segunda-feira, 18 de maio de 2009

DOCENTES VOLTAM A PEDIR HORAS EXTRAORDINÁRIAS

00h30m
ALEXANDRA INÁCIO

Os alunos do 4.º e 6.º anos fazem prova de aferição a Língua Portuguesa, segunda-feira. A Fenprof garante que há processos em tribunal por causa do pagamento de horas extraordinárias, que os docentes vão voltar a exigir este ano.

Mário Nogueira não consegue precisar números, por "serem acções colocadas individualmente", mas assegura: "há professores com processos em tribunal pelo pagamento das horas extraordinárias, por nesses dias terem de acompanhar as provas além do seu horário. É serviço lectivo acrescido", defende, explicando que o problema não é o dinheiro referente a essas horas. "É por uma questão de princípio. Senão amanhã o que nos pediria ainda mais o Ministério?".

No ano passado mais de 235 mil alunos, do 4º e 6º anos, fizeram as provas. Hoje será Língua Portuguesa, quarta-feira de Matemática. Desde 2007 que as provas deixaram de ser feitas por amostragem e passaram a sê-lo por todos os alunos desses anos. Dois docentes - um do 4º ano, outro do 6º - ouvidos pelo JN aprovam a medida e apontam a "responsabilização dos alunos" como a sua maior vantagem. Arsélio Martins, presidente da Associação Portuguesa de Matemática, concorda: "a generalidade permite tirar mais consequências". Já o líder da Fenprof e o presidente da Associação de Professores de Português defendem que o método por amostragem permite aferir o sistema e de forma mais barata, insiste Paulo Feytor Pinto.

Tanto Lígia Rodrigues, docente do 1º Ciclo, como Rui Rodrigues, professor de Matemática do 6º ano, afirmaram ao JN que passaram a dar mais atenção "à resolução e interpretação dos problemas". "Tenho reparado que temos falhado muito e comecei a insistir mais", afirmou Rui Rodrigues. Já Lígia Rodrigues aponta uma falha: "os manuais não trabalham o raciocínio como seria desejável", por isso, explica, "comecei a usar mais gráficos de barras e objectos do dia-a-dia das crianças como relógios, calendários ou horários".

Apesar de apoiar a generalização da prova, Arsélio Martins alerta que "se os resultados não forem bem tratados, em estudos, e guardados para comparações futuras" as provas perderão utilidade. Além disso, sublinha, "não se deve criar um ambiente de exame: as provas de aferição não podem ser um sofrimento para os alunos. Se forem teremos problemas".

In Jornal de Notícias.

1 comentário:

celeste caleiro disse...

Que bom Arsélio, gosto de te ouvir dizer coisas certas...Já tinha saudades!Quero ver quem é que vai conseguir ensinar alguma coisa aos alunos do quinto, sétimo... anos, depois de dois dias em que nem sequer podem entrar na escola por causa das provas e são entretidos em actividades lúdicas ou "culturais, vá lá...

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