segunda-feira, 27 de outubro de 2008

CARTA ABERTA AO AVALIADOR

Prezado Colega,

Não são poucos os que, neste deplorável momento que a Escola atravessa, têm optado pela colagem ao lado mais prepotente, desprezando as legitíssimas razões que levam os seus colegas à praça, esquecendo que são — sobretudo e antes de tudo — professores. Não são poucos os que apanharam gripes com os espirros da senhora ministra, inundando as suas escolas de autoritarismo, ordens, reuniões, papéis e verborreia que tresanda a subserviência, a miséria ética, mental e profissional. Não são poucos os que — apesar de a consciência lhes dizer que tudo isto está errado e inquinado desde o início — não conseguiram ainda força para resistirem, para se erguerem, para serem aqueles homens e mulheres que os seus alunos, os pais e a sociedade em geral gostariam que fossem. Por isso te escrevo, prezado colega, pois sei que pertences a este último grupo e não te sentes em paz com a tua consciência: sabes que estás a ser instrumentalizado; sabes que estás a contribuir, com o teu punho, para o ataque mais mordaz, mais infame e mais cobarde contra a classe docente e contra a escola pública; sabes que vais colaborar num processo injusto — para todos — mas não recuas, porque tens medo da mão tirana que está a puxar os cordelinhos de toda esta mísera tragédia de fantoches. Sei que és científica e pedagogicamente competente para ensinar e avaliar os teus alunos, contudo, — sabes bem — avaliar professores não é a mesma coisa! Presta, pois, atenção às seguintes perguntas que te faço. Depois, está nas tuas mãos a decisão que tomarás, de acordo com a tua consciência. O medo não te poderá servir de álibi!

- Quando aceitaste ser avaliador, deram-te conhecimento mínimo do processo subsequente, das inerências desse cargo e da natureza da avaliação a realizar?
- Achas correcto que tal decisão te tenha sido exigida no preâmbulo de todo este processo?
- Se tal decisão te fosse exigida neste momento — com os conhecimentos e experiência que tens — aceitarias o cargo?
- Tens o exigido conhecimento teórico e prático das diferentes correntes pedagógicas e metodológicas de ensino?
- Dominas suficientemente os conceitos, parâmetros e critérios que estruturam as grelhas de avaliação que vais utilizar?
- Consideras ter a distância afectiva exigida para tal situação?
- Caso um colega avaliado te questione relativamente a estes itens, estás preparado para o esclarecer de forma consciente, segura e relevante?
- Consideras esses instrumentos de avaliação justos, equilibrados e exequíveis?
- Foram testados, na tua escola?
- Consideras que a formação que te foi proporcionada te habilita para avaliar professores?
- Sentes-te científica e pedagogicamente competente para avaliar os teus colegas?

Agora é contigo, prezado colega!

Lembra-te de quem és!

Lembra-te de que, caso não te sintas preparado, o PEDIDO DE SUSPENSÃO DE FUNÇÕES não é uma fuga, é um imperativo moral e profissional!

Lembra-te de que, embora não pareça, ainda vivemos numa sociedade de direito e que há instituições, que ainda vão funcionando, para fazer justiça!

Um abraço do colega

Luís Costa

1 comentário:

Anónimo disse...

Sou avaliador, sem nunca ter escolhido tal caminho.Sinto-me infinitamente enjoado cada vez que vou para as reuniões ou para os encontros de preparação /construçao dos instrumentos para avaliação. Não me sinto com a consciencia tranquila e reconheço que naõ respondi afirmativamente a nenhuma das questões formuladas. porém, não é por estar a favor do ministra nem do sistema, não é por adesivagem, nem por pactuar com tudo, que continuo nesta funçao. O problema é bem mais complicado e envolve muitas questões que não se resolvem de forma tão simplista. Nao posso tomar uma posição isoladamente se os restantes colegas não apoiarem.Portanto, também não é justo receber criticas como se tivesse escohido estar neste papel. Eu costumo dizr que foi a pior coisa que me aconteceu nos últmos tempos e arrependo-me de ter concorrido a titular.A minha maoior preocupação é poder prejudicar alguem por ignorancia minha , por não conseguir por em pratica,com rigor e justiça o processo.Poderá existir quem esteja ávido de poder e feliz pelo seu papel , mas esse não é efectivamente o meu caso e todos os dias sigo com cuidado e atenção os blogs no intuito de me esclarecer , obter dados mais animadores ou perspectivas de alteração de tudo. AS criticas destrutivas a mim não encaixam... Sinto-me de mãos e pés atados e gostaria de me libertar.

Desde 01-01-2009


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