Até 19 de Janeiro - precisamente o dia convocado para a greve nacional - os presidentes dos conselhos executivos têm de afixar nas suas escolas a calendarização do processo de avaliação docente. Diversas escolas têm realizado reuniões gerais de professores e até entre estabelecimentos de concelhos vizinhos (caso de anteontem as escolas de Cascais, Oeiras e Sintra e de Loures e Odivelas, ontem) para deliberarem se mantém ou não a suspensão do modelo. Professores, sindicatos e movimentos classificam de decisivo o dia de hoje para a "resistência" da classe - é que hoje reúnem-se, em Santarém, "várias dezenas" de presidentes de conselhos executivos (CE) de todo o país e o desejo dos docentes é tomarem uma posição colectiva.
A iniciativa partiu de 20 presidentes de escolas de Coimbra e tomou forma através da blogosfera. O objectivo é "reflectirem sobre a situação decorrente do processo de avaliação" e as pressões agora agravadas, sobre esses titulares, explicaram ao JN Rosário Gama e Jorge Jerónimo, dois dos docentes subscritores do convite. "Aceitar este modelo é aceitar a divisão da carreira e as quotas", considera Rosário Gama. Apesar " de todos os cenários estarem em cima da mesa", os presidentes das secundárias Infanta Dona Maria e Dom Duarte referiram ao JN ainda não terem ponderado as suas demissões.
Na Infanta Dona Maria - a melhor escola pública classificada no ranking das escolas - o processo de avaliação está suspenso. "Os professores ainda não entregaram os seus objectivos individuais", retorquiu Rosário Gama, adiantando que irá afixar a calendarização do processo até dia 19 e só depois comprovará se os docentes manterão a sua posição.
A iniciativa é encarada por sindicatos e movimentos um novo alento para os professores, principalmente, depois de o secretário de Estado Adjunto da Educação ter sublinhado que docentes e directores poderão incorrer em sanções e processos disciplinares se não cumprirem a avaliação.
"Se houver uma tomada de posição conjunta será um sinal claro para os professores de que não têm que ceder", defendeu ao JN Mário Machaqueiro, da APEDE. "Se decidissem pela demissão seria uma machadada para o Governo", insistiu Ilídio Trindade do MUP. "Esperamos que os presidentes dos conselhos executivos se coloquem ao lado dos professores e não alinhem com o 'simplex'", manifestou, ainda, Octávio Gonçalves do Promova.
Os três dirigentes de movimentos defendem o endurecimento das medidas reivindicativas e, ao JN, sublinharam a importância de a "resistência" continuar a ter um carácter colectivo: "colocar um processo disciplinar a um professor é fácil, a milhares já não", sintetizou Ilídio Trindade.
Mais equidistantes, até por não serem os organizadores da iniciativa, Fenprof e FNE reconhecem e sublinham a relevância da iniciativa, já que sempre defenderam que é nas escolas que o processo deve ser travado. "Os presidentes não querem compactuar com o modelo imposto pelo Governo", considera Carlos Chagas do Fenei/Sindep.
In Jornal de Notícias.









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