terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

OS 10 MANDAMENTOS DA EDUCAÇÃO

Artigo alterado/adaptado de um artigo de uma professora do ensino secundário (jornal Sol) – Prof. Henrique Faria


1.ª – O ensino unificado (5.º ao 9.º ano) não serve. Deveriam existir, pelo menos, dois currículos (eventualmente três), um deles com uma maior componente técnica, currículos diferentes não só no que respeita ao número, natureza das disciplinas e carga horária das mesmas como aos respectivos programas.

2.ª –A ausência de reprovações não responsabiliza nem alunos, nem pais, nem professores e compromete negativamente toda a aprendizagem dos alunos com dificuldades, mas a reprovação por si só também não tem a desejada eficácia. Por isso, a partir do 5.º ano, as disciplinas deveriam ter os programas organizados por níveis de aprendizagem, progredindo o aluno em cada disciplina de ano para ano por níveis, não podendo aceder ao nível seguinte sem o domínio do que é essencial do nível anterior. Completada a alfabetização/literacia a 100% do povo português, já seria possível a progressão sem reprovações, mas com diplomas finais distintos.

3.ª – A abolição dos exames foi um erro. A existência de exames (provas de avaliação externa) com um peso de 50% é essencial para a responsabilização de todos os intervenientes no processo educativo, desde o 4.º ano de escolaridade e a todas as disciplinas (no 4.º, no 6.º, no 9.º no Ensino Básico; e em cada disciplina terminal no Ensino Secundário).

4.ª – Os currículos estão desajustados. É necessário que tenham um número equilibrado e ajustado de disciplinas, devendo desaparecer desde já as instrumentais como, por exemplo, «Área de Projecto» e «Estudo Acompanhado». No currículo mais académico, por exemplo, deveriam desaparecer disciplinas como ET, EM ou Francês (no 3º ciclo), diminuindo a carga horária semanal dos alunos.

5º - A adopção de farda obrigatória na escola, tanto por parte dos alunos, como por parte dos docentes, com trajes formais mas práticos (como já é feito nos colégios privados), contribuiria para exteriorizar uma imagem mais séria e responsável da escola, que também se reflectiria positivamente nos comportamentos e nas atitudes.

6.ª – A escala de classificação de níveis de 1 a 5 aplicada do 5.º ao 9.º ano é má, pois propicia o laxismo e não incentiva as realizações dos alunos. Na escala de 0 a 20, um aluno que tenha 10 valores esforça-se e vê o seu esforço recompensado, passando a sua nota, por exemplo, para 12 ou 13, mas, na escala de 1 a 5, o mesmo esforço num aluno que tenha obtido 3 não o faz mudar de nível (continua no 3), o que, naturalmente, o desmotiva.

7.ª – O número de alunos por turma é outro dos problemas: turmas de 24 a 28 alunos não são compatíveis com uma aprendizagem de qualidade no tempo presente. As turmas deveriam ter no máximo 20 alunos.

8.ª – O absentismo dos alunos e a indisciplina são factores que comprometem a sua aprendizagem. O recente estatuto do aluno não foi feliz nas soluções propostas. É fundamental a incidência da responsabilização nos alunos e nos pais/encarregados de educação e a exigência de uma postura correcta na sala de aula, com sanções claras e praticáveis para os alunos prevaricadores.

9.ª – A formação contínua tem sido inadequada às necessidades dos docentes. Esta formação deveria estar a cargo das universidades, mas havendo uma intervenção directa do Ministério da Educação no que respeita aos objectivos e conteúdos, bem como à organização e à qualidade, sempre no pressuposto de que responderia às necessidades específicas de cada grupo disciplinar, ou necessidades dos docentes de uma forma mais geral.

10.ª – A avaliação de professores deve ser feita tendo como referência um perfil do bom professor (ou boas práticas) no quadro dos grandes objectivos do Sistema Educativo – definido pelo Ministério da Educação. A partir daqui, ao nível da escola/agrupamento, quando fosse detectado um professor com dificuldades ou em falta, criar ou usar os mecanismos necessários para a sua avaliação construtiva. No caso de reincidência no incumprimento dos deveres do docente, então seguir com rigor o previsto no actual estatuto da carreira docente para o “insuficiente” ou “mau”.

4 comentários:

odnamra disse...

JÁ NÃO ESTOU SOZINHO, SÓ QUE NA MINHA ESCOLA QUANDO DIGO COISAS PARECIDAS, DIZEM QUE EU ESTOU DESADEQUADO ( EU ADMITO QUE DIGAM QUE ESTOU DOIDO), QUE NÃO PODE SER ASSIM.
ISTO VAI BATER AINDA MAIS NO FUNDO E ENTÃO... VAMOS VER QUEM TEM TAZÃO.
"DE PEQUENINO SE TORCE O PEPINO" SE OS MALEDUCADOS NÃO COMEÇAREM A LEVAR UM TABEFE NA CARA NO MOMENTO EXACTO ELES CONTINUARÃO QUANTO FOREM MAIS VELHOS A BATER NOS PAIS E NOS PROFESSORES!
A EDUCAÇÃO E AS REGRAS DE COMPORTAMENTO TÊM QUE SER IMPOSTAS À FORÇA E MAIS NADA... HAVERÁ CONCERTEZA AQUELES EM NÃO SERÁ NECESSÁRIO A APLICAÇÃO DA FORÇA.
AGORA TAMBÉM EXISTEM.
TEM QUE SE INVESTIR NOS BONS ALUNOS.
OS VÁRIOS MINISTÉRIOS ATÉ AQUI SÓ TÊM INVESTIDO NOS MAUS ALUNOS.
E MAL ,PORQUE DE FACTO DEVIA HAVER FORMAÇÃO PROFISSIONAL DESDE MAIS CEDO.

Anónimo disse...

Não sendo professora de nenhuma das disciplinas a excluir,fico preocupada, pois considero a ideia demasiado leve.
Como língua estrangeira só ficaria o Inglês? E a parte artística,não precisamos dela para um crescimento mais equilibrado?

Anónimo disse...

A componente artistica já estaria contemplada nas disciplinas de EVT (2º ciclo) e EV (3º ciclo). Poderíam também existir actividades extra-curriculares direccionadas para as artes, como a música, a dança, o teatro...!

kekanelas disse...

1ª – Andar para trás 30 anos? A solução passaria pelo ensino básico integrado, e uma vez que falamos de escolaridade obrigatória (que se prevê se estenda até ao 12º) é fácil entender o erro crasso que foi continuar a dividir o ensino por ciclos, ou "capelinhas", e que resultou na desarticulação dos currículos e programas emanados do ME.
2ª – Se o ensino é compulsivo, as reprovações são um disparate. Não gosto muito de fazer comparações com o que se faz "lá fora", mas se os alunos são obrigados, por lei, a frequentar a escola então esta será obrigatoriamente gratuita e proibidas as reprovações, por motivos óbvios.
3ª – Exames? Brincamos? Então estamos a falar de Educação ou de Instrução?
4ª – Disparate completo, quer logo acabar com as Áreas Curriculares não Disciplinares que, na minha modesta opinião, são tão ou mais importantes que as outras disciplinas; só se esqueceu de Formação Cívica, que será também outra "excrescência" do currículo (como ainda há bem pouco tempo ouvi um professor insuspeito chamar às ACND's). Descansem, o ME já está a pensar em fazer-vos a vontade. Claro que não podiam ficar esquecidas as Expressões, já agora acabava-se também com EV no 3º Ciclo.
5ª - A ideia é tão ridícula que é melhor nem comentar.
6ª - Mais uma perspectiva errada. Qual é o problema da escala de 1 a 5? Pode fazer contas na mesma: um aluno de cincos no Básico corresponderá a um aluno de vintes no Secundário e Superior.
7ª – A única, até agora, em que lhe dou razão, e acrescento "no máximo dos máximos 20 alunos". Não é preciso ser professor para saber isso.
8ª – Esta foi copy/paste de um artigo qualquer, já toda a gente sabe (até os alunos e os pais) que este novo Estatuto do Aluno é completamente disparatado. Verdades de La Palice dispensam-se quando se quer fazer valer uma opinião consistente.
9ª – Mais intervenção do ME? Duh!...
10ª – Manuela Ferreira Leite diria melhor: avaliação externa, de preferência feita por empresas especializadas.

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