domingo, 4 de janeiro de 2009

PACIFICAÇÃO NA AVALIAÇÃO DE PROFESSORES?

Caro(a) colega:

Face à notícia da promulgação das alterações simplex ao sistema de ADD, devemos permanecer confiantes e decididos a não desarmar. Até porque várias iniciativas estão aí para criar desenvolvimentos e, prevê-se, dificuldades aos propósitos do ME, como sejam a proposta do PSD na Assembleia da República para suspensão da avaliação (08.Jan), e a reunião nacional dos Presidentes dos Conselhos Executivos (10. Jan).

Não desarmando, enviei hoje, para publicação no jornal Público, o seguinte texto:


Pacificação na avaliação dos professores?
O Presidente da República acabou de promulgar a proposta de simplificação da avaliação dos docentes apresentada pelo ME, apesar de todos os sinais de que esta nova formulação, tipo simplex, não resolverá o problema da avaliação nem o conflito social que se criou sobre esta matéria. É público e notório que o "modelo", tal como foi desenhado, ainda que retocado, continua a não fazer sentido como sistema de avaliação que visa discriminar as boas práticas das práticas menos recomendadas. E que, mesmo tendo em conta que não está a ser praticado, as consequências das expectativas que desencadeia já promovem um acentuado deslocamento das atenções e dos esforços dedicados na actividade dos docentes, dificultando a acção e afastando os professores daquilo que é essencial, a saber:
- preparar as sessões de ensino/aprendizagem, ou seja, preparar convenientemente as aulas;
- organizar os contextos em que decorre o acto educativo (disponibilizando tantas vezes recursos pessoais, é preciso que se saiba, pagos pelos próprios professores);
- afinar as "ferramentas" para poder avaliar continuamente os alunos, tanto no decorrer da acção como em momentos posteriores (trabalho que se leva também para casa, e numa carga considerável);
- preparar a informação de retorno, quase diária, da avaliação contínua, para os alunos usarem como uma bússula, como referência das suas prestações e necessidades;
- montar as estratégias para contornar as dificuldades específicas de alguns alunos, tendo em conta os vários casos, sempre presentes em cada turma, de alunos com "Necessidades Educativas Especiais" (os alunos que a lei contempla e também aqueles que a lei deixou recentemente de abranger mas que precisam efectivamente dos cuidados especiais, apesar de terem visto esse direito negado nas recentes "reformas" - DL n.º 3/2008).
- trabalhar sistematicamente na sua formação contínua, em cursos, estudo e outras formas de actualização dos conhecimentos científicos e pedagógicos;
- ... muitas mais tarefas, preocupações ou competências de um professor, que estão a ser prejudicadas, poderiam ser aqui referidas, sendo de destacar, para não ser muito maçador, a capacidade para manter a serenidade e a paciência face às constantes recusas de colaboração e agressões psicológicas exercidas por muitos alunos ou, mais justamente, desencadeadas pelas múltiplas irresponsabilidades das respectivas famílias.
No ensino e na educação muita coisa seria melhorada, e seguramente mais produtiva, se aos professores fosse dada a gratificação de ver reconhecida, social e politicamente, a importância da sua função como contributo para o desenvolvimento de um futuro mais próspero das gerações sucessivas e, consequentemente, do país. Lamentavelmente, não é isso que está a acontecer. Aquilo que constatamos, no presente, é uma fraude considerável aplicada aos agentes do ensino e da educação, protagonizada, no mínimo, com uma enorme falta de lucidez por parte das instituições que deveriam praticar actos de superação e contributos positivos para o futuro deste pobre país.
O senhor Presidente da República, ao promulgar esta tentativa de remendar um tecido mal confeccionado, de autêntica fancaria, tomou uma decisão que não se antevê como podendo contribuir para a necessária pacificação desta contenda. Também a melhoria do sistema de ensino ficará, mais uma vez, adiada. E trata-se de necessidades urgentes, consensualmente postas em relevo, conforme o próprio sublinhou ainda não há muito tempo.
Jorge Lopes,
Coimbra.

1 comentário:

Anónimo disse...

Não esquecer a quantidade incrível de reuniões que nos marcam e que nos consomem a nossa carga horária não lectiva. Além disso,a maioria dessas reuniões nunca têm hora para acabar,decorrento para lá das duas horas legais. É demais, já não há pachorra!

Desde 01-01-2009


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