quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

RESISTIR É VENCER

Colegas

Terminado o prazo fixado para a entrega dos OI (09/02/09), chegou a altura de fazermos o ponto da situação em relação à luta contra o modelo de avaliação docente imposto.

· Num universo de 177 docentes do Agrupamento de Escolas de Cantanhede, 81 educadores e professores (46,5%) não conseguiram, não puderam ou não quiseram resistir à chantagem do ME, cedendo e entregando os objectivos individuais.

· O maior número de desistências quer em termos absolutos quer percentuais registou-se no 1.º Ciclo onde 42 professores entregaram os OI, incluindo 3 contratados (75%).

· No Pré-escolar entregaram 6, incluindo 1contratado (40%) .

· Nos 2.º e 3.º Ciclos entregaram 30 professores, dos quais 17 contratados (27%).

· De entre estes, 16 docentes (9%) solicitaram aulas observadas, tendo por objectivo a obtenção de Muito Bom / Excelente na avaliação do seu desempenho.

Estes são os dados objectivos. Importa retirar algumas breves ilações.

1. A pressão exercida pelo ME junto dos docentes, recorrendo a todos os meios, inclusive a mais vergonhosa e inaceitável chantagem, acabou por dar frutos, quebrando alguns menos convictos, mais hesitantes ou temerosos.

2. É no 1.º Ciclo que maior quebra se verifica. E a tendência é geral pelo país. Mais do que criticar importaria tentar perceber o porquê. Alguma fragilidade derivada do seu relativo isolamento nas escolas?!...

3. A ameaça de não contagem do tempo de serviço não avaliado para efeitos de concurso, terá pesado bastante nos colegas que ainda não adquiriram estabilidade profissional e ambicionam aproximar-se à residência. Porém, tal ameaça não deveria ter pesado na decisão de entregar os OI, pois que independentemente do que vier a acontecer em matéria de ADD, a não entrega dos OI não implica a não avaliação.

4. A maioria dos docentes (96- 54%), apesar de tudo, soube resistir. É em momentos de luta como estes, em que se decide o destino profissional de toda uma classe, que se vê o carácter, a firmeza e a vontade das pessoas. Creio poder afirmar que saímos ética e moralmente reforçados nas nossas convicções e dispostos para continuar a luta por um ensino público de qualidade para todos, que dignifique a profissão e responda aos desafios que nos são colocados.

5. Uma ínfima minoria dos docentes candidatou-se à classificação de Muito Bom / Excelente. É de lamentar que alguns destes colegas não tenham compreendido em todo o seu alcance o que verdadeiramente está em causa neste processo de luta, quando a esmagadora maioria contesta o modelo de avaliação, assumindo posições de coragem, solidariedade, risco e sacrifício.

6. Porém, a luta não acabou e todos somos precisos. Os que resistiram e não entregaram os OI e os que por uma outra razão não conseguiram resistir entregando-os. Mais do que cavar o fosso da divisão importa chamar à unidade para prosseguir a luta de resistência.

7. O processo ainda não está encerrado. Para uns e outros importa relembrar que se baixarmos os braços vencidos pela resignação, impotência ou descrédito, perderemos não só uma batalha como a guerra. Todo o capital de luta adquirido será perdido e de nada terá valido a enorme lição de unidade dada pelos milhares de professores. Para o ano que vem teremos de engolir o modelo de avaliação eventualmente reciclado e recauchutado aqui e ali, com todo o peso sancionatório da avaliação. As escolas, bem o sabemos, irão virar um inferno e as relações entre pares deteriorar-se-ão fruto de uma insana concorrência na corrida à nota, que em nada contribuirá para melhorar as respostas educativas das nossas escolas no seu todo, nem tão pouco contribuirá para a melhoria do desempenho docente.

8. A nossa luta coloca questões muito para além da avaliação do desempenho docente, convocando-nos para cerrar fileiras na defesa da revisão do Estatuto da Carreira Docente, abolindo a divisão artificial da carreira, bem como as quotas de avaliação, mas também, não o esqueçamos, a luta contra o novo modelo de gestão que acentua a verticalização e hierarquização acrítica da cadeia de comando, na figura do Director, dependente do ME e nas suas correias de transmissão, anulando toda a vida e participação democrática nas escolas.

9. Por tudo isto temos de continuar unidos na vontade e determinação de resistir. No próximo dia 7 de Março os educadores e professores sairão de novo à rua manifestando o seu descontentamento. Haverá um cordão humano, o maior jamais feito em Portugal, unindo o Ministério da educação na 5 de Outubro, à Assembleia da república e acabando na residência do 1.º ministro. Organizemo-nos para participar.

RESISTIR É VENCER!

Um Abraço a todas/os

Do colega

Serafim Duarte

1 comentário:

Anónimo disse...

Eu vou participar como sempre fiz. Não sei ainda de quem é a iniciativa deste cordão no dia 7 de Março, mas não importa porque lá estarei.

Desde 01-01-2009


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