terça-feira, 16 de setembro de 2008

O DRAMA DOS NÃO COLOCADOS

Futuro incerto
Professores do Oeste sem colocação ficam a aguardar

Milhares de professores ficaram sem colocação para o ano lectivo de 2008/2009. Alguns ainda mantêm a esperança de serem recrutados em novas listas, situação com a qual já se habituaram a viver.

O OESTE ONLINE recolheu o testemunho de duas docentes da região, que ainda desconhecem o seu futuro.

“Este ano concorri e mais uma vez acabei por não ser colocada. Chegamos ao final do Verão e todos os anos é sempre uma angústia”, lamenta Margarida Faria, de 43 anos, professora com profissionalização há seis anos, residente nas Caldas da Rainha.

“O meu processo está em análise na Segurança Social e estou à espera de receber o subsídio de desemprego”, revela a professora de português do terceiro ciclo e secundário, que adianta continuar a aguardar a colocação mas “com poucas expectativas”.

A carreira docente tem sido árdua. “No ano passado fui colocada no segundo ciclo no final do mês de Novembro, em Lisboa. Estive em Marvila no primeiro período, no segundo em Chelas e em Abril consegui completamento de horário e fiz Chelas e Seixal. Como moro nas Caldas da Rainha ia e vinha todos os dias, o que provocava grandes transtornos na vida familiar com os meus dois filhos”, descreve.

Para além disso, refere, “tenho sempre horários reduzidos e horários de substituição temporária”.

“Acabei por fazer um sacrifício para acabar a licenciatura e fazer a profissionalização, e nestes seis anos tenho estado numa situação de precariedade”, desabafa, concluindo ser uma situação “bastante frustrante”.

“Perdi a vontade de casar, porque com esta profissão em regime de contratação não dá”, afirma Rita Groba, 32 anos, professora há sete anos, que agora não foi colocada.

“Quando fiz uma aposta no ensino estava a pensar numa carreira segura mas estamos a perder benefícios. Uma pessoa não consegue fazer planos. As relações começam a ficar muito instáveis, porque são muitas deslocações e muito tempo que perdemos e chegamos a casa completamente desorientadas. Traz muita instabilidade emocional”, admite.

A professora de educação tecnológica esteve no ano passado em sete escolas diferentes no concelho de Peniche, com “horários reduzidos, que depois fui completando, com ensino recorrente e outros tempos”. “No tempo em que trabalhamos temos de amealhar para o tempo em que estamos desempregados”, avança. Trabalhos artesanais e organização de eventos são outras ocupações onde procura obter o sustento para o dia a dia.

Rita Groba ainda espera vir a ser colocada, mas “é um tiro no escuro, porque nunca sabemos e é uma angústia”.

“Devia ter desistido antes dos 30 anos, porque depois começa a haver mais dificuldades em entrar no mercado”, declara. “Como não sou profissionalizada, este é o último ano que tenho para conseguir o tempo de serviço e se não for colocada tenho mesmo de sair, não tenho hipótese”, faz notar.

Se quiser ouvir esta notícia clique aqui.

1 comentário:

RS disse...

A triste verdade. E andam todos ai de peito cheio na opinião pública a dizer de boca cheia que nós não fazemos nada e que andamos a viver bem.

Eu tenho um lema: Lá por um professor conduzir um Mercedes não quer dizer que todos conduzam um.

Pena que estas histórias já não interessam ouvir e debater né?

Desde 01-01-2009


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