sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

PCE'S ADMITEM DEMISSÕES

Avaliação de professores. Uma centena de presidentes de conselhos executivos reúnem-se amanhã em Santarém para discutir os problemas que a avaliação está a gerar nas escolas e decidir a posição a tomar.

Dirigentes dizem que escolas estão a ficar “ingovernáveis”

Os cerca de 100 presidentes de escolas que se vão reunir amanhã em Santarém estão a planear demitir-se em bloco como forma de protesto contra a avaliação dos professores. Ao que o DN apurou, os líderes dos conselhos executivos vão discutir esta hipótese por considerarem que as novas regras da avaliação, introduzidas com o simplex, lhes criou mais pressão e tornou intranquilo o ambiente nas escolas.

Membro do Conselho de Escolas, órgão de aconselhamento do Ministério da Educação, Jorge Jerónimo vai participar no encontro de amanhã e reconhece que a demissão dos conselhos executivos vai ser discutida à mesa do almoço. “É um cenário possível. O que está em causa é o descontentamento face à pressão colocada pelo Ministério da Educação em cima dos órgãos de gestão das escolas”, informa o presidente da Secundária D. Duarte, em Coimbra.

Ana Lourenço, presidente de outra escola que vai estar representada no encontro - a secundária José Falcão de Coimbra - considera viável esta posição de força: “A resposta às questões que colocámos ao ministério demorou tanto tempo e as pressões que estão a ser exercidas sobre os conselhos executivos são tão grandes que esta é uma hipótese a ser apreciada.” Jorge Jerónimo acrescenta que a demissão é mesmo “mais viável do que arranjar formas de bloquear a avaliação, que vão contra a lei”.

Caso avancem para a demissão em bloco, os presidentes de escolas sabem desde já que têm o apoio dos professores. “Os conselhos executivos foram eleitos pelos professores, que estarão ao lado dos presidentes se eles decidirem enveredar por esta justa forma de luta”, garante ao DN Ilídio Trindade, do Movimento Mobilização e Unidade dos Professores.

Ramiro Marques, autor do blogue Profavaliação, também admite que se fosse presidente de conselho executivo pedia a demissão: “Não seria refém. Uma atitude dessas teria um enorme impacto na opinião pública. Iria fragilizar o Governo e aumentar o ânimo dos professores.”

O presidente do Agrupamento de Escolas de Sequeira, na Guarda, José Grilo Santos, não vai amanhã ao encontro nacional em Santarém, mas concorda que o Estatuto da Carreira Docente e o modelo de avaliação estão a gerar dificuldades na gestão das escolas.

“Se calhar os conselhos executivos podem não ter condições para governar”, alerta Grilo Santos, que defende que os presidentes se podem demitir “se as escolas se tornarem ingovernáveis”.


In Diário de Notícias.

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