sábado, 10 de janeiro de 2009

É IMPORTANTE ESCLARECER OS ENCARREGADOS DE EDUCAÇÃO

19 de Janeiro é dia de greve nacional.

No contexto da luta que travamos, é importante que os professores esclareçam os pais e encarregados de educação. Quando a sociedade perceber o que está em causa, ficará do "lado certo", do lado dos professores.

Esta estratégia de esclarecimento é importantíssima e já foi posta em prática em diversas escolas.

Nesta acção, os directores de turma têm um papel relevante. Esta carta pode ser entregue directamente aos encarregados de educação ou através da mediação dos alunos.

As cartas-modelo que apresentamos são, respectivamente, da Escola Secundária de Odivelas e do Agrupamento de Escolas Roque Gameiro - Amadora.



Aos Pais e Encarregados de Educação dos Alunos
da Escola Secundária de Odivelas

PROFESSORES EM GREVE: ESCLARECIMENTO


Professores da Escola Secundária de Odivelas, vivamente preocupados com a instabilidade que se vive nas nossas escolas, cientes da inquietação e incerteza que esta situação provoca nas famílias, gostariam de afirmar de forma peremptória e inequívoca que:

1. Em nenhuma circunstância, os professores esquecerão que o seu primeiro e irrevogável compromisso é para com os alunos e, como tal, o seu dever de ensinar com competência será cumprido contra todas as adversidades.

2. A tensão que se vive nas escolas é devida à introdução, em simultâneo, de um conjunto profundo de alterações legislativas, emitidas pelo Ministério da Educação (M.E.), que vêm mudar, para pior, a face da escola pública portuguesa e, no limite, condenar a sua própria existência. Todas estas alterações foram introduzidas sem uma verdadeira negociação com os agentes dessas modificações, tornando-as assim questionáveis no plano democrático e, na prática, de difícil ou impossível aplicação. Os remendos, os sucessivos retoques legislativos, apressadamente levados a cabo pelo M. E., são prova da sua manifesta e não assumida incongruência. Veja-se, a título de exemplo, o que se passou com a Lei da Gestão e Administração Escolar, com o Decreto Regulamentar da Avaliação de Desempenho dos Professores e mesmo com o Lei que define o Estatuto do Aluno.

3. Sabemos que uma correcta e isenta informação é um elemento fundamental para a construção de uma verdadeira cidadania e é isso que, a cada dia, procuramos fornecer aos vossos filhos e educandos; não pretendemos a vossa compreensão e apoio só porque somos os seus professores: estamos certos de que, se houver informação isenta, fica clara a justeza da nossa posição.

4. Além de professores, também somos Pais e Encarregados de Educação. Também por isso, estamos disponíveis para colaborar em todas as reformas necessárias na escola portuguesa, estamos dispostos a mudar o que urge mudar e pedimos muito pouco em troca: que nos respeitem, que nos oiçam verdadeiramente e percebam que a nossa dignidade é inegociável.

Professores da Escola Secundária de Odivelas.
Odivelas, 3 de Dezembro de 2008

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Ex.mos Srs. Pais e Encarregados de Educação

Como é do vosso conhecimento, a Escola Pública vive um momento de grande tensão devido à introdução, em simultâneo de um conjunto profundo de alterações legislativas, emitidas pelo Ministério da Educação, que vêm mudar, para pior, a face da escola pública portuguesa e , no limite, condenar a sua própria existência.

Com efeito, as actuais políticas educativas impostas pelo Ministério da Educação e pelo Governo, nomeadamente no que respeita ao actual modelo de Avaliação do Desempenho Docente, às alterações efectuadas ao Estatuto da Carreira Docente, ao novo modelo de Autonomia e Gestão das Escolas e ao novo Estatuto do Aluno, têm conduzido a um claro prejuízo da qualidade do processo educativo, gerando um clima de desânimo e indignação, reflectido no quotidiano dos professores que já não têm tempo suficiente para se dedicarem por inteiro à razão de ser da sua profissão: ensinar os alunos a aprender.

Porque consideramos importante que todos os Pais e Encarregados de Educação tenham consciência das razões de tão generalizada contestação, sabemos que uma correcta e isenta informação é um elemento fundamental para a construção de uma verdadeira cidadania e é isso que, a cada dia, procuramos fornecer aos vossos filhos e educandos; não pretendemos a vossa compreensão e apoio só porque somos os seus professores: estamos certos de que, se houver informação isenta, fica clara a justeza da nossa posição:

1. Uma dessas razões é tanto dos professores e educadores como de toda a sociedade portuguesa, de todas as famílias que têm educandos na escola pública, dado que a pressão do Ministério para se fabricar, demagogicamente, um sucesso escolar artificial irá ter as mais funestas consequências nas qualificações das crianças e jovens que hoje frequentam o sistema público de ensino. É uma luta contra a pedagogia errada que o Ministério da Educação impôs nas escolas e que, em última análise, valoriza apenas a aquisição de competências básicas instrumentais, facilmente perecíveis e incapazes de preparem as novas gerações para os desafios do futuro.

2. Outra razão, que se prende com a primeira, é precisamente mediante a super campanha de entrega de computadores, iludir os motivos profundos do nosso atraso em matéria educativa: o facilitismo cada vez maior na transmissão dos saberes e nas exigências colocadas aos alunos, facilitismo que serve para gerar, estrategicamente, uma ignorância que bloqueia a emergência de futuros cidadãos críticos, capazes de usar as novas ferramentas de informação para, com elas, produzir conhecimento; o desajustamento dos conteúdos programáticos, que seguem a linha geral de degradação dos saberes; o número excessivo de alunos por turma que impede um acompanhamento minimamente individualizado dos mesmos, dentro de uma escola cada vez mais transformada num misto de armazém; o tempo que os professores gastam em tarefas acessórias – reuniões em ritmo semanal, produção e preenchimento de documentos inócuos, planificações feitas ao milímetro – que, lhes rouba as horas necessárias para se concentrarem no trabalho das aulas e nos alunos.

3. Outra razão é também a do número elevado de professores com grande experiência e ainda com muito para dar ao ensino, que já pediram a sua reforma antecipada, assumindo os prejuízos financeiros desta sua decisão, por força do esgotamento a que estão sujeitos e da impotência para se dedicarem àquilo de que mais gostam e que é a essência da sua profissão: os alunos e o sucesso educativo!

4. No que diz respeito ao processo de avaliação do desempenho dos docentes, todos reconhecemos a sua importância para garantir uma Educação e uma Escola Pública de Qualidade. No entanto, consideramos que o modelo de avaliação imposto pelo Ministério é inaplicável, injusto, perverso e, em vários pontos, ilegal.

É um modelo de avaliação que tem consumido muito tempo dos professores. Um tempo precioso para preparar as suas aulas e toda uma série de actividades que visam proporcionar a formação integral dos alunos e a melhoria das suas aprendizagens. Nada disto nos tem sido possível fazer! Não nos têm permitido ser professores!

Ex.mos Srs. Pais e Encarregados de Educação,

Nós Professores e Educadores, sempre fomos e queremos ser avaliados, exigimos e temos o direito de o ser através de um modelo de avaliação rigoroso, justo, credível e objectivo, de uma forma clara e transparente, não assente numa divisão inaceitável da carreira e que não desvie, inutilmente, os professores da sua vocação fundamental que é ensinar os seus alunos e ajudá-los a aprender, de acordo com procedimentos que sejam pedagógica e cientificamente consistentes, devendo, tal modelo, focar-se apenas nas dimensões que são da responsabilidade exclusiva do docente e que têm relevância para o processo de ensino-aprendizagem, que contribua para a melhoria das aprendizagens dos nossos alunos, motivando os professores e promovendo a qualidade e o prestígio da Escola Pública.”

Registe-se que: na União Europeia não existe este modelo, nem nenhum parecido, nomeadamente nos países mais desenvolvidos, não existe a divisão dos professores em titulares e não titulares. Em parte do nosso país (Açores e Madeira) também não.

Por tudo isto, estivemos 100 mil na rua a 8 de Março; fomos 120 mil a manifestarmo-nos no passado dia 8 de Novembro. No dia 3 de Dezembro, 94% do total dos docentes do país aderiram à greve nacional e estão envolvidos em outras lutas.

Porque se sentem atingidos na sua dignidade profissional e humana.

Porque defendem os superiores interesses da Escola Pública, uma escola pública de qualidade, mais justa, mais fraterna, mais democrática e com menos desigualdades sociais, que seja garante de transmissão às novas gerações do legado cultural, científico, artístico, humanístico e tecnológico, de modo a petrechar os jovens com instrumentos de exercício do pensamento crítico e a muni-los com uma sólida cultura geral.

Porque estão verdadeiramente empenhados na melhoria das aprendizagens dos seus alunos, os professores estão dispostos a continuar a lutar no intuito de reconquistar o direito de voltarem a ser professores.

Pais e Encarregados de Educação, porque é que a quase totalidade dos professores portugueses, Conselhos Executivos, todos os sindicados, toda a oposição e membros do PS estão contra estas políticas educativas. Até o próprio Conselho Científico da Avaliação dos Professores (estrutura criada pelo ME) nas suas recomendações, critica aspectos centrais do modelo de avaliação do desempenho.

Além de professores, também somos Pais e Encarregados de Educação. Também por isso, estamos disponíveis para colaborar em todas as reformas necessárias na escola portuguesa, estamos dispostos a mudar o que urge mudar e pedimos muito pouco em troca: que nos respeitem, que nos oiçam verdadeiramente e percebam que a nossa dignidade é inegociável.

Por tudo isto, esperamos ter do nosso lado aqueles a quem mais interessa que a Educação neste país seja valorizada e não espezinhada: os Pais e Encarregados de Educação..


Os Professores do Agrupamento Roque Gameiro

Amadora, 19 de Dezembro de 2008

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