sábado, 28 de março de 2009

A SAGA DOS ERROS NO "MAGALHÃES"

Educação encontra mais erros no 'Magalhães'

Revisão aos conteúdos do computador para alunos do 1.º ciclo detectou novas gralhas e problemas de tradução em mais três programas.

O Ministério da Educação (ME) mandou retirar quatro conteúdos do 'Magalhães', o computador portátil utilizado por 200 mil crianças do 1.º ciclo, incluindo o polémico Gcompris, que continha dezenas de erros ortográficos. Os outros três programas apresentavam igualmente problemas de "rigor linguístico e pedagógico" ou de "adequação educativa".

O trabalho de revisão foi desencadeado pelo ME na sequência da denúncia do deputado José Paulo Carvalho e da notícia do Expresso sobre a existência no 'Magalhães' de um programa educativo com instruções repletas de erros, como "acabas-te", "caêm" ou "fés".

Depois da polémica, a tutela pediu à JP Sá Couto, fabricante do 'Magalhães', que não incluísse esta versão nos novos portáteis e publicou na Internet um manual de instruções para que escolas e pais pudessem retirar o programa da GCompris, traduzido voluntariamente por um emigrante português em França. E prometeu rever todos os outros conteúdos.

Após esse trabalho, os técnicos do ME entenderam que também as aplicações Childplay, Tuxpaint e Magic Desktop apresentavam problemas. "Alguns, pelo seu interesse educativo, estão a ser corrigidos pelos respectivos produtores de forma a poderem ser posteriormente submetidos para análise do ME", informa o ministério.

No caso do Tuxpaint, um programa de desenho, é fácil perceber de imediato que também o trabalho de tradução está, no mínimo, incompleto. Tanto se encontram palavras em português como em inglês. E ainda que o idioma seja aprendido pela maioria das crianças do 1.º ciclo, é pouco provável que percebam frases como "a stethoscope lets your doctor listen to your heart and lungs". No Childplay volta a haver um problema de falta de tradução mas também de erros ortográficos: nas instruções pode ler-se o "objetivo" do jogo.

No final da próxima semana, as escolas deverão receber mais indicações para actualizar o software dos computadores já distribuídos.

Ministra rejeita responsabilidade

Questionada esta semana no Parlamento sobre a falta de controlo de qualidade dos programas inseridos no 'Magalhães', a ministra da Educação negou que esse trabalho não tivesse sido feito e atribuiu responsabilidades aos produtores de conteúdos e à JP Sá Couto.

"Os conteúdos foram todos verificados no início do programa e-escolinhas, em Agosto e Setembro. O que se passou é que, entre esse momento e o momento actual, na relação entre os produtores de conteúdos e o produtor do computador, confiámos nas instituições e não achámos necessário estar permanentemente a fazer o controlo", justificou Maria de Lurdes Rodrigues.

Depois da última revisão, acrescentou a ministra da Educação, o ME percebeu que tinham sido inseridos no Magalhães "muitos mais conteúdos e versões do que os que tinham sido validados" pela tutela.

As explicações não coincidem, no entanto, com as que foram dadas no início da polémica por Teresa Evaristo, da Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC), organismo tutelado pelo Ministério. Na altura, a subdirectora da DGIDC assumiu ao Expresso que não tinha havido capacidade para verificar todos os conteúdos. "Nós analisamos o interesse educativo, se são adequados à idade, programa e currículo. Tivemos a preocupação de ver os menus iniciais deste programa, mas não vimos as instruções (onde estão os erros)", disse.

Texto publicado na edição do Expresso de dia 28 de Março de 2009.

In Expresso.

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