quarta-feira, 11 de junho de 2008

ENGENHARIA SOCIAL

Um especialista em consultadoria em Recursos Humanos intervém numa organização sempre a pedido de alguém. As primeiras perguntas são óbvias: Quem faz o pedido e de que pedido se trata? No caso que nos interessa, do sector do Ensino Básico e Secundário, o pedido de intervenção é "político", uma vez que não existe nenhum Diagnóstico que fundamente qualquer tipo de intervenção para mudança organizacional, no Sistema Nacional de Ensino, seja a nível macro ou micro. A título de exemplo. Poderia um diagnóstico apontar que, em face da prestação do serviço "Ensinar/Educar Alunos", que se operacionaliza em x tarefas e x … dos professores e de que deve resultar x resultados devidamente operacionalizados por parte dos alunos, se demonstrava com alguma segurança que os problemas radicavam, por exemplo, nos cursos de formação contínua ministrados aos professores ou na organização dos serviços das direcções regionais, nos gabinetes técnico-pedagógicos (staff) ou nas orientações programáticas centrais, na forma ou mesmo no conteúdo e que requeriam intervenções do tipo Y ou Z.

Como não existe qualquer Diagnóstico do Sistema Educativo, nem de parte dele, das suas disfuncionalidades, então porque será que todos os políticos e afins falam em reformas do SNE, e que estão a fazer x reformas necessárias e a necessidade de reestruturar a carreira docente (?)Não está demonstrado que o SNE é ou não eficiente e eficaz quanto ao próprio serviço que presta - Educação - uma vez que nem sequer são minimamente claras e tipificadas as tarefas dos operacionais da organização - os professores - nem os seus resultados - nos alunos. O que se pretende? Que um jovem de 13 anos com capacidades intelectuais dentro da média do seu grupo etário resolva um conjunto de problemas de matemática? Que seja sistematicamente egoísta na relação com os outros? Ou?… Ou????????

Eventualmente um Diagnóstico levantaria, em primeira linha, a situação absurda dos responsáveis políticos terem discursos em simultâneo com mensagens contraditórias. Veja-se o discurso de todos os alunos terem boas notas disciplinares e de a escola ter de ser inclusiva e diminuirem drasticamente e dramaticamente todos os recursos humanos afectos. Um Diagnóstico não interessa, pois, aos políticos. Então de que se trata quando ouvimos o matraquear de discursos "reformas essenciais" "reformas necessárias" e toda a retante panóplia de frases ocas de sentido real?
Trata-se de constatações individuais, alicerçadas em cartas ou mapas mentais individuais, fruto de experiências pessoais vividas pelo próprio ou mediadas por outros (filhos, primos, amigos que relatam episódios dos filhos na escola com a professora, etc). E de motivações mais ou menos inconfessáveis. Se fosse possível uma psicoterapia, nem que fosse breve, descobrir-se-iam talvez as (de facto) verdadeiras razões que estão por detrás de muitos destes discursos. Quer dizer, resultam de senso comum (bem diferente de bom senso) e das motivações que se escondem nos níveis básicos da psique (creio que estou a ser clara).

Se não está demonstrada a falta de eficácia (espero que esteja a utilizar a terminologia técnica correctamente!) do SNE então a opção é política, ideológica. No sentido de opção. "Vamos desinvestir dali e colocar acolá". Concretizando: a Educação é o sector a sacrificar em benefício de… porque… e… A Educação das crianças e jovens deste país é o sector que vai ser sacrificado para que outros (indivíduos e grupos) beneficiem. Como? Através do ataque aos vencimentos dos professores. Invente-se um "estudo para reestruturar a carreira docente".
Como é impossível tal discurso político forja-se a GRANDE MENTIRA.
A mentira baseia-se em avalanches diárias de números, estatísticas, de relatórios, de tudo um pouco, que se apresentem como um Diagnóstico, de facto, e na falta de cultura cívica e política portuguesa que associa perigosamente determinação a prepotência, sapiência a números sem qualquer correspondência real, etc. Comunicação social controlada.

Neste ponto chegados, o "método da engenharia social" é aplicado.

São várias as tácticas que são utilizadas, mas há sempre um processo gradual de despersonalização gradual dos indivíduos através da inclusão de tarefas que não fazem parte do descritivo funcional (as aulas de substituição são um exemplo mas o rol a introduzir ou já introduzidas são imensas) - atinge a auto-imagem e auto-conceito do indivíduo que tem consequências no desempenho profissional e na vida pessoal; a introdução artificial de conflitos entre os indivíduos e os grupos, como forma de desgaste emocional e para que a coesão de grupo não interfira e atrapalhe os verdadeiros objectivos (os titulares são um exemplo); o hiper-controlo em que são escolhidos na estrutura os indivíduos que, através de forte manipulação psicológica por peritos - exs de mensagens mais ou menos explícitas, são os melhores, têm uma missão especial, são especiais, únicos (os presidentes dos C. Executivos foram os "escolhidos" na estrutura para não serem professores mas chefes). Ana Henriques, nos comentários de educar.wordpress.com, Junho 11, 2008 at 2:01 am

3 comentários:

Safira disse...

Até que enfim alguém explicou o que era a engenharia social, realmente, sendo assim, a Ministra está a aplicá-la direitinho. Que mais virá por aí??

Obrigada pela explicação.:))

Anónimo disse...

A leitura da carta que Raul Iturra dirigiu publicamente á sua ex-discente, Maria de Lurdes Rodrigues, confirma-o.

Alguém a pode colocar aqui em comentário!?

Obrigado.

ILÍDIO TRINDADE disse...

A carta de Raul Iturra foi publicada neste blog. Encontra-se aqui:
http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com
/2008/04/evoluo.html

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