quinta-feira, 25 de setembro de 2008

O PROBLEMA MAIS IMPORTANTE

Perguntaram-me há dias: “Neste início do ano lectivo, quais são os três problemas mais importantes da educação?” E respondi: “Problemas de quem? É que os problemas de uns são as soluções de outros e vice-versa…”

Escolhamos um tema “quente” do ano passado: a avaliação do desempenho dos professores…

Para o Governo e o Ministério da Educação, o problema principal consiste em saber que volta dar ao imbróglio resultante da catadupa desgovernada de regulamentos e fichas, prazos impossíveis e acções de formação “à la minuta” com que inundou as escolas, colocando em risco a própria credibilidade e exequibilidade da avaliação. Com tantos tiros nos pés, a avaliação dos professores corre o risco de não ter pés para andar… De modo que agora o problema mais importante é o de saber como navegar à vista, em ano de eleições, cedendo aqui, resistindo ali, retocando acolá, procurando salvar uma imagem de voluntarismo e de eficiência, para que, se não puder ser de facto, pelo menos “pareça” que a partir de agora a avaliação dos professores vai ser “a sério”

Para os sindicatos dos professores e para muitos docentes, o problema mais importante consiste em saber que volta se há-de dar à aplicação do novo regime de avaliação de modo a que ele fique o mais parecido possível com o regime anterior, ou seja, de modo a que a avaliação continue a ser “a fingir”. No campo sindical, do que se trata então é de saber encontrar os meios mais eficazes para explorar as fragilidades da política ministerial burocratizante e re-centralizadora, aproveitando a hipersensibilidade política do período pré-eleitoral para impor limites e recuos à legislação em vigor, de modo que a mudança tenha sobretudo um carácter cosmético: “É preciso mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma”. No terreno das escolas, do que se trata é de garantir a sobrevivência da burocracia, assegurar que a “papelada” da avaliação seja despachada sem conflitos, preservando o “bom ambiente” corporativo do “somos todos colegas”, de modo a que se possa mostrar que se cumpriram as normas e os prazos que era suposto serem cumpridos, que se preencheram as fichas que deviam ser preenchidas, e que se produziram os regulamentos, guiões, relatórios e dossiers para serem devidamente arquivados e oportunamente exibidos nas avaliações externas e auditorias inspectivas.

Para os professores que se assumem verdadeiramente como profissionais da educação e não como meros empregados públicos, (e quero crer que serão a maioria), e que por isso sabem como é importante para os professores a existência de um sistema de avaliação endógeno, credível, transparente, baseado nos saberes profissionais dos pares e integrado em dispositivos claros de supervisão e orientação, o problema mais importante consiste em saber o que fazer para salvar do naufrágio a avaliação do desempenho, no meio da guerra sem quartel que ameaça dominar o ano lectivo. Do que se trata é de saber como evitar que, a pretexto dos desvarios hiper-regulamentadores e da perversão do milagre da “multiplicação das fichas”, se queira deitar pela borda fora a própria avaliação do desempenho, o que, se vier a acontecer, constituirá um fracasso estrondoso da promoção da profissionalidade docente. O problema principal é o de saber o que fazer quando, por um lado, uns querem deitar fora o bebé juntamente com a água do banho, enquanto que, por outro lado, outros estão a afogar a bebé julgando que lhes estão a dar banho…

Natércio Afonso

(Recebido por e-mail)

1 comentário:

Anónimo disse...

O melhor mesmo é anular tudo, a começar pelos concursos a titular...mais uma vez, vamos embarcar.Estamos a caminhar para o pior e não sou bruxo...

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