terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A PLURALIDADE DOS ESTILOS NA PRÁTICA DEMOCRÁTICA

Colaboração de Artur Gonçalves

Estilo eleitoral

E chegou-se à seguinte situação: o ministério da educação a teimar em querer avaliar os professores e estes a não quererem ser avaliados com este modelo de avaliação – complexo, burocrático, injusto, avassalador. Não deixando espaço para a verdadeira função da escola: ensinar e formar os alunos.
Uma quantidade tão grande de discordantes, leva o Sócrates a temer que, nas próximas eleições, venha a perder a maioria que agora o faz ser tão arrogante e autoritário. Não admira, pois, que um dos slogans das mega-manifestações dos profesores, fosse: «Não votem PS».

Estilo comunista

Trata-se de uma guerra entre a povo e o grande capital; uma luta das elites contra o povo trabalhador e explorado pelos gulosos capitalistas. Abaixo os capitalistas! Vivam os trabalhadores!

Estilo católico

É fácil de ver: os professores não querem ser avaliados. E revoltam-se. Reparem que eles são uns privilegiados: ganham muito em relção aos restantes trabalhadores. Coitados dos pobres que vivem à custa dos maiores sacrifícios e muitos com o salário mínimo! E as famílias numerosas e desprotegidas por um Estado despesista a favor dos ricos, sem regras nem ética e apostado nas apostas fracturantes como o aborto e a defesa dos homosexuais. É um governo que não tem favorecido as crenças religiosas, nem a família. Aí está o resultado: o défice de natalidade num país maioritariamente católico. Onde estão os valores cultivados antes pelos portugueses?

Estilo anarquista

É melhor deitar fogo às escolas e reconstruir os meios de aprendizagem a partir de zero. Morte aos exploradores! Morte aos partidos e à Igreja que com eles come à mesa do orçamento!

Estilo financeiro

No meio deste aperto financeiro, há que salvar o país da falência. Os bancos devem cobrar menos juros, isto é, terem menos lucros, e serem mais transparentes. Chega de explorar os depositantes e os accionistas pelo grande capital com a luz verde deste governo que pretende desgovernar o sistema de ensino e destrui-lo de alto a baixo.

Estilo linguístico

A escola deve cumprir o fim para que foi criada: para ensinar os alunas a ler, escrever e contar.Tem obrigação de defender a língua portuguesa tão espalhada pelo mundo e tão mal amada e mal falada desde os bancos da escola.

Estilo jornalístico

As escolas estão em polvorosa. Há uma constestção generalizada da parte dos professores que se revoltam contra o Estatuto da Carreira Docente e contra a Avaliação do Desempenho. Pode falar-se de um verdadeiro boicote porque os professores não querem ser avaliados. Dizem que não com este modelo. O ministério da educação insiste e não larga mão destes dois instrumentos de qualidade do ensino. Já houve várias manifestações e, agora, os sindicatos arrancam para greves – uma nacional e outras sectoriais e distribuidas pelo final do primeiro período escolar.

Estilo notarial

Aos sete do mês de Fevereiro corrente, compareceram perante mim, notário da 4º Vara, dois contractantes F. e F., afim de assinarem um contrato de entendimento a propósito do sistema de Avaliação e do Estatuto da Carreira Docente. E para constar se lavrou o presente acta que vai ser assianda pelos três, nos termos legais.

Estilo ministerial

Vem este ministério acompanhando a revolta dos professores contra as leis em vigor no que concerne ao Estatuto da Carreira Docente e ao Processo de Avaliação do Desempenho. As leis aprovadas pela maioria em funções são para cumprir. E não nos afastaremos deste desiderato. A minisitra tem todo o apoio de todos os ministros seus colegas e do primeiro ministro. Isto é um aviso para os recalcitrantes, para o povo, em geral e, sobretudo para a oposição. A bem da República..

Estilo precioso

O mais belo ornamento da paz é a alegria e o sinal mais demonstrativo da alegria é a melodia. Queira Deus que, por um acto decisivo e fácil, a ministra ceda ao imperativos dos professores. Senhores ministros, a decadância da nossa democracia muito poderá dever à vossa intransigência e muito pode beneficiá-la se quebrarem a arrogância e a teimosia com que pretendem governar este país. Viva a democracia!

Estilo escolástico

Todos os governos que sejam democraticamente eleitos devem governar de haronia com o seu estatuto identitário e com as promessas eleitorais. Ora, este governo foi eleito democraticamente, Logo, deve cumprir as suas promessas eleitorais e uma delas – uma das suas bandeiras, é o reforma do ensino que está em curso, apesar da contestação dos profesores e dos sindicatos.

Estilo desportivo

O pelotão dos professores apressa-se a caminhar a passos largos vencendo todos os obstáculos e colocando-se na linha da frente até atingirem a meta que está próxima, depois de terem calcorreado muitos passos em passo acelerado. São todos autênticos corredores de fundo e todos querem atingir a meta em primeiro lugar. Embora isso seja impossível, todos pretendem obter boas classificações. O júri está a postos e atento. É preciso, depois de tanto treino, fazer por vencer no desporto, como no vida. Na vida profissional.

Estilo açucarado

Na vida não podemos comer sempre só guloseimas, como as crianças gostam de se alimentar. Há casos em que a comida é menos boa e, como metáfora, digamos que, por vezes, temos que comer comida amarga. Mas se pudermos alimentar-nos de comida mais a nosso gosto, sem prejuízo da saúde, é melhor. O que não é o caso, dado o (in)sucesso da generalizada contestação às reformas do ensino em curso.

Estilo parlamentar

Meus senhores: em nome do meu partido, devo dizer a Vexas que, tendo nós, a maioria parlamentar, temos o direito de fazer as reformas que julgamos convenientes. E a da educação é uma delas. Muitos discordarão, mas nós não abrimos mãos delas. Como sejam: a avaliação dos professores do ensino público e o Estatuto da Carreira Docente.
Voz da oposição: discordo, em nome do meu partido, de tudo o que o senhor deputado acaba de dizer. É preciso respeitar a vontade dos professores. Não se pode fazer uma reforma na educação contra os professores, como não de pode fazer a reforma da saúde contra os médicos, nem a da justiça contra os magistrados. Tenho dito.

Estilo medecínico

É certo que a educação estava em estado não direi comatoso, como quer o governo, mas em estado de doença que urgia tratar. Mas não se pode tratar um doente contra sua vontade, através de tratamentos de choque como aqueles que quer o ministério da educação. Também sabemos que não vamos lá com simples paliativos. Mas deve haver consenso entre os doentes e os médicos. Há medicinas alternativas que podem ajudar mais a curar o doente do que tratamentos desajustados à gravidade da doença. Também é preciso não exagerarmos e devemos, antes, fazer um bom diagnóstico da doença e estarmos atentos ao modo como o doente reage aos pretensos tratamentos.

Estilo folhetinista

O ruído das vozes tonitroantes das armas de pólvora seca da ministra não podem destruir os alvos, sobretudo quando estes não estão na linha de mira. A ministra que não se atreva a disparar à quema-roupa. Cuidado com os feridos graves, cuidado com aqueles que podem morrer nesta contenda que opõe ministrério e professores. Há palavras que matam mais do que armas porque deixam marcas indeléveis. Portanto, cuidado com a linguagem desabrida e descomandada.

Estilo eleitoralista (bis)

Apoximam-se as eleições. O povo saberá castigar este partido PS como ele merece. Porque tem tido um comporatmentao indigno de uma democracia, com o seu «posso, quero e mando». Nas urnas é que se vai ver a força do partido que nos tem desgovernado. Os professores somam mais de 500 mil votos nas urnas e os sintomas de inquietação e de receio dos professores prenuncia que este PS não terá a maioria. Mas a culpa é dele. Porque não quere dialogar com os professores.

Estilo emproado

Deixai passar o tempo e vereis se eles, os professores, vergam ou não. Eu não cedo porque me convenço que tenho a razão do meu lado. Os professores são empregados do Estado e, portanto, têm de obedecer às regras e às leis estipuladas nas leis e nos regulamentos da República.

Estilo marxista

Defendemos a luta das classes trabalhadoras – a força de produção contra os detentores do capital. Tem que se valorizar mais o trabalho social dos trabalhadores contido na mercadoria. O governo quer baixar os salários com as novas exigências da progressão na carreira, estabelecendo as quotas. Isso é contra a luta dos trabalhadores. Vivam os direitos do proletariado!

Estilo oposicionista

Tudo faremos, como partidos da oposição, para impedir que esta reforma da educação pela mão deste partido no poder vá para a frente. Nós estamos com os professores e contra o estilo arrivista do governo que pensa que a razão está sempre do lado dele. Aproximam-se as eleiçõs, veremos se eles não cedem, por razões meramente eleitoristas!

Estilo embrulhado

O discurso da ministra é um discurso incoerente e cheio de falácias. É preciso desmascarar este estilo traiçoeiro feito de promessas ocas e de paninhos quentes. Com papas e bolos se apanham os tolos, diz o povo e com razão. Por detrás de um discurso aparentemente coerente esconde-se um argumentário cheio de embustes e falsidades. Cuidado, pois com este estilo enganador.

Estilo zombeteiro

Eles hão-se reflectir, cair em si e reconhecerão as suas faltas e a sua teimosia. Preguiça! É o termo que que esconde atrás da sua recusa em obedecer a este modelo de avaliação que mais não é do que a separação do trigo e do joio. Sim, porque entre essa classe há muito joio e muita incompetência.

Estilo irónico

Está bem! Vamos dar-lhes razão! Eles é que estão no uso da razão e nós é que estamos enganados. Vamos ceder à suas exigências de facilitismo! E quero ver onde nos leva esta atitude de laxismo, do «laissez faire» e do deixa andar.

Estilo triunfalista

Nós havemos de vencer porque quem teima vence. E nós seremos teimosos o suficiente para vergarmos todos os recalcitrantes e obstinados. Não vamos ceder em matéria nenhuma, por mais insignificante. Para nós, todos os parâmetros da lei são importantes e já estamos a ver o dia em que toda a gente nos há-se vir cumprimentar e dar os parabéns. Diremos, então: valeu a pena lutar e sermos intransigentes para bem dos portugueses.

Estilo economicista

E há outro argumento que ainda não brandimos: com esta reforma do ensino, o erário público vai poupar muito dinheiro. Já viram o que é dar aos incompetentes o mesmo vencimento que se dá aos habilitados e competentes? Venham as quotas: Bom e excelente terão de ser excepções. Vamos correr a maioria com suficiente que não dá direito a bonus no ordenado, nem progressão na carreira.

Estilo trombeteiro

E cantam as trombetas porque venceremos numa luta desigual, mas justa e credível. Nunca as mãos nos doam por termos chegado aos louros da vitória. Foi longa a luta, mas valeu a pena. Já viram o que seria termos cedido numa altura em que nós temos a faca e o queijo na mão?

Estilo trauliteiro

É pegar ou largar! Não cederemos um milímetro! A nossa intransigência será a nossa bandeira. Que valem esses fedelhos de professores que dizem que vão para a greve, depois de se mostrarem nas ruas? Isso para nós nada significa. O bem dos alunos e o seu sucesso escolar está acima de todas as movimentações de hostilidade. A razão está do nosso lado. Havemos de vencer!

Estilo facilitista

Queremos que os professores se comprometam, à partida, nas suas fichas individuais, a subscrever a percentagem de aumento do sucesso escolar em relação ao ano anterior. O sucesso do seu desempenho depende, também, deste item. E é preciso que saibam que os exames terão cada vez menos peso prque serão cada vez mais fáceis e menos credíveis. As respostas continuarão a ser de resposta múltipla com grau de dificuldade zero. Para atrairmos mais dinheiros da CE. O ideal, a ministra já o disse, é caminharmos para a passagem dos alunos 100 por cento. Guerra às reprovações! Não há razão nenhuma que justifique os chumbos. Temos que sair do fim da tabela dos rankings europeus. E há-de isso ser com o PS no governo! Palavra de ministra!

Estilo Bloco de Esquerda

Este governo já se devia ter demitido. É só asneira sobre asneira. E não é só na educação: é na saúde, na justiça, nas finanças, na agricultura, na cultura, na economia, na administração interna. Trata-se de uma camada de incompetentes. É por isso que o país está cada vez mais pobre e mais ignorante. E paga mais impostos. Abaixo este governo vendido ao capital!

Estilo Fenprof

Este sindicato declarou uma guerra sem quartel a esta ministra, isto é, contra este governo. Apresentou aos professores uma reforma impossível de implmentar: complexa, injusta e avassaladora. Os professores só têm duas alternativas: ou dão aulas – com preparação, implementação e avaliação das práticas lectivas, ou entregam-se nos braços desta reforma. As duas tarefas são incompatíveis. Esta é que é a verdade. Por isso, havemos de nos armar com todas as forças para impedirmos que este modelo de Estatuto e de Avaliação que este governo foi buscar ao Chile, tendo aqui, na Europa, de que faz parte, os modelos da concórdia e da pacificação, vão para a frente. A nossa campanha de sensibilização vai de encontro aos interesses dos professores. E é vê-los na rua aos muitos milhares como a dizer que estão connosco e nós com eles. Não nos opomos só ao Artº 35 do decreto-lei 15/2007, opomo-nos a todo este modelo de Estatuto da Carreira Docente. Havemos de vencer e havemos de fazer demitir a ministra.
A luta continua.

Estilo quem me avisa meu amigo é

O ministério avisou milhentas vezes. Os professores não quiseram acreditar porque julgaram que o ministério defenderia os interesses dos professores e dos alunos. Traíu todos. É o que se chama desgovernar. Ou ‘governar’ para CE ver!
Já sabemos: o próximo governo de outra cor, que vier, vai ter um trabalho danado para reconstruir uma casa toda defeituosa e imprópria para habitação. Mas somos suficientmente ricos para aguentarmos todas estas trapalhadas?

Estilo para/lamentar

-Nós, do CDS, vamos resolver este grave problema que opõe os professores a este governo de quisílias e de incompetentes. Agendámos, para a próxima sexta-feita, a apresentação de um projecto pela suspensão da avaliação que será aprovado porque nós, o PSD e os dissidentes do Ps, venceremos. É só contar os votos!
- Vejam, senhores deputados da oposição, como sairam derrotados desta confrontação! Para compor o ramalhete, faltaram à votação, primando pela ausência, 30 deputados do PSD! Foi a nossa sorte! Se eles tivessem estado presentes, teriam vencido, embora por poucos votos.

Também disponível em DIÁRIOS DE ARGON.

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