sábado, 25 de outubro de 2008

COMUNICADO (DA DESUNIÃO) DO SPN

Colegas,
Tendo em conta algumas polémicas acerca da marcação da manifestação pelos sindicatos, deixo aqui o e-mail que recebi. Coloco-o na íntegra e tal qual o recebi.

Comunicado (de desunião) do SPN em baixo.



Caro Mário Nogueira,

A propósito de uma resposta que deu ao mentor do blogue "Mais do Mesmo" em:

http://nelsonpires.blogspot.com/2008/10/resposta-de-mrio-nogueira.html

escrevo-lhe estas linhas porque entendo que os sindicatos devem estar ao serviço dos professores.


Dia 30 de Setembro de 2008 remeti um e-mail muito curto para o mail verde da Fenprof.

Reparei que tive uma resposta com nível. Fiquei grato. Não retive o nome de quem me respondeu. Hoje voltei a ler essa resposta, pois vi nela um traço semelhante ao artigo publicado neste blogue, pelo que cheguei a pensar que o escriba era o mesmo. Foi José Manuel Costa que me respondeu (não o conheço). Bom sinal. Sinal de atenção às críticas.
Porém, pergunto, de que serviu? De que serviu tantas e tantas queixas dos professores?

Isto foi o que na altura escrevi:

" 87.196.125.42, em terça-feira, 30 de Setembro de 2008

Caros colegas da Acção Sindical
É tempo de agir. De pagar a jornalistas (que é o que faz o governo de muitos modos) e começar a informar o povo naquilo em que se vai transformar o ensino público.
Todos vamos perder...
A verdade é que os sindicatos não têm cumprido o seu papel de dar visibilidade real, com barulho até ao caos, à justa indignação dos professores, ao insulto a que foram submetidos.
É tempo de fazerem algo, sob pena de se anularem enquanto instituição colectiva.
Com os melhores cumprimentos e votos de acção esforçada.
Eu estive em Lisboa a 8 de Março. Estou pronto para outra!
Carlos Fernandes "

Depois o anúncio da manifestação a 8 de Novembro, depois da marcação de uma manifestação de professores (repito, de professores) a 15! A rua não é monopólio de sindicatos.
Mais uma vez foram os professores descomprometidos sindicalmente (e mesmo sindicalizados) que tomaram a iniciativa.

Para não me alongar, se ainda não leu, leia o artigo (completo) que escrevi com o título "Sindicalistas: Não compreender a vida nas escolas..." Depois de o ler completamente (e não um excerto) então poderá dizer se se trata de um ataque aos dirigentes sindicais.
(Já agora, o que pensa dos dirigentes e outros quadros sindicais que têm ido trabalhar para o Ministério?)

Ora bem, o artigo encontra-se no blogue "A Educação do Meu Umbigo", http://educar.wordpress.com/page/3/ já lá para baixo (next page, talvez p. 3) dada a profusão de artigos que, diariamente e felizmente, surgem.

Não conheço o mentor desse blogue.

Caro Mário Nogueira, também eu gostaria de participar somente numa manifestação.
Mas... a plataforma sindical e o seu líder foi precipitado em dizer (e nos termos que o disse) que seria antes de 15, a 8 é que não (está nos jornais). Sabe bem disto. Vai- me desculpar, mas ter-se-á sentido escudado atrás das associações de sindicatos?
Esqueceu os outros que têm direito (como disse noutro tempo) em expressar-se livre e democraticamente... E olhe que estes contam!
Geralmente são vozes críticas e desprendidas, e isso conta... em todas as frentes. (Têm de comer... como diz Medina Carreira ou Silva Lopes).

Estar perto do poder contamina; é precisar ter cautela e pensar no que se diz. As consequências estão a ser devastadoras. Sabe bem disto!
Provavelmente estará arrependido.

O que ganharíamos se nos juntássemos todos a 15! Quantas pessoas levariam atrás. Vou à manifestação do dia 15, não vou há do dia 8.

Também pode ver o meu artigo em Profavaliação, de Ramiro Marques http:
//www.profblog.org/ou, ainda, em http: //fjsantos.wordpress.com/2008/10/20/argumentos-falaciosos/#comments

Porém, este bloguista chamou-me falacioso com base, apenas, num "postado" excerto do artigo. Respondi-lhe, cordialmente, com lapidar e EXCELENTE comentário de outro bloguista, José Luís Sarmento (que não conheço):

"José Luiz Sarmento
Outubro 20, 2008 às 10:44 pm
Os movimentos não pedem a sua autorização para o representarem à mesa das negociações com o Ministério, nem precisam dela. Não são, nem pretendem ser, estruturas representativas. Para representar os professores à mesa das negociações servem os sindicatos muito bem.
Para o que os sindicatos não servem é para propor políticas ou para discutir as bases ideológicas das políticas dos governos. Estão condenados a reagir sempre sem que nunca lhes seja permitido definir os termos do debate. Jogam sempre à defesa.
Ora os movimentos querem jogar ao ataque. Querem definir os termos do debate, até porque sem debate prévio não é possível qualquer negociação que não vise ceder o menos possível de terreno.
Isto não nos chega. Não queremos ceder o menos possível de terreno, queremos ganhar o mais possível. Conseguimos em Março pôr o Ministério à defesa, e é à defesa que queremos que ele continue. Se os sindicatos querem que os professores os sigam, ficam avisados:
segui-los-emos no ataque, não os seguiremos em mais nenhuma retirada estratégica." In http://legoergosum.blogspot.com/

Este é o busílis da questão. É isto que os sindicatos não perceberam.
"Ora os movimentos querem jogar ao ataque. Querem definir os termos do debate...", como disse JLS.

Os sindicatos, a reboque uns dos outros, não perceberam durante 7 longos meses que deveriam ter dado à luz uma proposta séria de ECD.
Foi tempo demais. Como já escrevi: migalhas! 10% de migalhas foi o que foram buscar ao ME, numa altura em que a tutela tremeu, em que chamou a terreiro altos negociadores (mediadores) que pouco sabiam sobre o que se passa na vida das escolas; numa altura em que o Presidente da República interveio e apelou a um entendimento...
Uma enorme oportunidade perdida.

"Na vida não se deveria cometer o mesmo erro duas vezes: há bastante por onde escolher".
Bertrand Russel

Atentamente,
Carlos Félix Fernandes

NOTA: Parece que hoje, dia 25 de Outubro, saiu no "Público", p. 13 um artigo sobre a investida sindical... Vou comprá-lo.

Deixo aqui este ARTIGO(que diz tudo...) do SPN (está em :
"
----- Finalizar mensagem encaminhada -----
Outubro 25, 2008 at 12:05 pm
ESPONTANEÍSMO VERSUS INTENCIONALIDADE

A situação que hoje se vive nas escolas portuguesas volta a ser explosiva. Outra coisa não seria de esperar, dado a Ministra da Educação ser a mesma, o Primeiro Ministro continuar a ser José Sócrates, o Governo também não ter mudado e, acima de tudo, as políticas continuarem a ser as mesmas.
E, a este propósito, aqui nos deparamos com o primeiro de dois significativos equívocos que é urgente esclarecer de vez.
Quando, a 8 de Março passado, os professores demonstraram de uma forma impressionante e nunca vista a sua indignação nas ruas de Lisboa, quando 100 mil professores e educadores deram corpo à unidade que então todas as organizações sindicais docentes souberam construir, ficou evidente a recusa da política educativa deste Governo, mas também que os professores, quando sentiam que o momento exigia a sua unidade, eram capazes de o demonstrar de forma inequívoca.
Muitos dos que espontaneamente aderiram e viveram aquele protesto acreditaram que a Ministra cairia no dia seguinte, que as políticas de educação estavam irremediavelmente derrotadas perante aquela demonstração de força e que não restaria outra atitude ao ME/Governo senão a capitulação. Nada mais errado. Alterar políticas é um processo bem mais longo e complicado do que possa parecer, principalmente quando o cenário assenta numa maioria absoluta no Parlamento.
Mas, entretanto, os cem mil professores e educadores que estiveram em Lisboa a 8 de Março, conseguiram abalar o que até aí parecia inabalável. Acabaram com a completa e obstinada ausência de diálogo.
Fizeram Maria de Lurdes Rodrigues solicitar reuniões aos sindicatos. E fizeram ainda que abdicasse de algumas das suas mais teimosas ideias, aparecendo à cabeça a vontade de instalar até ao final do ano lectivo anterior todo o seu modelo de avaliação de desempenho docente.
Hoje, por força de memorando de entendimento que foi forçada a assinar com a Plataforma de Sindicatos, 92% dos professores e educadores portugueses não foram avaliados no passado ano lectivo e os restantes 8% foram-no através de uma fórmula muito simplificada e sem repercussões, nomeadamente ao nível das possibilidades de contratação.
Mais, perante a matéria mais controversa à altura e que mais ocupava as cabeças dos que se manifestaram no dia 8 de Março, a instalação completa (atribulada, ainda assim impreparada, conflituosa e muito tormentosa, nos efeitos que provoca no quotidiano das escolas e dos professores) do modelo de avaliação, verificada este ano, não só não prevê efeitos definitivos nos resultados da avaliação praticada, como prevê um decisivo momento negocial - decisivo até pelo seu timing político - para Junho e Julho de 2009, onde estará em questão a discussão do modelo na sua globalidade, já contando com os indicadores retirados do trabalho de uma Comissão Paritária, com representação sindical.
Alguns dos que dizem que aquele entendimento, naquelas circunstâncias obtido, não serviu para nada, não são, seguramente, capazes de entender o que significou travar, já no 3º período, a sanha destruidora do ME sobre a escola pública em Portugal. Mas, esses mesmos, os que apontam dedos acusadores aos sindicatos por saberem agir com elevado sentido de responsabilidade, são os mesmos que os acusam de capitular nesse momento, de serem incipientes na acção, se amedrontarem ou assustarem perante as mobilizações conseguidas, e até de, mais errado ainda, se terem distanciado do núcleo central das políticas que importa derrotar.
Não leram o memorando de entendimento. Porque, se o tivessem feito, perceberiam que a FENPROF, e os sindicatos que a acompanham, deixaram aí bem claro que mantinham todas, mas todas, as críticas que faziam ao cerne das políticas educativas do actual Governo.
E aqui chegamos ao segundo equívoco que importa esclarecer devidamente. Já não ligado ao passado recente mas antes às movimentações, de muitos sentidos, que hoje são tema de conversa em todas as escolas e que se prendem com uma espécie de data mítica de repente caída no centro das nossas discussões - o dia 15 de Novembro de 2008.
Ainda antes de chegarmos aí, à data em questão, talvez importe enunciar algumas considerações prévias. (1) ousamos afirmar que ninguém conhece melhor que os sindicatos o que acontece quotidianamente nas escolas portuguesas; (2) as maiores perturbações a esse quotidiano neste início de ano lectivo prendem-se com dois factores, que se interligam: o lançamento completo (e já previsto) do modelo de avaliação do desempenho docente e as cargas horárias dos professores e educadores; (3) esses dois factores, que interagem entre si, revelam, por um lado, a total desacreditação do modelo do ME e a sua completa inexequibilidade, a par dos reflexos que provoca na organização e execução dos horários dos docentes, sendo que aqui ressalta o incumprimento por parte do ME do já citado memorando de entendimento e das regras daí decorrentes que verteram para legislação ordinária do próprio Ministério da Educação. Ou seja, quem não está a cumprir (mais uma vez) é o Ministério de Maria de Lurdes Rodrigues.
Passados os considerandos, e não perdendo de vista o que motiva esta tomada de posição, há que enfrentar o que consideramos de um equívoco necessitando de cabal esclarecimento, e que assenta nesta dúvida que estará em muitas cabeças, sérias e dispostas a não se conformarem com o que lhes é apresentado como inquestionável: o que é, que coisas, que factos ou comportamentos, são genuinamente espontâneos?
1. avançar com uma data antes de outros, sem qualquer preocupação de estabelecimento de consensos relativamente a ela, é espontâneo ou premeditado?

2. aparecerem dois movimentos de professores a assumir os procedimentos legais mínimos para uma manifestação e a desenvolverem a base de um trabalho organizativo que não é fácil (nós sabemo-lo), será um comportamento espontâneo ou premeditado?

3. afirmar, alto e bom som, que a sua manifestação é para ser feita com ou sem os sindicatos, será um gesto espontâneo ou seria já uma ideia preconcebida e intencionalmente escondida para o lançamento da data de 15 de Novembro?
O SPN e a FENPROF não têm dúvidas que esta movimentação é, na sua génese, um ataque concertado aos sindicatos de professores já existentes, que visa o avanço para a criação de um outro sindicato (mais um) ou, como agora começa a vir ao de cima, uma movimentação no sentido da enésima tentativa de criação de uma Ordem de professores.
A resposta a estes recorrentes esforços já está encontrada - a Plataforma de Sindicatos, onde a FENPROF está presente desde o primeiro momento, voltou a encontrar a fórmula unitária com que sempre se apresentou aos professores portugueses, desafiando-os a demonstrarem a unidade assim traduzida, e dizendo que as políticas destrutivas da escola pública em Portugal e a subversão da carreira docente neste país, começarão a ser derrotadas no próximo dia 8 de
Novembro, num grande plenário nacional de docentes marcado para o Parque Eduardo VII e numa manifestação subsequente que canalizará para a 5 de Outubro a determinação dos professores e aí sublinhará a sua ideia de que é urgente e indispensável uma nova política para a educação neste país.
A Direcção do SPN"

Este ARTIGO está em:

http://educar.wordpress.com/2008/10/24/apelo-2/#comment-104355

Comentei-o (está em 475 do site em cima, em 500):
Aqui vai:
"
Carlos Félix Fernandes Diz:
Outubro 25, 2008 at 3:56 pm
Paulo GUINOTE, Mabel,

Caro Paulo Guinote.
Tenho divulgado imenso o elevado contributo do blogue que construiu a favor dos professores. Alimentar um blogue como este é uma verdadeira missão.

Ao lermos todos o que está em 475 , (escrito pela Direcção do SPN), e mesmo o que o Paulo escreveu em 476, pergunto-lhe, apesar do seu gesto de generosidade (expresso no post acima), ainda acredita? Ainda acredita no dia 8? Com atitudes destas (475) que exprimem o pensar mais anti-democrático que se possa pensar, questiono por que razões continua de coração aberto?

Depois de tudo o que foi feito para o dia 15 e o que isso significa, atente-se, não podemos deixar o movimento esmurecer.

Eu irei de Braga a lisboa, mas há gente de mais longe que está pronta para mostrar que está farta da atitude dos sindicatos perante o monstro criado pelo ME. Encaremos as coisas assim.

As pessoas estão fartas dos sindicatos exactamente porque estes não estão a representar a totalidade dos professores.

Se os sindicatos insistem em não querer ouvir estas pessoas, estes professores descontentes (e até já sindicalistas), pergunto se não estarão no mesmo caminho de surdez do Ministério?

Depois do que li em 475, infelizmente, vejo que tenho razão no meu discurso anti-sindical publicado neste mesmo blogue:
http://educar.wordpress.com/page/3/

Esta postura anti-sindical é recente. Nem sempre foi assim, atenção.
Já foi ao contrário. Agora, hoje, vejo esta atitude como uma necessidade, como uma obrigação. Não para fazer o ME mudar (ou ficar a rir-se) , mas sim para os sindicatos se entenderem quanto aos seus vários e complexos pontos de vista e mudarem. Porém, acho que se encontram todos reféns uns dos outros; mais dependentes os mais pequenos que os maiores... E os maiores, de visão mais centrada e centralista, não conseguem libertar-se de certas amarras ideológicas.
Esta é a verdade, parece-me.

São os sindicatos que têm de mudar e perceber os movimentos espontâneos cujo grito lhes causa tanta indiferença como causa ao ME o grito dos sindicatos.

Lamento mas não acredito na Plataforma Sindical.

Acredito mais naquilo que levou os mentores do dia 15 a envidarem esforços para legalizarem uma manifestação.

A 15 vou, a 8 não vou.
CF"

O comentário em 505 é muito interessante.

A todos um abraço e bom fim de semana.

5 comentários:

Anónimo disse...

Sou a única pessoa a comentar este seu texto de tomada de posição, face à atitude dos sindicatos.
E, como já disse tudo, eu também vou a 15 e não a 8 de Novembro.
Parabéns pela sua clareza e informação.
Uma professora de Braga

Anónimo disse...

Também sou de Braga! Vou a 15!

Já não acreditamos nos sindicatos!

Alberta disse...

Disse chega, basta ao SPN no dia 16, ao fim de 25 anos de descontos por algo que acreditava, quando me enviaram mensagens para me demarcar de lutas anti-sindicais. Respondi-lhes pessoalmente que usassem de bom senso e se unissem na luta de 15 que era espontânea e de professores.
Senti o tom ameaçador do vamos ver quem tem mais. Mais revoltada fiquei, pois aí vi claramente que em vez de lutarmos juntos, unidos contra quem nos agride, NÃO... Isso no momento não era o mais importante.
A mágoa é enorme...
Vou a 15, gostaria que não existissem separações...

Anónimo disse...

Fiem-se... e depois nem a 8 nem a 15.
Cá para mim a hora é de união!
Elsa Duarte
Covilhã

Safira disse...

A mim, o presidente do sindicato a que eu pertencia, disse-me que considera os movimentos dos professores piratas e que os professores não são nada sem os sindicatos e mais, ordenou-me que fosse a manifestação de dia 8. Aí eu respondi-lhe. Prefiro juntar-me aos piratas que a um bando de traidores. Vou dia 15 Novembro!

Vi claramente que os sindicatos estão a defender o tacho (deles político e não os Professores...

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