terça-feira, 17 de março de 2009

POUPAR MILHÕES PARA PODER DESTRUIR

Um estudo confirma o óbvio. No entanto, que quer saber de estudos ou de óbvios o trio do Ministério da Educação?

A Sócrates, já se percebeu, só interessa o lucro imediato, mesmo que isso represente destruir ou saltar por cima do que quer que seja.


Estudo afirma que nova avaliação dos docentes prejudicou alunos

PEDRO SOUSA TAVARES

"Aumentar o enfoque na performance individual do professor causou um considerável e estatisticamente significativo declínio nos resultados dos estudantes." A afirmação parece saída do discurso de um dirigente sindical. Mas não é. O seu autor é um português, professor associado da Universidade de Londres, investigador do Instituto Superior Técnico e do Instituto para o Estudo do Trabalho (IZA) de Bona, na Alemanha. E os dados em que se baseia foram divulgados pelo Júri Nacional de Exames, em Portugal.

Mas as conclusões do estudo "Individual Teacher Incentives, Student Achievement and Grade Inflation", de Pedro S. Martins, a que o DN teve acesso, não deixam ainda assim de se prestar a muita polémica.

Não só por o autor concluir que as medidas de "valorização" profissional dos professores introduzidas pelo actual Governo criaram um clima de "torneio" na classe, que conduziu à "inflação das notas internas" e a piores resultados nos exames nacionais. Mas, sobretudo, porque, apesar de o estudo remeter para dados entre 2002 e 2008, estas afirmações parecem ser sustentadas, apenas, pelos resultados escolares de 2006/07.

A quebra de 2007

Nesse ano lectivo (em Janeiro de 2007) entrou em vigor o novo Estatuto da Carreira Docente, que dividiu a classe nas categorias de "professor" e "titular" e estabeleceu quotas máximas para as avaliações de "muito bom" e "excelente".

Na época de exames nacionais que se seguiu, os resultados foram fracos - em nove disciplinas comparáveis com o ano anterior, seis registaram quebras. E as diferenças entre as classificações obtidas pelos alunos nas escolas e nas provas nacionais foram notórias, com a grande maioria da rede pública a não justificar nos exames as médias internas. Variações que, assume o autor, não podem ser atribuídas a mais nenhum "efeito específico para as escolas públicas" além da "reforma na educação".

Porém, são menos convincentes as explicações para a subida generalizada da médias dos exames no ano lectivo seguinte - em que os professores estavam em "pé de guerra" com a avaliação. O autor atribui a subida dos indicadores a "efeitos cumulativos" da reforma, não se percebendo se está a referir-se à possibilidade de muitos professores terem passado a preparar os seus alunos para os exames, ou ao alegado "facilitismo" das provas que foi invocado por várias associações de professores.


In Diário de Notícias.

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