quarta-feira, 29 de abril de 2009

O PROFESSOR E A VIOLÊNCIA ESCOLAR

Este é um texto de opinião de uma pedagoga brasileira, que vem demonstrar que uma das causas para o aumento daviolência escolar é a substituição de professores. Imaginem agora se passasse a existir também a substituição de médicos de família nos Centros de Saúde...

A nossa Constituição Federal diz que a educação é dever do Estado e da família, com a colaboração da sociedade. Ela deverá ser dada no lar e na escola. Isso chama à responsabilidade, em primeiro lugar, da família na educação de seus filhos. O que hoje temos visto é a família desestruturada, mães criando seus filhos sozinhas, crianças que ficam em casa sozinhas sendo educadas pela televisão. A escola está sendo apenas um reflexo do que está acontecendo na sociedade. Sou professora estadual há vários anos e em 2006 fui obrigada a prestar queixa na polícia por uma agressão sofrida na escola pública. Estava substituindo um professor e, ao sair no corredor, na troca de período, fui agredida com um pontapé de um adolescente que brigava no corredor. Minha perna inchou muito, tive que ir ao médico, tomar remédios e, embora fosse aconselhada a não registrar queixa, foi a única proteção – além da de Deus – que eu tive no momento.

O que me chamou atenção no depoimento da moça que agrediu a professora há alguns dias, em Porto Alegre, foi: “Ela não é minha professora”. Situação que acontece muito nas escolas: um educador está faltando e outro vai substituir. Às vezes não é professor da área e não tem contato com esses alunos. Pode ser um professor de currículo por atividades que não está acostumado com esses estudantes e vai substituir uma disciplina como matemática ou inglês. Se um médico falta, não é colocado qualquer outro para substituir.

Está faltando mais valorização ao professor e ao aluno, que tem aula de qualquer coisa só para preencher o período. Acredito que as agressões aos professores são reflexo da desintegração familiar; falta de uma religião e obediência a Deus; não valorização pelos órgãos competentes, desorganização do sistema escolar que está se refletindo na escola e na sociedade. Se a sociedade fizer uma ampla discussão na busca de soluções, acredito que este problema não precisará terminar em ocorrência policial, pois escola é lugar de aprender e aprender coisas boas como bons valores. Creio que existem muitos professores que já foram agredidos, não só fisicamente com também com palavrões, deboches, e às vezes se calam. Ultimamente, só se fala nos direitos da criança e do adolescente. E o professor? Pode ser agredido? Humilhado?

Os pais e os alunos devem ter voz na escola, até porque eles agora votam para eleger a direção das escolas. Mas acredito que o professor precisa ser valorizado pelos governantes, com salários dignos; pelos pais, ensinando seus filhos a respeitar e pelos órgãos de apoio como conselho tutelar, para que o professor que ama muito a sua profissão possa ter boas experiências para relatar.

Estela Maris Canterle Pires/Pedagoga formada pela UFSM, prof. estadual

In Gazeta do Sul.

2 comentários:

Anónimo disse...

É angustiante verificar que, só na mimha escola, grande parte dos professores vai confessando que está a tomar medicamentos para aguentar a carga de trabalho e o ambiente que se instalou entre os alunos.

Anónimo disse...

agredir verbal ou fisicamente um prof. é crime de desacato. a autoridade policial deve ser chamada. lugar de bandido é na cadeia. chega desse maternalismo.

Desde 01-01-2009


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