Esta semana evite a companhia de professores. Falar com qualquer um deles pode deixá-lo em mau estado. Vivem, nos dias que correm, em depressão colectiva. A sucessão de reformas, contra-reformas e contra-contra-reformas, a destruição do que se foi fazendo de bom - do ensino especial ao ensino artístico -, a incompetência desta equipa ministerial e o linchamento público de uma classe inteira tem os resultados à vista: as aulas recomeçam com professores tão motivados como um vegetariano perante um bife na pedra.
Sabem que os espera apenas uma novidade: a avaliação do seu desempenho. E é, ao que parece, tudo o que interessa a toda a gente: a avaliação dos professores, a avaliação dos alunos, a avaliação das escolas, a avaliação do sistema educativo português.
Tenho uma coisa um pouco fora do comum para dizer sobre o assunto: a escola serve para ensinar e aprender. Se isto falha, os exames, as avaliações e os "rankings" são irrelevantes. Talvez não fosse má ideia, enquanto se avaliam os professores, dar-lhes tempo para eles fazerem aquilo para que lhes pagamos em vez de os soterrar em burocracia. Enquanto se exigem mais e mais exames, garantir que os miúdos aprendem com algum gosto qualquer coisa entre cada um deles.
Enquanto se fazem "rankings", conseguir que a escola seja um lugar de onde não se quer fugir. E enquanto se culpam os professores pelo atraso cultural do país, perder um segundo a ouvir o que eles têm para dizer. Agora que já os deixámos agarrados ao Xanax, acham que é possível gastar algumas energias a dar-lhes razões para gostarem do que fazem? Se não for por melhor razão, só para desanuviar o ambiente nos edifícios onde os nossos filhos passam uma boa parte do dia.










2 comentários:
Olá
Sou professora há 34 anos, não se preocupe com o Xanax, eu não preciso dele...
Sou forte. Mas o que eu gostava era que nos deixassem em paz, e que em vez de "mil reuniões", nos deixassem dar as aulas como sempre demos. Será que a Ministra da Educação e o Primeiro Ministro de Portugal, alguma vez pensaram que estão a colocar em pé de igualdade pessoas com 22 anos e outras que já têm quase sessenta??? Será que nas suas cabecinhas com tanto cabelo, alguma vez lhes passou pela ideia de que realmente, não é a mesma coisa ter 30, 40, 50, ter 60 anos é DIFERENTE... Pensem na saúde que essas pessoas terão a menos, ou até poderão não ter...
Na minha escola morreu um professor com uma doença gravíssima, mais concretamente um cancro no esófago, sem nunca a junta médica lhe ter dado a tranquilidade que ele merecia... Teria sido HUMANO darem-lhe a reforma antes da segunda cirurgia, que o conduziu à morte. Cinco dias antes de ser internado ele dizia-nos: Não sei como vai ser ...A junta médica vai ter de ir aos "Capuchos" ver se estou apto para o serviço. Depois disto, e de outras palhaçadas como "O Inglês no primeiro ciclo", o caus do "Ensino Especial", etc. O que nos apetece é fugir daqui...A educação em Portugal tem mesmo os dias contados. Não aconselho nenhum jovem a enveredar por esta via.
Tenho 42 anos e dou aulas há 19 anos. Sempre gostei (e muito) daquilo que faço, até que esta ministra surgiu com as suas ideias iluminadas. A obrigação de um qualquer ministro deve ser, em primeiro lugar, defender aqueles que tutela. A Sra. Ministra da Educação ignorou este "mandamento" e enterrou os professores em trabalho burocrátrico e virou a sociedade contra os professores. Já não bastava os previlégios que nos tiraram, ainda vêm complicar-nos a nossa actividade! Quem estiver de fora a ver, fica com a impressão que esta ministra facilita a vida aos alunos e dificulta a dos professores. Quanto a mim, apenas lamento que o poder político me tenha roubado o prazer que eu tinha em desempenhar a minha profissão. Só tenho pena de não ter menos 15 anos, pois assim podia enveredar por uma outra carreira. De certeza que me ia sentir muito mais valorizado.
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