sexta-feira, 20 de junho de 2008

E ASSIM SE COMBATE O INSUCESSO

Algumas questões podiam ser resolvidas por alunos do 2º ciclo
Professores de Matemática consideram prova do 9.º ano a mais fácil de sempre

20.06.2008 - 18h07 Lusa

A Associação de Professores de Matemática (APM) considerou hoje que o exame nacional de 9.º ano da disciplina foi o "mais fácil" desde que a prova se realiza, sublinhando que algumas questões poderiam ser respondidas por alunos do 2º ciclo. Também a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) criticou o reduzido grau de dificuldade do exame, sublinhando que "a nivelação por baixo" poderá ter custos futuros "muito graves".

"Na generalidade, a prova é mais acessível e mais fácil do que nos anos anteriores. Algumas questões poderiam ser resolvidas por alunos do 2º ciclo", defendeu Sónia Figueirinhas, vice-presidente da APM.

Perto de 100 mil alunos realizaram hoje o exame nacional de Matemática, que se realiza desde 2005. O ano passado, 72,8 por cento dos estudantes tiveram nota negativa, quando em 2006 a percentagem de chumbos no teste situava-se nos 63 por cento.

"Em algumas questões ficou aquém das competências e conhecimentos que os alunos no final do 9.º ano deveriam ter. Se em exames anteriores as questões eram mais elaboradas e difíceis, não há razão para que este ano também não fossem", acrescentou.

Sublinhando que o exame "não tem erros" e que os 90 minutos, mais 30 de tolerância, estão adequados para a realização da prova, a responsável salientou que em relação à geometria, por exemplo, o exame aponta "mais para nomes do que para competências".

"Há questões que outros ciclos de ensino saberiam resolver de certeza, mas a prova é sobre os conteúdos leccionados no 7.º, 8.º e 9.º ano", lamentou.

Assim, a Associação de Professores de Matemática espera que haja "uma grande melhoria" nos resultados em relação a 2007, mas sublinha que as provas "não são comparáveis".

Já na quarta-feira, a APM lamentou que o exame nacional de 9.º ano da disciplina, realizado nesse dia, incluísse matéria do 2º ciclo (5.º e 6.º ano), considerando que esta opção pode ser "excessivamente fácil para os alunos".

SPM diz que prova foi das mais elementares dos últimos anos

À semelhança da APM, também a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) considerou que o exame nacional do 9.º ano da disciplina foi um dos mais fáceis. "No seu conjunto, o nível desta prova é certamente dos mais elementares - se não o mais elementar - produzidos nos últimos anos nas provas nacionais de Matemática. Se é verdade que muitos alunos e alguns pais podem ficar satisfeitos com o facto, e se é verdade que seja positivo que os jovens vejam as questões matemáticas como alcançáveis, os custos futuros podem ser muito graves", defende a sociedade em comunicado.

Sublinhando que a prova não tem "erros científicos nem formulações duvidosas", a SPM critica, porém, que aos alunos do final do terceiro ciclo deveria "exigir-se" outro tipo de dificuldade, exemplificando com a questão 1, "que se resolve contando pelos dedos", a 3, que "pode ser facilmente resolvida por alunos do 1º ciclo", ou a 6, que "envolve percentagens tão simples que qualquer aluno do 2º ciclo deveria ser capaz de resolver".

"Os conhecimentos testados não estão ao nível do que se deveria esperar de um aluno no final do Ensino Básico. Não são avaliados importantes tópicos que devem ser dominados no 9º ano, como sistemas de equações, proporcionalidade inversa, polígonos e áreas de polígonos", entre outros.

Segundo a sociedade, não há em geral nenhum problema em introduzir num teste problemas de matérias de anos anteriores. No entanto, acrescenta, isso não deve ser feito sistematicamente e quando feito deve recorrer-se a conceitos, técnicas e algoritmos correspondentes ao nível mais avançado. "Alguns jovens vão terminar aqui os seus estudos. Outros vão prossegui-los no ensino secundário. Nem uns nem outros podem concluir estar bem preparados para os anos que os esperam pelo facto de conseguirem resolver satisfatoriamente este enunciado", acrescenta.

In Público

3 comentários:

Anónimo disse...

Acabei de dar uma vista de olhos na prova. Fiquei (mais) que espantada. Trabalho com alguns alunos com deficiência mental de grau moderado. E asseguro-vos. Vou pedir a colegas, para não existir influencia minha e existirem testemunhas, para no próximo ano lectivo, aplicarem este exame a estes meus alunos (currículos alternativos, alínea i) do ex- Dec. Lei nºa 319/91). Garanto-vos, que com quase nenhuma ajuda, estes meus alunos são capazes de responder correctamente a alguns exercícios da prova!!!!
Vou gravar e tudo. Em cassete vídeo.
Teresa

Anónimo disse...

Conheço alunos com negativa no ano inteiro e que vai tirar nível 4 no exame quase de certeza.Aquilo é uma prova de caracacá. Até uma pessoa com a antiga 4ª classe fazia muitos daqueles problemas.

Anónimo disse...

É verdade o que o anónimo anterior diise. Tenho uma prima com nível dois durante todo o ano. Na 1ª prova do gave tirou 53%, na 2ª 55% e agora vai tirar 77% no exame. Será que sabe muito ou o que é que se passa?

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