” e até tarefista, por outra cuja matriz dirija ao essencial da vocação docente: a componente científica e pedagógica. Por outro lado, visamos substituir um modelo em que as competências subjectivas do avaliador da componente científico-pedagógica, sempre foram fonte de polémica, por outro em que a função avaliadora parte do reconhecimento de uma função objectiva que é desempenhada pelo Conselho Pedagógico. Deverá ser o Conselho Pedagógico das escolas a receber, avaliar e decidir sobre o relatório referido nos pontos VII e VIII.

X – Em contrapartida, na procura de uma avaliação que garante a equidade, o modelo a encontrar deverá contar um sistema simples e objectivo de recursos e arbitragem, para prevenir casos de disparidade relevante entre o Director, responsável pela classificação final, e o professor que é avaliado.

XI - Entre as determinações do novo modelo de avaliação de professores terá de estar um regime de isenções objectivo que, por exemplo, dispense da mesma os professores que, num determinado ciclo avaliativo, estejam próximos da apresentação. De igual modo, é preciso determinar um período plurianual de avaliação e a concretização de um sistema de classificação e os seus efeitos.

XII - A avaliação de professores deverá ser clara, simples, e justa. Para esse efeito, em circunstância alguma, a avaliação dos alunos poderá ser um dos factores que, de forma directa ou induzida, releve para a avaliação do docente. O professor não deve ser colocado num dilema de avaliação, sabendo que vai ser avaliado também de acordo com as classificações que dá aos seus alunos, ou por objectivos que seja convidado a estabelecer em matéria de “sucesso escolar”.

XIII – Assim, na sequência das eleições legislativas e da nova composição da Assembleia da República, bem como de todo o histórico de tomadas de posição sobre esta matéria, não pode este órgão de soberania passar ao lado da questão da avaliação e da divisão de carreira. A sua obrigação é a de, pela positiva, tentar fornecer uma solução–quadro, que balize, mas não substitua a negociação obrigatória entre o Governo e os representantes do sector.

XIV – Por isso mesmo, deve o Parlamento definir os princípios que vão servir de orientação para o Governo, nas negociações que vai realizar com os sindicatos, tendo como objectivo encontrar um novo regime de avaliação de desempenho do pessoal docente.

XV – Ao escolher, para apresentar a solução-quadro do novo modelo, a forma de Projecto de Resolução, o CDS-PP tem em conta a celeridade e a boa fé. Celeridade porque, tendo o Governo anunciado o início de negociações, o contributo decisivo da Assembleia da República deve ser dado a tempo e para efeitos utilíssimos dessa negociação. Ora, o Projecto de Resolução é a forma mais expedita para o conseguir. Por outro lado, a boa fé. Temos em consideração a nova composição da Assembleia da República, queremos que o Parlamento ajude a construir uma solução, fornecendo os seus princípios não renunciáveis e respeitando o quadro negocial próprio que a lei prevê entre o executivo e os representantes sindicais. Compete ao Governo, se este projecto for aprovado, cumpri-lo. Constituiria um incompreensível precedente, para mais inexplicável politicamente, num tema tão sensível, se o não fizesse, visto que o Parlamento representa a vontade soberana do povo português.

Assim, e tendo em conta a sua especial importância para o futuro da Educação em Portugal, a Assembleia da República recomenda ao Governo:

1. Suspender o processo de avaliação até à publicação de um novo regime de avaliação de desempenho docente.
2. Recomendar que nas negociações entre o Governo e os Sindicatos representativos do sector, seja acordado, um novo regime de avaliação do pessoal docente, no decorrer do 1º Período, do presente ano lectivo.
3. Determinar que essas negociações sejam estabelecidas dentro dos limites definidos no número seguinte.
4. A solução quadro não poderá deixar de considerar:
a) A promoção do desenvolvimento profissional dos docentes num quadro de rigor que reconheça o mérito e o a excelência na componente científico-pedagógica;
b) Uma avaliação simplificada, nomeadamente baseada num documento único de auto-avaliação;
c) Um período de avaliação que não prejudique o decurso normal do ano lectivo, a terminar no fim ano lectivo com a consequente emissão do seu resultado antes do início do ano lectivo subsequente;
d) A avaliação dos docentes hierarquizada centrada no Conselho Pedagógico;
e) Um período de avaliação plurianual;
f) O estabelecimento de um quadro de isenção da avaliação, para certas situações concretas;
g) Um sistema de arbitragem expedito para os recursos;
h) A proibição do critério da classificação dos alunos como um dos elementos da avaliação da classe docente.

5. Determinar que em sede de negociação seja estabelecido o final da divisão da carreira docente em Professores e Professores Titulares.
6. Estabelecer a preparação de todos os actos necessários para início célere de um processo de formação para os avaliadores e os avaliados.


Palácio de São Bento, 3 de Novembro de 2008


Os Deputados do CDS

MODELO PARA O CASO DE FALHANÇO

BE apresenta modelo se negociações falharem

O Bloco de Esquerda (BE) já tem a sua proposta de modelo de avaliação. Mas vai aguardar que as negociações com os sindicatos produzam resultados para ponderar apresentá-la ao plenário. Na quinta-feira, serão discutidas na Assembleia da República as propostas, que defendem a suspensão do modelo, do Bloco, Verdes e PCP. No dia seguinte irão a votação.

Ao DN, Ana Drago, do BE explicou que "não faz sentido apresentar uma proposta de modelo avaliativo à revelia das negociações que estão em curso". A deputada bloquista acrescenta ainda "que se o Ministério da Educação voltar a impor um modelo sem pés nem cabeça, apresentaremos o nosso". De qualquer forma, o BE insiste na suspensão do actual modelo, em vigor por mais dois anos.

O grupo parlamentar do PS não se compromete com nenhuma intenção de voto mas já tem afirmado não estar disponível para viabilizar a suspensão da avaliação. Manuela de Melo subscreve as palavras de Isabel Alçada de que a definição destas matérias compete ao Governo. Ao DN, a deputada socialista considerou, contudo, que a alteração da proposta do PSD - que falava em suspensão do modelo e agora apenas refere a substituição do que está em vigor - " já reflecte um pouco aquilo que foi acordado entre os sindicatos e o Ministério da Educação".

Diário de Notícias.

DO GRUPO PARLAMENTAR DO CDS-PP



O CDS-PP defende o princípio da avaliação dos professores e entende que é necessário defender o seu prestígio social. Criticámos de forma frontal uma política persecutória, que quis pôr em causa a autoridade e o brio profissional dos professores. Sempre defendemos que as escolas precisam de paz e os professores de ver a sua autoridade defendida. Quem convive todos os dias com os alunos não são os políticos do Ministério da Educação, são os professores. A avaliação dos docentes deve ter por base o mérito e a qualidade, e ser centrada nas vertentes científica e pedagógica. Não pode ser burocrática nem interferir com a avaliação dos alunos. Terá de ser feita sem prejudicar o ano escolar, reclama uma base hierárquica, não se confunde com “avaliações” sem competências específicas e precisa de um sistema de arbitragem. Lançámos como ponto de partida o modelo que actualmente é aplicado no ensino particular e cooperativo, subscrito por consenso e que se tem revelado eficaz. Se modelos alternativos tivessem sido estudados a tempo, esta questão estaria já resolvida e não faria parte dos programas eleitorais.O CDS não aceita a manutenção de erros evidentes. O que pretendemos é o prémio para quem manifeste bons desempenhos, e a ligação entre a avaliação e a necessária formação contínua para o bom desempenho das funções docentes. Para se posicionar como solução ao problema criado pelo anterior Governo, o CDS-PP entregou na Assembleia da República os Projectos que temos o grato prazer de lhe enviar.

Doc. sobre ADD - aqui.

Doc. sobre ECD - aqui.



MOÇÕES DO PLENÁRIO DE CONTRATADOS E DESEMPREGADOS

Moções aprovadas no Plenário de Contratados e Desempregados do SPGL

Colegas: tão breve quanto possível colocaremos aqui um relato do plenário (com fotos), moções aprovadas, membros eleitos para a Comissão de Professores Contratados e Coordenação da Frente de Professores Desempregados. Para já, podemos adiantar que o plenário, que contou com a presença de dezenas de colegas precários, foi um êxito e com todas as metas cumpridas integralmente - particularmente a definição de um plano de acção reivindicativo específico e calendarizado já para o curto prazo, pois a nossa luta não pode parar!

Paulo Ambrósio
Sub-Coordenador da Frente de Professores Desempregados do SPGL (reeleito por unanimidade)

Todas as 3 moções foram aprovadas por unanimidade:

1- Moção A, proposta pela Frente de Trabalho e Direcção do SPGL:




2- Moção B, proposta por Carlos Vasconcellos e Paulo Ambrósio:

3- Moção C, proposta por Paulo Ambrósio:

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

PORQUE QUER DAR TEMPO AO DIÁLOGO...

BE retira projecto de lei novo modelo avaliação professores

O Bloco de Esquerda deixou cair o projecto de lei que estabelecia um modelo integrado de avaliação das escolas e dos professores, por considerar inoportuna a sua votação quando sindicatos e Governo estão em negociações.

"Não nos parecia que este fosse o momento da Assembleia da República fazer uma votação sobre um modelo que neste momento está a ser negociado pelos sindicatos", disse à Agência Lusa a deputada Ana Drago.

Segundo a bloquista, o partido entendeu que deve ser dado "tempo de debate e diálogo" ao Governo e aos sindicatos, que na semana passado iniciaram contactos, mas espera que o projecto do Bloco possa servir de "contributo" para as "negociações".

A Assembleia da República discute na quinta-feira um conjunto de diplomas sobre a avaliação de desempenho dos professores, entre os quais se mantém um projecto de lei do Bloco de Esquerda que determina a suspensão do actual modelo e a criação de uma unidade de missão responsável por criar, em 30 dias, um novo modelo.

Quanto ao diploma retirado da discussão e votação de quinta-feira, previa a avaliação dos docentes no momento em que transitam de escalão, mas também do estabelecimento de ensino.

Segundo a proposta, a avaliação deveria ser feita por uma comissão interna, não existindo quotas na atribuição das classificações.

In Diário Digital.


ESCLARECIMENTO SOBRE O PROJECTO DE RESOLUÇÃO DO PSD

Na sequência de e-mail que enviámos ao deputado do PSD, Pedro Duarte, relativamente ao Projecto de Resolução nº ___/XI, obtivemos a resposta que aqui se publica.


Exmo. Sr. Deputado Pedro Duarte,

Na sequência de notícias vindas a público relativamente ao Projecto de Resolução do PSD nº ___/XI, que Recomenda que, no âmbito do processo negocial em curso e no prazo de trinta dias, seja revogada a divisão da carreira docente nas categorias hierarquizadas de “Professor” e “Professor titular” e seja concretizado um novo regime de avaliação do desempenho dos docentes, bem como as leituras e as declarações provindas de diversos quadrantes, temos recebido dos professores inúmeras manifestações de apreensão, muitas delas acompanhadas de pedidos de acção no sentido de solicitar a V. Exa. a clarificação do assunto.

Compreendendo o natural receio dos professores, pelas razões de que, neste momento, já terá certamente conhecimento, publicitámos o texto do referido Projecto de Resolução, do qual fizemos uma análise ponderada.

Nesse sentido e tendo em conta que, de facto, dele pode ser realizada uma leitura que aponta para uma solução a muito longo prazo relativamente à vigência do actual modelo de avaliação, consideramos que seria fundamental que o PSD clarificasse os aspectos que incidem nas questões formais e de tempo, ou seja "como" e "quando" a suspensão ou fim do actual modelo tem efectivamente efeito.

Com os meus melhores cumprimentos.

Ilídio Trindade
(Coordenador do MUP)

_____________________________

Caro Professor Ilídio Trindade

Agradeço o contacto e a oportunidade para esclarecer a posição do PSD que alguns têm tentado distorcer.

O Projecto do PSD refere expressamente o prazo de 30 dias, após a sua aprovação para a extinção da divisão da carreira em 2 categorias (entre professores titulares e não titulares) e para a consagração de um novo modelo de avaliação (também em 30 dias).

Nesse sentido, parece-nos óbvio que todos os procedimentos relativos ao 2º ciclo avaliativo deverão ser imediatamente suspensos. É uma questão de bom senso que, certamente - no caso do Projecto do PSD ser aprovado -, os Directores e o próprio ME compreenderão.

De resto, no ponto 3 do nosso Projecto, prevê-se a criação de um enquadramento transitório que garanta que professores que não participaram no 1º ciclo avaliativo que agora termina (por exemplo, por não terem entregue os objectivos individuais), não sejam penalizados na sua carreira.

Assim, nomeadamente com a possibilidade - já assumida pela Ministra - de todos poderem entregar as fichas de auto-avaliação, só não progredirá quem não quiser.

O Projecto não refere explicitamente a "suspensão" do actual modelo de avaliação. Na verdade, este Projecto vai mais longe, prevendo que - no prazo de trinta dias - haja uma substituição (logo, uma revogação e não uma mera suspensão) do actual modelo.

Se se confirmar a ideia expressa pelo PM ontem de que apoiará o projecto do PSD, tal significará uma grande evolução do PS que deveremos saudar. E significará, principalmente, o fim da divisão na carreira e a morte do modelo de avaliação que ainda vigora (recordo que, por enquanto, o PS nunca disse que era contra a divisão na carreira e apenas falou em aperfeiçoamentos no modelo, nunca falou num novo modelo...).

Será assim uma grande vitória da luta que os professores travaram nos últimos 2 anos. E a esse respeito, penso que todos devemos estar gratos àqueles que (como o meu amigo) lideraram, empenhada e entusiasticamente, essa luta.

Se o Projecto do PSD for aprovado, estão criadas todas as condições para que a paz volte às nossas escolas e, assim, nos concentremos na qualidade do ensino e nas aprendizagens dos nossos alunos.

Para qualquer esclarecimento adicional, não hesite em contactar-me.

Pedro Duarte
Deputado do PSD


AVALIAR O ME

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In Público (16-11-2009)

UMA MENSAGEM PARA OS NOSSOS GOVERNANTES

MINISTRA RECEBEU CNIPE

Exmo (a). Senhor(a)

Presidente da Associação/Federação de Pais,

Depois de vários pedidos para uma reunião que nunca obtiveram resposta por parte da anterior titular, a CNIPE foi recebida pela nova Ministra da Educação, facto que constitui um marco significativo no processo de consolidação do projecto que a Confederação consubstancia dentro do Movimento Associativo de Pais: uma alternativa séria, credível e responsável.

Junto enviamos em anexo um comunicado com alguns dos principais pontos da reunião que se realizou entre a Ministra Isabel Alçada e a delegação da CNIPE chefiada pela Presidente Maria José Viseu e que integrou ainda o Vice-Presidente Joaquim Ribeiro, a Secretária da Direcção Cristina Sousa e o Vogal Rui Martins.

Aproveitamos a oportunidade para sugerir que consultem o site da Confederação em www.cnipe.org onde tem acesso a informação actualizada e de interesse.

Com os melhores cumprimentos.

A Direcção da CNIPE


JÁ PASSOU UM ANO!

Problemas de edição no blogger a que somos alheios (e algumas reclamações) não permitiram inserir, no mesmo dia, o post que pretendia recordar a todos que, há um ano atrás, os professores voltaram a fazer história numa luta que tem sido difícil.

A batalha ainda não está ganha. Por isso, é preciso recobrar o ânimo. Como sempre, unidos, com a nossa força e a nossa razão, conseguiremos que a justiça e a tranquilidade regressem às escolas e à vida dos professores. A bem da escola pública. A bem do País!

Para que conste...

15 DE NOVEMBRO: UMA DATA HISTÓRICA!

domingo, 15 de Novembro de 2009

PROJECTO DE RESOLUÇÃO DO PSD

Este é o projecto de resolução do PSD, sobre o qual já foram tecidos vários comentários e intervenções públicas.

Com ele, regressou alguma "intranquilidade". De facto, não se refere a "suspensão" e em parte nenhuma do texto aparece o vocábulo "suspender".

Aqui fica, à consideração dos professores.



Projecto de Resolução nº ___/XI

Recomenda que, no âmbito do processo negocial em curso e no prazo de trinta dias, seja revogada a divisão da carreira docente nas categorias hierarquizadas de “Professor” e “Professor titular” e seja concretizado um novo regime de avaliação do desempenho dos docentes

O XVII Governo Constitucional introduziu, através do Decreto-Lei n.º 15/2007, de 19 de Janeiro, profundas alterações ao Estatuto da Carreira Docente que careceram de um entendimento alargado entre os parceiros sociais. Esse facto contribuiu para que, desde o início da sua aplicação, tivesse merecido a contestação de uma ampla maioria daqueles que eram os seus destinatários.

Por sua vez, a regulamentação do referido Estatuto da Carreira Docente foi igualmente acompanhada de episódios de tensão e conflituosidade entre os diferentes intervenientes, designadamente, no que respeita ao modelo de avaliação do desempenho docente.

Sucede que, entre as alterações introduzidas ao Estatuto, a carreira docente foi dividida, passando a desenvolver-se pelas categorias hierarquizadas de “professor” e “professor titular”.

A experiência de concretização desta cisão na carreira permite evidenciar a sua artificialidade, não sendo reconhecida, pelos docentes, a razão para a distinção em causa. Acresce que a ponderação limitada aos últimos sete anos de carreira, para efeitos do primeiro concurso de acesso à nova categoria, originou legítimos sentimentos de injustiça na comunidade docente ainda hoje significativamente perceptíveis.

De igual modo, o actual Estatuto não leva em conta a especificidade da carreira docente, não pondera a singularidade do trabalho nas escolas, não promove o mérito e não incentiva a desejável melhoria de desempenhos. Pelo contrário, tem sido causa de injustiça, angústia e desmotivação para muitos professores.

Para tal contexto, também o modelo de avaliação de desempenho dos docentes e a imposição administrativa de percentagens máximas para a atribuição das classificações de “Muito Bom” e de “Excelente” por escola (quotas) têm contribuído decisivamente.

Ora, um processo de avaliação deve ser exigente e distinguir a excelência. E deve ser um instrumento indutor de melhorias do desempenho.

A divisão na carreira e as referidas quotas não contribuem para este desiderato.

A acção do Governo deve concentrar-se na melhoria das condições de ensino e de aprendizagem, não abdicando, em momento algum, de uma rigorosa avaliação a todo o sistema educativo: escolas, alunos, professores, programas, curricula, manuais, materiais didácticos, etc.

Em consequência, a progressão na carreira docente e os correspondentes escalões remuneratórios deverão ser acompanhados de um sistema de avaliação do desempenho que seja justo, exequível e que premeie a dedicação e o mérito individuais.

Nenhum destes princípios é posto em causa se a carreira docente não se encontrar hierarquizada nas categorias de “professor” e “professor titular”.

E esses princípios serão mesmo valorizados se não se impuser um sistema de quotas que, administrativamente, possam olvidar a efectiva avaliação do docente, gerando graves distorções e injustiças.

Não compete à Assembleia da Republica interferir nas negociações que decorrem entre o Ministério e as estruturas representativas dos professores.


Contudo, é da responsabilidade do Parlamento expressar posições políticas e contribuir construtivamente para a melhoria da qualidade do ensino nas escolas do nosso País.

A Educação é a melhor e mais duradoura solução para ultrapassarmos os momentos difíceis que o País atravessa.

Só prestigiando a função do professor na sala de aula e na sociedade e, assim, devolvendo às escolas a imprescindível serenidade para o sucesso do ensino e das aprendizagens, estará criada uma conjuntura favorável para a superação dos desafios que se nos colocam. Só com alunos empenhados e professores motivados, o País caminhará para o salto qualitativo no ensino de que tanto carece.

É tempo de fazer regressar a paz à comunidade educativa.


Assim, nos termos da alínea b) do artigo 156.º da Constituição da República Portuguesa e da alínea b) do n.º 1 do artigo 4.º do Regimento, na esteira de um entendimento alargado com os parceiros sociais, a Assembleia da República resolve recomendar ao Governo que, no prazo de trinta dias:

1. Elabore as normas do Estatuto da Carreira Docente e legislação complementar, designadamente, extinguindo a divisão da carreira docente entre as categorias hierarquizadas de “Professor” e “Professor titular”;

2. Estabeleça um novo modelo de avaliação do desempenho docente que seja justo, exequível, que premeie o mérito e a excelência e que contenha uma componente de avaliação orientada para o desenvolvimento profissional e melhoria do desempenho dos docentes, e que contribua para o aprofundamento da autonomia das escolas;

3. Crie as condições para que do 1º ciclo de avaliação não resultem penalizações aos professores, designadamente para efeitos de progressão na carreira, derivadas de interpretações contraditórias da sua aplicação.


Assembleia da República, 13 de Novembro de 2009.


Os Deputados,

NEGA-SE TANTA COISA QUE...

O primeiro-ministro, José Sócrates, disse ontem ver "com bons olhos" o facto de o PSD "abdicar da tentativa de suspender" o actual modelo de avaliação dos professores, mas negou que exista um acordo com os sociais-democratas sobre esta matéria.

O primeiro-ministro comentava o projecto de resolução do PSD entregue esta semana na Assembleia da República, no qual o termo "suspensão" da avaliação desaparece dando lugar à "substituição" do actual modelo, sendo também exigido o fim da divisão da carreira entre professores e titulares no prazo de 30 dias.

José Sócrates desmentiu, no entanto, a existência de um acordo prévio entre PS e PSD tendo em vista a aprovação da proposta destes últimos. Uma notícia avançada ontem pelo diário i.

De referir que, já há algumas semanas, o deputado social-democrata Pedro Duarte referira ao DN que o partido daria prioridade a uma solução que passasse pela via negocial entre Ministério e Sindicatos.

joão Dias da Silva, da Federação Nacional de Educação (FNE), disse ontem à agência Lusa desconhecer também acordos políticos nesta matéria, defendendo também que as soluções futuras "devem resultar de negociação entre as organizações sindicais e o Governo".

In Diário de Notícias.

FORA DE(O) TEMPO

Avaliação
Ficha de auto-avaliação permitirá ser classificado

Isabel Alçada insiste na aplicação da lei, mas deixa aberta a porta a solução que inclua quem não entregou objectivos individuais. Mesmo quem não preencheu ficha de auto-avaliação pode, em teoria, fazê-lo ainda até ao final do ano.

O Ministério da Educação deverá viabilizar uma solução, para a avaliação de desempenho dos últimos dois anos, que permita às escolas classificarem todos os docentes que tenham entregue, pelo menos, as fichas de auto-avaliação.

É esta, soube o DN, a interpretação que pode ser dada às declarações deste sábado de Isabel Alçada, quando afirmou que "os professores que entregaram elementos para a avaliação serão todos avaliados".

Oficialmente, a ministra nunca se antecipará no anúncio de que os professores que não entregaram objectivos individuais poderão ser classificados e progredir na carreira. Até porque essa é uma questão que fará parte das negociações agora iniciadas com os sindicatos de professores.

Mas ao aceitar integrar na avaliação todos os que "entregaram elementos", Isabel Alçada já está a deixar uma porta aberta aos professores que recusaram definir objectivos, mas não fizeram o mesmo em relação à auto-avaliação.
Maximizar números

Em termos práticos, esta solução tem inúmeras vantagens em relação a uma posição de intransigência em torno dos objectivos.

Para começar, evita-se um novo problema: o que fazer aos largos milhares de professores, entre os cerca de 60 mil já avaliados, que as escolas classificaram mesmo sem terem entregue esse documento. Recorde-se que muitas direcções escolares entenderam que os próprios projectos curriculares poderiam servir essa finalidade.

Por outro lado, seria dada resposta parcial à exigência dos sindicatos de que os professores não sejam prejudicados na sequência do ciclo avaliativo que termina em Dezembro. Uma condição essencial - a par do fim da divisão entre professores e titulares -para o sucesso das negociações em torno dos novos estatutos da carreira (ECD) e modelo de avaliação.

De referir que, vários pareceres jurídicos defendem que o único acto obrigatório para os professores é a auto- avaliação, prevista no Estatuto da Carreira Docente de 2007. Os objectivos só foram introduzidos no modelo de avaliação, entretanto reduzido à figura de regime transitório. Ou seja: o Governo não deixará de cumprir a promessa de "aplicar a lei" se optar por se cingir ao ECD.

Além disso, com as "simplificações" de que foi alvo, a avaliação pelas escolas está actualmente reduzida a aspectos - como a assiduidade, participação em projectos da escola e contactos com a comunidade - que podem ser enquadrados sem necessidade de objectivos individuais.

Segunda oportunidade?

É certo que, embora em número muito inferior, há ainda situações de professores que nem sequer entregaram a ficha de auto-avaliação. Ou por opção própria ou porque as escolas não lhes permitiram fazê-lo, invocando...a falta de objectivos. Mas também em relação a estes parecem haver alguns sinais de flexibilidade.

Nas suas declarações, a ministra tem frequentemente frisado que o processo se mantém até Dezembro. Ou seja: não existe, à partida, nada que impeça as escolas de convidarem quem ainda não entregou a auto-avaliação a fazê-lo agora.De resto, ao que apurou o DN, só na última semana, alguns milhares de professores terão cumprido essa etapa.

In Diário de Notícias.

TOMADA DE POSIÇÃO DA SECUNDÁRIA DE LOUSADA

Clicar na imagem para ampliar.


sábado, 14 de Novembro de 2009

VAMOS SOLICITAR AO PSD A CLARIFICAÇÃO DA SUA POSIÇÃO

Colegas,

Tendo em conta notícias recentes, sugerimos que copiem o texto em baixo, o personalizem e o enviem, por e-mail, para o deputado Pedro Duarte (pduarte@psd.parlamento.pt).

Temos de voltar a mexer-nos. Não podemos "morrer na praia", ouvindo ao longe o "canto do cisne"! *



Exmo Sr. Deputado Pedro Duarte,

Sou professor(a) e, como tal, ouvi atentamente, durante a campanha eleitoral, as propostas do PSD para a Educação, nomeadamente as que apontavam, de forma determinada, para a suspensão do actual modelo de avaliação e o fim da divisão da carreira docente. Essas propostas condicionaram o voto de muitos professores que se reviram nas posições assumidas pelo partido a que pertence.

Fico surpreendido(a), se é que algo ainda me surpreende neste País, pelas notícias hoje vindas a público e que dão conta de um possível recuo do PSD nestas questões.

Assim, urge esclarecer os eleitores, nomeadamente os Professores, sobre qual é efectivamente a vossa posição. A oposição tem maioria, mas...

Com os melhores cumprimentos,

Nome



* Sugestão da Marlene Cura

ANDAM TODOS A BRINCAR?

É isso mesmo! Reparem quais serão de imediato as consequências para os professores se o PSD alinhar com o PS no caso da avaliação dos professores. É preciso levantar a nossa voz e repudiar vivamente a táctica do Bloco Central. Afinal, que é feito da POLÍTICA DE VERDADE ?


Quem não entregou elementos de avaliação não será avaliado - Ministra da Educação

Lisboa, 14 Nov (Lusa) -- A ministra da Educação, Isabel Alçada, afirmou hoje que os professores que não entregaram os elementos de avaliação não serão avaliados, acrescentando que "não se trata de uma questão de penalização", mas de cumprir a lei.

Durante uma visita a uma escola secundária recuperada, nos Olivais, em Lisboa, a comunicação social perguntou à ministra da Educação se aceita a proposta de não penalização dos professores que não aderiram ao modelo de avaliação em vigor.

"Os professores que entregaram elementos para a avaliação serão todos avaliados. É essa a nossa perspectiva e é essa a indicação que clarificaremos com as escolas, com os sindicatos, com as organizações representativas", afirmou Isabel Alçada aos jornalistas.

Fonte: Google.

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