sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

GREVE DE ZELO

Neste momento da luta, há que recorrer a formas inteligentes, não usuais ou pouco comuns e que não entrem muito no bolso dos professores, sob pena de muitos deles não conseguirem resistir.

A greve de zelo é uma "figura" pouco ou nada utilizada em Portugal como forma de luta. Já a propus por diversas vezes, inclusive aqui. Sei que este tipo de greve pode não ter visibilidade imediata, mas, realizada massivamente, rebenta com o sistema e permite a obtenção dos objectivos esperados.

O José Abreu enviou-nos um texto com alguns contributos para a clarificação dessa forma de luta.



Porto 8.JAN.09

Estimadas(os) Sras e Srs Professores,

Sentindo-me profundamente solidário convosco e com a vossa LUTA, que considero convergente na defesa e promoção da Escola Pública, resolvi escrever-vos apelando a uma análise aprofundada da situação actual visto que me apercebo como cidadão e pai que o movimento está num momento de refluxo ! Isso é normal, tal como no movimento do Oceano, depois de uma maré cheia há uma retracção para melhor avançar.

Digo-vos isto porque pessoalmente tenho experiência de muitas lutas de longa data e julgo que uma Greve de Zelo Activa nas Escolas seria importante para cimentar a Unidade da Classe tendo como base os pontos comuns em que a maioria dos docentes esteja de acordo. Os Professores politizados devem evitar esticar a corda e partidizar o movimento, isso seria um erro tremendo e uma catástrofe. Tomar o pulso ao movimento parece-me ser mais sensato, porque uma manifestação de rua que à partida não consiga mobilizar mais de 100.000 pessoas seria imediatamente desacreditada por uma campanha mediática tendenciosa. Os dirigentes e activistas têm de ponderar que é muito mais preferível tudo fazer para manter a coesão do movimento, e conservar a fervura, porque não vai faltar muito tempo para toda a sociedade entrar em ebulição nesta primavera dada a crise economico-financeira em Portugal, prevísivel pelo provável agravamento do mercado financeiro internacional conforme prevêm alguns especialistas económicos internacionais (ver: http://www.leap2020.eu/El-GEAB-N-28-esta-disponible!-Crisis-sistemica-global-Nuevo-punto-de-inflexion-en-Marzo-de-2009-Cuando-el-mundo-toma_a2583.html). E então bastará propor a saída para as ruas dos professores para essa ocasião e assim provocar um Recuo do PM e a aceitação da Vossa Reivindicação. Palpita-me que neste momento o ânimo geral está parcialmente retraido, se assim for o pessoal precisa de se reencontar, debater, reflectir e contestar no local de trabalho.

Além disso Greve de Zelo não significa nada fazer, mas sim desobedecer ao programa do ministério e desenvolver actividades com os alunos e até promover iniciativas com os jovens levando-os a reflectir sobre a escola, a sociedade, etc... usando meios didáticos, desportivos, musicais, enfim aplicar a imaginação e criatividade que são as vossas ferramentas diárias. Certamente que será uma oportunidade para alguns professores poderem exercitar debates vivos sobre democracia participativa com estudantes mais esclarecidos.

Um abraço e melhor sucesso na vossa Luta !

José A. M. de Abreu
BI 2034919

6 comentários:

Anónimo disse...

Discordo absolutamente desta proposta.
Não faltava mesmo mais nada que começar a transformar os professores em animadores de actividades recreativas para crianças e jovens!

Não faltava mesmo mais nada do que fazer uma grvezinha que não incomode ninguém!

Tenham cuidado com as propostas de desmobilização e enfraquecimento que aparecem, como esta.

Sim, estamos cansados.
Sim, fomos empurrados para uma situação que não desejamos.

Mas fazer grvezinhas, neste momento, só dará tempo ao ME para aplicar o vergonhoso DR 1A/2009.

Por mim, essa proposta de greve de zelo para entreter meninos será vista como um autêntico "gozo", como uma atitude infantil de professores sem coragem.

A hora é de luta, não é para brincar às greves!!!

Maria da Conceição Neves

Anónimo disse...

Directores de escolas admitem demissões

PEDRO VILELA MARQUES

Avaliação de professores.
Uma centena de presidentes de conselhos executivos reúnem-se amanhã em Santarém para discutir os problemas que a avaliação está a gerar nas escolas e decidir a posição a tomar

Dirigentes dizem que escolas estão a ficar “ingovernáveis”

Os cerca de 100 presidentes de escolas que se vão reunir amanhã em Santarém estão a planear demitir-se em bloco como forma de protesto contra a avaliação dos professores. Ao que o DN apurou, os líderes dos conselhos executivos vão discutir esta hipótese por considerarem que as novas regras da avaliação, introduzidas com o simplex, lhes criou mais pressão e tornou intranquilo o ambiente nas escolas.

Membro do Conselho de Escolas, órgão de aconselhamento do Ministério da Educação, Jorge Jerónimo vai participar no encontro de amanhã e reconhece que a demissão dos conselhos executivos vai ser discutida à mesa do almoço. “É um cenário possível. O que está em causa é o descontentamento face à pressão colocada pelo Ministério da Educação em cima dos órgãos de gestão das escolas”, informa o presidente da Secundária D. Duarte, em Coimbra.

Ana Lourenço, presidente de outra escola que vai estar representada no encontro - a secundária José Falcão de Coimbra - considera viável esta posição de força: “A resposta às questões que colocámos ao ministério demorou tanto tempo e as pressões que estão a ser exercidas sobre os conselhos executivos são tão grandes que esta é uma hipótese a ser apreciada.” Jorge Jerónimo acrescenta que a demissão é mesmo “mais viável do que arranjar formas de bloquear a avaliação, que vão contra a lei”.

Caso avancem para a demissão em bloco, os presidentes de escolas sabem desde já que têm o apoio dos professores. “Os conselhos executivos foram eleitos pelos professores, que estarão ao lado dos presidentes se eles decidirem enveredar por esta justa forma de luta”, garante ao DN Ilídio Trindade, do Movimento Mobilização e Unidade dos Professores.

Ramiro Marques, autor do blogue Profavaliação, também admite que se fosse presidente de conselho executivo pedia a demissão: “Não seria refém. Uma atitude dessas teria um enorme impacto na opinião pública. Iria fragilizar o Governo e aumentar o ânimo dos professores.”

O presidente do Agrupamento de Escolas de Sequeira, na Guarda, José Grilo Santos, não vai amanhã ao encontro nacional em Santarém, mas concorda que o Estatuto da Carreira Docente e o modelo de avaliação estão a gerar dificuldades na gestão das escolas.

“Se calhar os conselhos executivos podem não ter condições para governar”, alerta Grilo Santos, que defende que os presidentes se podem demitir “se as escolas se tornarem ingovernáveis”.

[Fonte:
DN ]

jpvideira disse...

e agreve de 19? o mup apoia ou não a greve de 19? vai fazê-la? mobilizar para ela?

ILÍDIO TRINDADE disse...

Caro João Paulo,

Naturalmente, o MUP apoia a greve de dia 19 e já está a contribuir para a mobilização dos professores.

O MUP, porque é um movimento, não faz greve (e é bom que não faça), tal como os sindicatos e outras organizações.

Os professores que pertencem ao MUP, pela informação que tenho, TODOS farão greve, porque a sua condição lhes permite fazê-la: são professores que trabalham nas escolas e estão na luta com todas as suas energias.

Tal como tem feito sempre, o MUP apoia e participa em TODAS as iniciativas que contribuam para a luta dos professores, provenham elas das escolas, dos movimentos ou dos sindicatos.

Assim estruturas de maior responsabilidade fizessem o mesmo!!!

jpvideira disse...

caro Ilídio, começo por agradecer a resposta. sem querer entrar em pormenores sobre sinédoques e metonímias, penso que sabias que quando perguntei "o mup vai fazê-la?" me referia, claro está, às pessoas que dirigem e representam o movimento. é como dizer "já li o eça todo..." ninguém folheia o putrefacto e desaparecido cadáver do eça mas a língua permite a formulação.

estilística à parte, outra razão pela qual fiz a pergunta é porque ainda não vi (posso estar a falhar) no vosso site nenhum post, ou imagem, ou mesmo o cartaz da dita greve que, claro, todos esperamos seja a melhor possível, agora com o argumento acrescido de poder constituir uma forma de pressão para 23 de janeiro. um abraço. jpvideira

Anónimo disse...

Ilídio,
Um comentador do Blogue "A Educação do meu Umbigo" deixou este comentário:

"livresco

Fica aqui esta mensagem aos Sindicatos, aos movimentos independentes e a todos os professores:

Contactem o Luís Filipe Carvalho com os nossos argumentos legais dispostos neste Blog - vão dar o dinheiro como bem empregue

FALO A SÉRIO! CONTACTEM O LUÍS FILIPE CARVALHO

Pertence aqui - CONTACTEM O HOMEM!:
http://www.abbc.pt/"

Ana

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