terça-feira, 20 de janeiro de 2009

VENCEREMOS ESTA "GUERRA"

Seria óptimo se pudessémos dormir em Paz, porque a Greve foi um sucesso e "A GUERRA" deveria estar ganha.

Mas esta LUTA - é bom que tenhamos a plena consciência - é uma "Guerrilha", onde vamos marcando pontos, mas que ainda está LONGE DO FIM.

Estamos nos meses mais decisivos da nossa Profissão, que irão marcar o nosso Futuro como Classe Profissional, como cidadãos responsáveis deste País. As vozes críticas têm os olhos postos em nós e interrogam-se se seremos capazes de continuar e levar a bom termo o que nos propusemos.

Tivemos a coragem de enfrentar, de cabeça erguida, este Ministério da Educação e este Governo. Não vacilamos perante todo o tipo de ameaças e insultos com que fomos presenteados desde que esta equipa ministerial e governo tomaram as rédeas do poder. Andamos em LUTA desde Abril de 2005! É verdade, há quase quatro anos!

De forma faseada, fomo-nos inteirando das coisas, mas a afronta aos Professores começou desde aí.

Neste último ano, ficou claro que ou os combatíamos ou éramos engolidos e, connosco, a Escola Pública.

As eleições, se não houver a antecipação tão desejada pelo PM, serão em Outubro. Portanto, temos pela frente cerca de três meses decisivos.

Chegou-se a um ponto de não-retorno, não podemos voltar atrás, sob pena de se perder todo o sentido daquilo que fizemos até ao momento e perdermos "A FACE". Se recuássemos, ninguém entenderia, nem nós mesmos. As nossas consciências não nos deixariam ter serenidade e, dentro de poucos meses, iríamos colher os frutos amargos de um possível recuo.

Chegou o momento de termos de tomar decisões individuais e não de ficar à espera de ver o que os outros fazem. Chegou a hora de cada um fazer a sua parte com a total certeza de que cada acto individual pode hipotecar o nosso futuro ou levá-lo ao êxito que nos propusemos. O nosso êxito será, entre outros:

- Dignificar a classe profissional a que pertencemos;

- Voltarmos a ser professores a tempo inteiro, e não apenas nos intervalos dos actos burocráticos, administrativos e das infindáveis reuniões sem sentido;

- Salvarmos a Escola Pública da sua total derrocada e garantir a todos aqueles que não podem pagar, ou não querem pagar, os absurdos das Escolas Privadas terem realmente uma Escola de qualidade, onde, além de se aprenderem matérias específicas, que ajudam a escolher uma via profissional, preparem também para a Vida.

Fala-se muito em cidadania e preparar para a cidadania! Mas esta política (des)educativa tudo tem feito para a destruir.

É preciso que os jovens aprendam a valorizar os outros, a respeitar os seus familiares, os seus professores as pessoas com quem se cruzam. É preciso resolver as grandes assimetrias sociais deste País, não com paliativos eleitoralistas, mas com medidas que terminem com os guetos existentes por esse Portugal fora, com predominância nas grandes cidades e suas zonas periféricas.

Esta ajuda, a resolução destes problemas, passa por uma Escola Pública humana, com rosto, cultural, forte, consolidada onde os professores possam ser professores respeitados, acarinhados por toda a comunidade e pelos Governos e Equipas Ministeriais que passem pelo ME. Caso contrário, tudo não passa de um faz-de-conta e hipocrisia, que já dura há demasiado tempo.

Há que mudar, mas indo à raiz dos problemas. A não ser assim, continuaremos a ser um País adiado, a ler Guerra Junqueiro e Eça de Queirós reparando que a sociedade que eles descrevem é a que continuamos a ter mais de um século depois. Uma Nação assim... não tem futuro.

Sei que muitos não gostam de pensar em termos políticos, mas, caros colegas, tudo é política e cada vez mais esta está presente nas nossas vidas, não só profisssionais, como em outras vertentes que temos de enfrentar. Tornou-se impossível dissociá-la das nossas vidas. Temos de tomar decisões... e isso é política.

Conscientemente ou não, transformamos a Democracia Representativa, na qual nos íamos arrastando, pois decidíamos onde votávamos e depois resignávamo-nos até ao próximo acto eleitoral. Isso mudou. A partir do momento que desafiamos o poder instalado, iniciamos o ciclo da Democracia Participativa e, com ele, a responsabilidade de tomarmos decisões.

Os mais atentos também se apercebem que, afinal, governar em Democracia não é nada fácil. Daí a grande apetência pelas maiorias absolutas e em as transformarem em "poderes absolutos, do quero, posso mando e obedece" e, com elas, se cair em "ditaduras" mais ou menos encapotadas.
Nós tivemos a coragem de dizer "BASTA".

Neste ciclo vamos estar mais sós, porque vemos alguns colegas escolherem caminhos aparentemente mais fáceis, mas só aparentemente, porque fugiram a tomadas de posições claras em prol de todos, e partiram à procura dos seus interesses individuais. Mas esse tempo já lá vai. Por isso, os que enveredaram por esse percurso irão sentir na pele, brevemente, o erro cometido e perceberão que sozinhos terão apenas alguns êxitos no imediato e, talvez (ou melhor, o mais certo), nem no imediato. Portanto, que essas atitudes não criem desânimo nos que continuamos firmes, mas reforcem a nossa Vontade e Determinação em Vencer esta Luta.

Assim, preparemo-nos para a próxima etapa: todos a Belém dia 24 de Janeiro, às 14.30h, para a Manifestação/Concentração junto do Palácio, que é a morada oficial do Presidente da República, o primeio Magistrado da Nação.

É hora do Senhor Presidente nos "VER", "OUVIR" e tomar uma posição clara e inequívoca sobra toda a problemática que envolve a Classe Docente. É hora de mostrar de que lado está, pois já passou o tempo de se estar em cima do muro sem ter de decidir para que lado se vai.

Penso que é a primeira concentração junto da residência Presidencial e, sendo assim, também iremos abrir um precedente. O mundo está a mudar e aqui somos o mote dessa mudança no sentido Positivo.

Após esse dia de Luta, outras se devem seguir. Preparemo-nos para todas, sem saltar nenhuma. Só com determinação e união venceremos. Dia a dia vai travar-se a "guerra interna" provocada por todos aqueles que claudicaram em nome dos seus interesses, que irão pôr à prova as nossas decisões individuais. Mas não esqueçamos que outros colegas, "muitos", estão firmes e que todos somados faremos muitos milhares que mudarão o rumo nefasto que a Educação estava a levar em Portugal.

Todos preparados para todas as Lutas visíveis, venham de onde vierem, somos todos professores com o mesmo objectivo.
Portanto, importa é participar e estarmos Unidos no mesmo propósito.

Luísa Coelho

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