Paralisação será última via, dizem sindicatos
O boicote às avaliações dos alunos no terceiro período já é assumido por todos os sindicatos como uma forma de luta "em cima da mesa" no combate contra a política do Ministério da Educação. Mesmo obrigados a cumprir serviços mínimos durante os exames, como foi definido em 2007 pelo tribunal, uma greve durante as avaliações irá ter um forte impacto no ano lectivo, avisam os sindicatos.
"Com uns dias largos de paralisação podemos efectivamente travar todo o processo de avaliação dos alunos ou atrasá-lo o tempo que entendermos", diz Carlos Chagas, secretário-geral do Sindicato Nacional e Democrático dos Professores (Sindep). Isto porque a época de avaliações não se limita aos exames, lembra. Se para fazer os testes é necessário um número relativamente pequeno de docentes, para avaliar os alunos são precisos todos, tornando-se difícil contornar os efeitos da paralisação.
Em 2005 os sindicatos marcaram greve na altura dos exames e o Governo acabou por impor serviços mínimos, uma situação inédita no sector da educação. Os exames realizaram-se, mas os sindicatos recorreram aos tribunais. Dois anos depois, o Supremo Tribunal Administrativo deu ao Ministério , considerando a educação um direito fundamental.
"Não seria a primeira vez que marcamos greve em períodos de avaliação e pré-eleitorais, mas ainda estão todas as possibilidades em aberto, nomeadamente a influência política e a negociação. A greve será o último recurso", garante João Dias da Silva, da Federação dos Sindicatos da Educação. Em causa está a dificuldade em chegar a acordo sobre o Estatuto da Carreira Docente e o modelo de avaliação. Diferenças que já levaram os professores às ruas e motivaram duas greves nos últimos meses. Chagas admite que a opção irá prejudicar os alunos mas considera que "o clima de instabilidade que se vive nas escolas já está a prejudicar". "Qualquer greve tem impactos negativos mas elas existem para ter consequências", diz Dias da Silva.
In Diário de Notícias.










1 comentário:
Façam greves às avaliações e depois queixem-se.
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