domingo, 1 de fevereiro de 2009

AVALIAR RESPONSAVELMENTE!

Ao tomar contacto com o blog "Movimento para a mobilização e unidade dos professores", gostaria de partilhar um contributo para uma reflexão sobre esta matéria ... em prol do conceito de responsabilidade na Educação.

Foi o meu caso pessoal, mas poderá vir a ser o caso de muitos docentes que, embora com muito mérito, não poderão vê-lo reconhecido.

Respeitosamente

D.P.




Uma reflexão sobre o actual modelo, assente no conceito de Responsabilidade pessoal e social

Avaliar é uma tarefa de responsabilidade… de grande responsabilidade!
Principalmente se tivermos em consideração que, essa mesma avaliação pode servir de estímulo, de reforço, de evolução e de crescimento…. Ou, pelo contrário, de alimento de uma letargia que incentiva o “faz de conta” da evolução, que exclui, que compromete objectivos e desvaloriza quem, de facto, investe com brio e competência.
Cada docente compreende como ninguém o peso de uma avaliação “não justa”, o impacto que se faz sentir na evolução de cada aluno e no sentido comunitário de crescimento e de desenvolvimento.

Assim é com a avaliação de desempenho!
A cada docente, sempre coube, a missão de se autoavaliar de forma crítica, responsável consciente, e evolutiva (qual o docente que nunca apresentou o seu relatório critico de actividade docente ou avaliação de desempenho?).
Mas, se o modelo anterior não reconhecia o mérito … o actual modelo, para além de o não reconhecer, cria situações de grave desigualdade e de instabilidade.
Vejamos um caso real passado numa escola da Região Centro!
De acordo com o Modelo de Avaliação de Desempenho, a docente contratada foi avaliada nos seguintes parâmetros:
Clicar em cada uma das imagens para ampliar.


Como é fácil verificar, com este modelo de avaliação:
Pode um docente desempenhar com zelo e máxima exigência as suas funções (Foi o caso!);
Pode frequentar acções de formação contínua, tendo em vista o seu aperfeiçoamento e profissionalismo … e pode até ter uma avaliação excelente nas que dizem respeito à sua área de docência (Foi o caso!)
Pode cumprir o serviço distribuído (nas actividades docentes e não docentes) muito para além do exigido (Foi o caso!);
Pode estabelecer parcerias de sucesso com os demais agentes da comunidade educativa, como a Associação de Pais, … (Foi o caso!);
Pode ver sumamente elogiado o seu trabalho (interna e externamente). Pode, inclusive, até haver registos (Actas de Conselho de Turma) que atestam a qualidade do trabalho desenvolvido (Foi o caso!)
Pode cumprir serviço oficial durante o fim-de-semana, a fim de não penalizar a componente lectiva dos restantes professores (Foi o caso!)
Nada disso pesará no seu desempenho, já que a atribuição de mérito estará PRÉ-DESTINADA e influenciada por outros factores que não os de uma verdadeira distinção de mérito.

Nesta avaliação de “faz de conta”, onde o que conta é tudo menos o mérito, o que ficará verdadeiramente comprometida é a consciência do avaliador (Quem arriscará a comprometer a carreira de um colega que, servindo connosco a “comunidade” educativa, com elevado mérito e dedicação, não pode ver reconhecido esse mérito, por não caber nas quotas? Quem poderá sentir tranquilidade por estar a julgar um colega, em função de critérios arbitrários e subjectivos?). A existência de uma lei, não isenta o avaliador da sua responsabilidade pessoal e social nesta matéria.

Esta é, de facto, a avaliação que passa um traço por cima do mérito de quem tem amor à arte de Educar e que compromete o futuro de quem realmente investe na evolução de desempenho, antes da avaliação de desempenho.

Façamos da avaliação de desempenho uma verdadeira evolução de desempenho!

A docente avaliada

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