Exmo Senhor
Presidente do Conselho Executivo do
Agrupamento Vertical de Escolas de Pedrouços
Tendo conhecimento que, de acordo com o calendário estabelecido por V. Exa., termina amanhã, dia 20 de Janeiro de 2009, o prazo fixado para a entrega dos OI no nosso Agrupamento, os professores e educadores abaixo-assinados, reunidos no dia da Greve Nacional, vêm comunicar a sua decisão colectiva de persistir na não entrega dos OI, no âmbito do processo de avaliação de desempenho para o ano escolar 2008/2009. Ressalvam que esta decisão não significa a recusa a serem avaliados, mas a opção por continuar a aguardar os desenvolvimentos do processo de luta em curso, até que seja alcançado um acordo em relação a um modelo transitório para este ano lectivo e se iniciem efectivas negociações de uma revisão profunda do ECD e a substituição do modelo ADD.
- continuar a manifestar o seu total repúdio por este modelo de ADD, que desvirtua a função dos professores e educadores, transformando-os em gestores de carreiras e acabando por os desviar do essencial da sua função – trabalhar para e com os seus alunos, contribuir para a qualidade das suas aprendizagens e da Escola Pública;
- denunciar o SIMPLEX 2, uma versão NOVAS OPORTUNIDADES para professores, que pretende dissimular a aplicação do Modelo ADD na íntegra, no futuro, apesar de ser comprovadamente burocrático, inexequível, potenciador de conflitos,…
- contestar um ECD, imposto e não negociado, em que a grande maioria dos professores portugueses não se revêem, e que está a minar o ambiente que se vive nas escolas, por ser injusto, gerador de discriminação e penalizador;
- manifestar a sua indignação em relação à forma como o ME tem afrontado e violentado de forma continuada os professores, humilhando-os na praça pública, desvalorizando as suas opiniões esclarecidas e as suas acções determinadas em defesa do serviço público de educação, antes preferindo disseminar tensões e desencantos no quotidiano das Escolas;
- reforçar a luta em que os professores portugueses se envolveram, sustentando a sua credibilidade, contra uma política educativa desastrada e desastrosa, que instalou a instabilidade nas Escolas, gerando desmotivação e destruindo a auto-estima dos professores;
- afirmar a capacidade de pensar dos professores e a sua recusa a serem domesticados e silenciados;
- afirmar a razão dos professores e defender a sua dignidade profissional, mantendo a fidelidade aos valores e aos princípios que sempre orientaram o seu percurso, mais ou menos longo, na profissão que abraçaram, tendo plena consciência da educação como um valor em democracia e um factor determinante do desenvolvimento que pretendemos para o nosso país;
- não pactuar com um ME, que está a pressionar os CE e os professores, em relação à entrega dos Objectivos Individuais, um procedimento cuja obrigatoriedade de apresentação pelo avaliado a lei omite, prevendo que o avaliador até os possa definir por ele, para concluir da anuência dos professores a um Modelo de Avaliação de que muitos professores já se divorciaram, poucos admitem, alguns sentem-se forçados a manter um casamento de conveniência;
Em relação ao procedimento em que, eventualmente, poderá considerar que entramos em incumprimento, pretendemos lembrar que:
- Os anos transactos em que temos trabalhado em colaboração, serão os suficientes para V. Exa já conhecer a qualidade do trabalho que temos vindo a desenvolver e a disponibilidade para o cumprimento das tarefas e funções de que nos tem responsabilizado.
- Neste momento, a cerca de 5 meses do final deste ano lectivo e com a entrada em vigor do SIMPLEX 2, não nos parece indispensável a entrega dos OI, já que uma grande parte das acções, formações e actividades a considerar ou já foram realizados ou já se encontram em curso, de acordo com os documentos de referência que lhes servem de base e o serviço que nos foi distribuído por V. Exa.
Sem outro assunto de momento.
Pedrouços, 19 de Janeiro de 2009










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