domingo, 30 de novembro de 2008

A LIÇÃO DOS PROFESSORES

Quando este governo tomou posse, deram-lhe um estado de graça, que ele aproveitou para:

- Aumentar o IVA, mesmo depois de ter prometido que não aumentaria impostos;

- Aumentar a idade da reforma, apesar de ter prometido que o não faria;

- Congelar as carreiras de alguns sectores da Função Pública.

O povo continuou adormecido.

Depois, provou-se que o Primeiro-Ministro falsificou documentos da Assembleia da República para que o tratassem por Engenheiro, que tirou um curso de Engenharia sem ir às aulas, enviando trabalhos por fax, e que, enquanto recebia um subsídio de exclusividade, assinava projectos.

O povo mostrou-se indiferente, achando que, se ele queria que o tratassem por Engenheiro, era lá com ele.

De seguida, decidiu fechar escolas e urgências; a população começou a despertar e o ministro da saúde foi demitido, mas a política continuou.

Posteriormente, vieram as aulas de substituição gratuitas e a responsabilização dos professores pelo insucesso dos alunos.

Os professores acordaram e os tribunais deram-lhes razão na ilegalidade das aulas de substituição não remuneradas.

Depois veio o Estatuto da Carreira Docente, que dividia os professores em duas categorias, sem qualquer análise de mérito, e impedia que dois terços dos professores atingissem o topo da carreira.

Os professores ficaram atordoados e a Ministra aproveitou para esticar a corda ainda mais, tratando os docentes por "professorzecos" e criando um modelo de avaliação que ela própria considerou "burocrático, injusto e inexequível" e que prejudica os professores que faltassem por nojo, licença de paternidade, greve ou doença.

Aí os professores indignaram-se e vieram para a rua. O Governo e os sindicatos admiraram-se com a revolta dos professores e apressaram-se a firmar um entendimento que adiava a avaliação.

No ano lectivo seguinte, os professores foram torturados com o suplício de pôr a andar um monstro, cavando a sua própria sepultura. Em todas as escolas, começou a verificar-se que esse monstro não tinha pernas para andar. Os professores começaram a pedir a suspensão do processo e marcaram uma manifestação para o dia 15 de Novembro. Os sindicatos viram o descontentamento geral e marcaram outra manifestação para o dia 8 de Novembro.

Os professores mobilizaram-se e a Ministra tremeu… Os alunos aprenderam com os professores o direito à indignação e aperceberam-se de que o seu estatuto também era injusto, porque penalizava as faltas por doença, e começaram a manifestar-se. A Ministra percebeu que tinha de aliar-se aos alunos e cedeu nas faltas, culpando os professores pela interpretação da lei. Conseguiu mesmo alterar sozinha uma lei aprovada pela Assembleia da República perante os mudos parlamentares.

O ambiente na Escola tornou-se tão insustentável que a Ministra deixou de ter coragem de visitar escolas. Então, decidiu alterar novamente o seu modelo, sem o acordo de ninguém, pois só ela não entende que está a mais no Governo, defendendo um modelo que sabe que é errado, só para não dar o braço a torcer (lembrando a teimosia de Paulo Bento que, para afirmar o seu poder, prefere perder). Se fizesse uma auto-avaliação, percebia que está tão isolada que até o representante das associações de pais, aliado de outras batalhas, tomou consciência do que estava em causa.

Agora, o Secretário de Estado Adjunto vem dizer que a Lei é para cumprir. Mas qual Lei? A da Ministra que não respeita os tribunais, que altera as leis da Assembleia da República a seu belo prazer, que manda repetir exames, mesmo sabendo que é inconstitucional, que penaliza os professores pelo direito à greve e às faltas por nojo, por doença ou por licença de paternidade?

Quem deixou de cumprir a Lei foi a Ministra e o Governo. Lembram-se de alguém que fumou ilegalmente num avião, afirmando que desconhecia uma Lei imposta por si? É o mesmo que vem dizer que nem ele está acima da Lei.

Já que a Comunicação Social está instrumentalizada e não há oposição firme, o povo devia seguir a lição dos professores e manifestar-se:

- Contra o elevado preço dos combustíveis, uma vez que o preço do petróleo desceu para um terço do que custava há meses e em Portugal os combustíveis ainda só desceram cerca de 20%;

- Contra os elevados salários de gestores de empresas públicas que dão prejuízo;

- Contra a entrega de computadores "Magalhães" que depois têm de ser devolvidos, como quem tira doces a crianças;

- Contra o financiamento público de bancos que exploram os clientes com elevados juros;

- Contra as listas de espera na saúde;

- Contra as portagens nas SCUT;

- Contra a criminalidade e a insegurança que se vive em Portugal;

- Contra as elevadas taxas de desemprego;

- Contra o desvio do dinheiro de impostos para o TGV;

- Contra as mentiras.

Se os Portugueses acordarem e seguirem o exemplo dos professores, os governantes deixarão de se "governar" e passarão a defender o interesse das pessoas.

"Ao emendar aquilo que precisa de correcção, o bom professor não está a ser rude." Quintiliano


Professor Português

5 comentários:

lincebeirao disse...

Revejo-me inteiramente no 1º comentário.
Esse deveria ser o passo seguinte.
A indignação de todos.
Começamos a pagar o estado de total apatia em que andamos a viver. Estamos a afundarmo-nos.
A procissão já vai no adro e depois não encontraremos "santos que nos possam valer".
Acordem todos, por favor! Exerçam a vossa cidadania! (enquanto podem)

AB

suzete disse...

Quais são as condições para que o comentário seja aprovado pelo autor?

Anónimo disse...

Que pergunta mais idiota, Suzete!

Leia os comentários e tire as conclusões.

ILÍDIO TRINDADE disse...

Suzete,

Em primeiro lugar, este não é um blogue de "discussão", mas de um movimento.

Independentemente disso, raro é o comentário não aprovado.

Naturalmente, há alguns que nem sequer são comentários. Mas, efim... Por exemplo, o seu é uma pergunta dirigida ao gestor do blogue, que poderia ter sido colocada através do e-mail aqui disponibilizado.

Há comentários que é pena não serem enviados para publicação em destaque nas "entradas" do blogue. Mas os autores são livres de fazerem como muito bem entenderem.

Embora não haja critérios rígidos para a aprovação dos comentários (o primeiro princípio da aprovação de um comentário deveria ser o facto de ele ter que ver com o assunto da entrada, assim como não chegar anónimo), há alguns que é necessário observar.

Serão aprovados os comentários que:

- não contenham termos ofensivos ou provocações de carácter pessoal ou associativo;

- não sejam mera publicidade de produtos, bens ou serviços;

- não contenham ligações (links) para sítios ou textos susceptíveis de violarem os itens anteriores;

- não revelem manifestamente o objectivo de desunir ou desmobilizar os professores para causas que estejam em marcha.

Acresce reforçar a ideia inicial de que este é um blogue de um movimento e que, por isso, a liberdade de aprovar ou não um comentário é igual à liberdade de um visitante o fazer e/ou o enviar ou não!

MOBILIZAR! UNIR! RESISTIR!

suzete disse...

1. Sejamos claros,Suzete não disse nada;
2. Algum Professor para quem reencaminhei o e-mail terá feito a pergunta que me é atribuída;
3. De qualquer maneira a pergunta não me parece tão idiota como o "Anónimo" disse;
4.Já agora, aproveito para dizer que, tendo lido os argumentos do autor do Blogue e possa compreender as razões que o levem à não aprovação de um comentário, permito-me não concordar, já que, se o comentário é suscitado ninguém se deve arrogar o direito de o não publicar... se uma opinião pode dividir os Professores quão frágil o autor do Blogue considera essa união!
Cumprimentos.
Suzete

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