quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

CARTA DE UMA DIRIGENTE SINDICAL À FNE

Aqui se transcreve a carta de uma dirigente sindical (omitindo os elementos de identificação), enviada no dia 20-02-2009, ao presidente da FNE, a propósito das últimas posições e declarações dos dirigentes daquela federação.
Felizmente, muitos dos nossos colegas delegados sindicais que estão nas escolas são verdadeiros lutadores.

Caro Presidente da Fne

João Dias da Silva:

Antes de entrar nos assuntos que decidi dirigir-lhe e reflectir sobre as mesmos, vou apresentar-me.

Sou sindicalizada no XXXX (sindicato da Fne em XXXX) com o nº de sócia: xxxx; também sou dirigente sindical na Escola, onde cumpro horário laboral normal e em simultâneo o meu trabalho de vossa dirigente sindical também a tempo inteiro.

Estar no terreno não é fácil, principalmente, desde Abril de 2005, quando este governo, que só nos tem enxovalhado, maltratado começou a fazer-nos a vida negra.

Mas no que me toca, dei sempre a cara; não sou daqueles dirigentes que se limitam a "alimentar" os placards e tentam passar despercebidos.

No sindicato de XXXX a que pertenço, sabem que podem sempre contar comigo para mobilizar os colegas e revitalizar o sindicalismo, que estava moribundo na escoa onde actualmente estou.

Estamos a passar um período de excepção, em que as posições e medidas de excepção são necessárias e cruciais pois a Classe Docente, desde que estou no ensino há mais de vinte anos nunca foi tão mal tratada, vilenpiada por um Governo e uma equipa ministerial. Assim é com muita preocupação e angústia, que esta 6ªf ouvi as suas declarações de um possível entendimento com esta equipa ministerial moribunda e de seguida as que foram feitas com ar cínico, vil pelo Jorge Pedreira.

Eles querem tentar quebrar a espinha dorsal dos professores e ao não o terem conseguido através da implementação do "Simplez", pois felizmente muitos milhares de professores continuaram a resistir e não cairam no logro que o ME e Governo nos tentaram aliciar e depois tentaram conseguir através das ameaças mais torpes, que a continuarem assim irão fazer parecer muita atitudes do Estado Novo de meninos de coro ( já digo e penso coisas, que nunca pensei vir a exprimir), estão a tentar dobrar e dividir pela via sindical. Tenho muito ORGULHO de na minha escola muitos docentes não termos entregue em nenhuma das etapas os OIs e claro fui a 1ª a dar o exemplo.

Hoje ouvi e vi na comunicação social, a seguir à sua intervenção e do Secretário adjunto, que para ambos não interessava em anos de eleições manter este conflito!!!!!....

Algo que me pareceu inacreditável. Desde quando um ano de eleições é intocável, quando quem tem a governação comete atropelos de toda a ordem, afrontas, ilegalidades e querem tranquilidade??? para quê? Para tentarem ludibriar mais uma vez...

Nestes tempos muito difíceis para o sindicalismo, tinha conseguido a proeza de mais 3 sócios, numa altura em que segurar os que estão é tarefa árdua, pois só se ouvem os colegas a manifestar a vontade de se desincalizarem e se muitos ainda o não fizeram é devido às tentativas de presuasão e também por alguma inércia uma vez que todos pagam por transferência bancária e como por razões de segurança preferem ir ao banco tratar desses assuntos, vão adiando e muitos sócios aí continuam. Mas estes 3 potenciais sócios, que tinham levado os formulários para virem engrossar as fileiras da Fne já me comunicaram por sms e mail, que a inscrição vai ficar de momento suspensa e a ser verdade que a Fne vai fazer algum acordo com este ME e se está a afastar da Plataforma Sindical; como tudo indica, quando o momento era de unir esforços, não concretizarão as suas inscrições; e como estes outros casos haverá pelo país...

O orgulhosamente sós nunca deu bons resultados, principalmente quando se depende de pessoas para se poder existir. Ora se nos dizemos representantes duma classe e depois a defraudamos o risco é perderem-se os sócios, apoiantes e sem estes corre-se o risco de diminuir drasticamente ou desaparecer. A Fne está com pouco mai s de 20 nos de existência, conseguiu tornar-se a 2ª central sindical docente é legítimo que aspire poder chegar a nº 1 ou aproximar-se cada vez mais disso, mas tem de o fazer de acordo com o sentir dos professores e não interpretando esse sentir como entende.

Em Fevereiro de 2007 no último dia do congresso do XXXX, da parte da manhã disse na minha intervenção, que um sindicalista no activo se tiver ligações e filiações partidárias para exercer devidamente as suas funções de sindicalista, tem de esquecer a política-partidária activa porque eticamente ambas são incompativeis, porque não se pode estar em oposição a políticas erradas de um partido ou governo e a nível partidário pactuar com ele. Isso teve aplausos e também reações diferentes por quem se sentiu atingido. Na sua intervenção de encerramento pegou nas minhas palavras, que elogiou e disse comungar do mesmo sentir. Esta 6ªf os jornalistas fizeram a leitura de que os interesses político-partidários nas eleições, que se avizinham, estavam a aproximar ME e FNE.

A classe está em pulvorosa, como deve imaginar e qual é a orientação de tudo isto??? Na escola vão cair-me em cima e já estou com falta de imaginação para improvisar e argumentar, em defesa de ideologias que não se entendem muito bem; com dificuldades acrescidas quando os colegas têm boa memória para nos lembrarem todos os acordos em que a Fne pactuou com os diversos MEs incluindo este, e roeram a corda.

Quando li a 1ª proposta do modelo de avaliação de Fne fiquei preocupada e perplexa, porque o mesmo continha dois itens, que continham o "titular" encopotado com a preparação especial para cargos pedagógicos intermédios com acesso através de concurso interno ou externo, era o afunilar da carreira, só que em vez de se falar em professores e titulares, falavasse apenas de professores, mas nesta situação a carreira ficava dividida em duas embora encopotadas... Por outro lado contemplava como requisito da auto-avaliação o processo de avaliação de aprendizagem dos alunos; além de que mantinha uma estrutura de 2 em 2 anos de auto-avaliação, que pouco se afastava do modelo "Complex" do ME tão contestado e que nos obrigava a andar em estágio permanente... Por isso não me surpreendeu que o Jorge Pedreira na semana passada tivesse dito, que as propostas da Fne se assemelhavam às do ME e que poderiam chegar a bom termo. Ora isto é tudo o que os docentes não querem. Estas propostas não constam do último projecto da Fne e respirei de alívio; até porque na reunião sindical de XXXX foi dito que não estavam em cima da mesa das negociações.. ora não estando apesar da nossa proposta ser um decalque da do ME onde se agarrou esta 6ª o Jorge Pedreira para dar quase como certa uma convergência'' Se fôr assim para que se andam a fazer plenários pelas escolas a fim de apresentarem a proposta e colherem a opinião dos docentes?? Parece-me que isto nunca deveria ser em sobreposição. Defender uma avaliação Competitiva é manter o mau ambiente nas escolas e se trabalhe apenas para a avaliação e não para os alunos. Mas será que importa trabalhar para os alunos? Pois quando a apetência pelo poder a qualquer preço predomina, não interessam classes sociais capazes de pensar, analisar, raciocinar... É da História, basta saber um pouco da mesma.

Ouvi perguntar o que se queria dizer "Deixem-me SER PROFESSOR(A) " nas manifestações, em muitos manifestos...

Quando se não está afastado da Escola sabe-se sem problemas, o que se quer dizer; aqui ficam algumas coisas que sintetizam essa frase.

- Antes da desistência dos OIs o feitio andava irrascível, não se criavam os laços afectivos tão importantes entre professor e aluno--isso é não ser professor-

Ser professor é:

- Dar aulas onde se ensinam não só os conteúdos das respectivas disciplinas, mas se ajuda a preparar para a vida.
- É-se psicólogo; ouvinte; orientafor, tutor, conselheiro familiar(qd DT), sociólogo, interventivo em processos de Crianças e Jovens em Risco; Família; DT, Coordenador de DEpartamento, Co coordenador; gestor de conflitos etc..

- Como a preocupação pelo bom desempenho dos nossos alunos tanto a nível das aprendizagens como a nível da cidadania é constante, mesmo não sendo DT , quantos professores das suas casas telefonam para os pais dos seua alunos a tentarem que estes se sensibilizem e participem na educação e aprendizagens dos seus filhos, porque a referência principal è sempre a família? Isto é o trabalho da "formiguinha" que é muito importante mas não se apregoa aos 4 ventos.

Não será isto "Ser Professor"? ou "Ser Professor" é andar atolhado em papeis inuteis, burocracia, reuniões intermináveis e inuteis, cargos com trabalho sem sentido, e nos intervalos de tanta loucura ir dar umas aulas?? Como tem de se preocupar com uma avaliação "competitiva" a fazer planificações visualmente irrepreensíveis, assim como todo o tipo de docs para o dossiê ou portefolio; fazer pelos alunos os trabalhos para exposições etc a fim de que estejam primorosas, a engraixar o poder com pseudo-eficência etc , etc , isso é que é "ser Professor"??? Depende do estomago e formação ética e interior de cada um.

Espero que de algum passo mal calculado a Fne não saia fragilizada e comprometida. Pois estou no sindicalismo activo, porque acredito que pode ser exercido com humanidade, com rosto em prol de uma classe profissional e em consequência em prol de uma classe discente mais preparada para a Vida em todas as suas vertentes. Se quisesse o Poder pelo Poder continuava na actividade politico-partidária onde já me movi, mas que deixei porque me enojavam os jogos pouco claros de exercer a política. Esta não era e continua a não ser em prol dos cidadãos, mas em prol de votos de conquista de poder, de interesses individuais, de alternância e não alternativa. Nunca me revi em ditaduras viessem de onde viessem, talvez seja utópica mas acredito na Democracia e num Estado de Direito, onde é difícil mandar. porque nestas duas situações é que se conhecem as verdadeiras qualidades de liderança e dá trabalho, muito, porque é preciso saber passar bem as nossas ideias, não as impor, aceitar as dos outros ou quando não nos parecem aceitáveis, saber refutá-las pelo diálogo firme e convincente; por isso é que aparecem tantos ditadores e pseudo-ditadores.

Termino, desejando que a nossa Central Sindical não se afaste da classe que representa e saia reforçada de toda esta contenda.

Saudações sindicais
[assinatura]

4 comentários:

Isabel Pedrosa Pires disse...

Solidariedade para esta dirigente.

Isabel Pires - Dirigente SPGL

Anónimo disse...

Todos unidos venceremos...AQUI DEVEREMOS LUTAR PELA CLASSE PROFISSIONAL E RESPEITO

Anónimo disse...

xiiiiiiiiiii a colega é das tesas e dá aulas, logo sabe do que fala... mas ou eu me engano ou na FNe já era.

Fernando Inácio disse...

Solidariedade, sim, sempre.É uma palavra bonita, mesmo na boca de quem não sabe o que significa nem tem por hábito pô-la em prática. Mesmo não sendo professor, tenho por hábito visitar alguns blogs e até tenho sido solidário com a luta dos professores. Mas há limites!
Quando li o "xiiiiiiiiiiiiii" do comentário anterior, até tremi: pensei que também ele vira o que é impossível não ver. Como é possível uma PROFESSORA (??????) escrever um texto com tamanha enormidade de erros? E ainda têm lata de falar/escrever sobre o mau uso da língua e das suas regras, relativamente à "chefe" da Dren? Ao pé deste artigo, escrito por uma PROFESSORA, o ofício da dren é mel.Alguém sugeriu por aqui que fosse enviado o ofício da dren à respectiva procedência com os erros corrigidos. Sugiro que se faça o mesmo a este. Ou melhor: que este seja enviado à dren, para regalo de quem então possa dizer: é por isto que os profs não querem ser avaliados. Tenham dó. Eu não quero os meus filhos ensinados por professores desta natureza, mesmo que concorde com as suas ideias. Um professor, para o ser e merecer o nome, tem de SABER ESCREVER.

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