sábado, 14 de março de 2009

PRINCIPAIS CONCLUSÕES DO ENCONTRO DE LEIRIA

Como tinha sido anunciado, decorreu hoje, em Leiria, um Encontro de Professores. Estiveram presentes mais de 150 professores, vindos de norte a sul do País.

Numa assembleia bastante interventiva e participada, foram apresentadas, pelos movimentos e professores participantes, diversas propostas de luta que foram discutidas e votadas.

Os pontos que exigiram maior reflexão e debate prenderam-se com a possibilidade de uma "greve às avaliações" e a "entrega ou não do relatório de auto-avaliação e/ou relatório crítico" no final do ano lectivo.

Eis as principais conclusões emandas do Encontro, que se reproduzem de notas recolhidas (as moções, na íntegra, serão aqui colocadas quando tiver a sua redacção final):

1. Apelar aos sindicatos que promovam reuniões, em todas as escolas, no sentido de esclarecer os professores sobre as medidas que o Governo pretende introduzir, bem como aferir, junto dos docentes, da sua disposição e adesão para encetar formas de luta que entendem devam ser realizadas até final do ano lectivo: greve às avaliações, que deve ser ponderada; três ou mais dias de greve consecutivos; grande manifestação nacional integrando outros grupos profissionais da função pública.

2. Realização de um Fórum Nacional "Compromisso Educação" que visa celebrar um pacto assinado, conjuntamente, por sindicatos, movimentos de professores e partidos políticos, que se comprometam em explicitar claramente a sua posição, nos programas eleitorais, relativamente à revogação do ECD e à suspensão do actual modelo de avaliação.

3. Aconselhar a entregar do relatório crítico no final do ciclo de avaliação, assumindo assim a afirmação da necessidade de uma avaliação de desempenho, mas mantendo a recusa do actual modelo.

4. Manter em aberto a possibilidade de recorrer aos tribunais administrativos com contratação de equipa de advogados de direito administrativo para agir judicialmente contra as ilegalidades detectadas pelo parecer jurídico recentemente elaborado.

5. Pedir audiência ao Parlamento Europeu e à Unesco.

6. Manifestar o seu reconhecimento e apoio aos PCE que se têm colocado ao lado dos professores na recusa do actual modelo de avaliação de desempenho, nomeadamente os que vão realizar um encontro em Lisboa no dia 21 de Março.


7. Apelar aos professores, especialmente aos que estão envolvidos ou são forçados a avaliar os colegas, que prossigam a denúncia pública das aberrações burocráticas, científicas e pedagógicas deste modelo de avaliação.

8. Pedir a todos os professores que enviem estas propostas para os endereços electrónicos dos vereadores de educação e presidentes da juntada sua autarquia, jornais regionais, rádios locais e associações de pais.

5 comentários:

Ni disse...

Olá, Ilídio
É assim que se vê a força e determinação das pessoas. Tu não te cansas nem deixas que nos cansemos! Tiveste tempo de jantar? :)
Quanto ao pedido final do teu post, já cumpri a minha parte...ou quase. Só não enviei as propostas para o jornal cá do burgo porque não tenho o endereço electrónico. Tratarei disso amanhã.
Entretanto, relativamente à manif de apoio aos PCE, quando/se houver alguma coisa de concreto, avisa a malta.
A luta continua. Obrigada pela tua força.Nídia

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

Caro Ilídio Trindade:

Vi-o na televisão a dizer que fará campanha eleitoral contra o PS. Não acho mal que a faça, pelo contrário: eu também a farei. Mas as campanhas eleitorais não oficiais fazem-se, não se anunciam. Com as suas declarações, o Ilídio eliminou o efeito surpresa e criou anti-corpos.

Mas não adianta chorar sobre o leite derramado. Agora, o que é preciso é ver como a campanha vai ser feita. Não pode ser através dos media controlados pelo PS e pelo PSD, porque esses vão filtrar e distorcer tudo. Também não pode ser só através da blogosfera: os portugueses que têm ou frequentam blogues são uma minoria. Se fossem só eles a votar, o BE ganharia as legislativas com maioria absoluta, O CDS/PP seria, a grande distância, o segundo partido mais votado, a seguir viriam, por esta ordem, o PCP, o PSD e o PS; e as abstenções atingiriam um mínimo histórico.

Já o número de portugueses que têm e-mail é bastante maior; e telemóvel têm todos. Pessoalmente, tenciono conduzir a minha campanha por e-mail e telemóvel.

A negatividade é um risco. Por isso, tenciono diluí-la fazendo campanha não só contra o PS, mas também contra o bloco central. Pela positiva, tenciono apelar aos eleitores a que votem o mais à esquerda ou o mais à direita que as suas convicções lhes permitirem, e também a que não se abstenham.

Uma coisa de bom teve a sua intervenção pública: pode ter encorajado outros grupos profissionais a fazerem, também eles, campanha eleitoral. Estou convencido, de resto, que este ano não vai haver só cinco campanhas, mas milhares delas, como tem acontecido recentemente noutros lugares do mundo; e as classes profissionais que vivem do conhecimento - as chamadas "corporações" - estão particularmente bem equipadas para as fazer.

Finalmente: a campanha de massas, que será política e partidária, terá que ser acompanhada por uma campanha de elites, e esta deverá ser de ideias: é preciso que as elites compreendam que a divergência entre os professores e o Ministério já não é apenas laboral nem política, mas filosófica, envolvendo concepções antagónicas da escola, do mundo e do ser humano. Esta campanha e a campanha de massas têm que ser congruentes entre si.

É isto que tenciono fazer. Pouco mais está ao meu alcance, encontrando-me de baixa médica prolongada, a preparar a aposentação e quase sem contacto com a minha escola. Quanto a si, se achar que algumas das minhas ideias são de aproveitar, esteja à-vontade: não cobro direitos de autor.

Espero que não leve a mal a minha discordância em relação às suas declarações à televisão: ela não diminui em nada a minha admiração e a minha gratidão pelo trabalho que tem desenvolvido.

Um abraço fraterno do

José Luiz Sarmento

iart disse...

Caro José Luiz,

Claro que não levo a mal a sua discordância, que, aliás, me parece incidir quase exclusivamente na determinação do "momento".

Assim, há que considerar alguns aspectos, que poderão contribuir para aclarar as razões:

. não posso ser incoerente entre o que digo e o que faço (na verdade, há algum tempo que por aqui vão passando "peças" com esse timbre);

. a nossa capacidade de mobilização tem limitações que é necessário vencer, necessitando, por isso, de mais tempo;

. julgo que o efeito surpresa, além de pouco impacto, já há muito está diluído pelo que tem sido implícito em muitas afirmações e manifestações públicas de muitos professores;

. na mesma proporção da "imprtância" que atribui às minhas declarações, elas podem, então, ser um contributo para a reflexão daqueles que, de forma autista, têm arrasado, com as suas políticas, os professores e a escola pública;

. no Encontro realizado em Leiria essa questão foi também apresentada por alguns participantes e aprovada por maioria, pelo que seria praticamente impossível contorná-la.

Finalmente dizer-lhe que estou em absoluta concordância com o "apelar aos eleitores a que votem o mais à esquerda ou o mais à direita que as suas convicções lhes permitirem, e também a que não se abstenham." Este apelo está, aliás, na exacta independência partidária que também me caracteriza, sendo a campanha anti(este)-PS apenas pelo facto de ser necessário estancar a diabolização impensável dos professores, que tem vindo a ser feita, bem como tentar remediar ainda a destruição da escola pública e degradação da qualidade do ensino.

Obrigado pelo abraço fraterno, que retribuo com igual admiração.

Ilídio Trindade

Anónimo disse...

A censura deixou de existir, através de um DL do MFA em Abril de 1974.
O meu comentário, em que falava da Manuela, do Portas, do Gerónimo, do Louça, enviado ontem, foi riscado com o lápis azul, deixado por algum filho da PIDE ou algum herdeiro da Ditadura.
Lamento a manipulação feita por alguém que nada fez por este País.

ILÍDIO TRINDADE disse...

Ó sr. anónimo das 17:15h,

Compreendo a sua confusão. Melhor: tenho explicação para as suas limitações.

Veja lá se me quer culpar pelo seu desnorte. Que culpa tenho de fazer o comentário a "ENCONTRO NACIONAL DE PROFESSORES EM LUTA" e, depois, ir procurar por ele em "PRINCIPAIS CONCLUSÕES DO ENCONTRO DE LEIRIA"?

Coisa rara: até teve direito a resposta! Mas não insista no anonimato, que, assim, não vai ter resposta.

Vá lá à entrada onde deixou o comentário... Para o ajudar na sua cegueira, aqui fica a ligação:

http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2009/03/encontro-nacional-de-professores-em.html

E, já agora, aprenda a não julgar os outros por aquilo que é!

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