Entrevista com Ana Maria Bettencourt
“As escolas não prepararam os professores”
05.06.2009 - 07h00 Bárbara Wong
Ana Maria Bettencourt admite que o ensino superior não tem preparado os professores para responder aos desafios que os alunos com dificuldades colocam. É preciso mais investimento em formação contínua, recomenda.Os professores estão motivados para trabalhar de uma maneira diferente?
Os professores estão muito interessados em fazer o melhor. A formação contínua é muito importante para motivar as pessoas, a escola tem que ser um pólo de pensamento, de reflexão das aprendizagens, dos resultados, dos projectos e acredito que há grande motivação.
Concorda com as as críticas que têm sido feitas à formação inicial?
As escolas superiores não prepararam os professores para o mundo complexo que é a educação. Não posso generalizar, mas todos os professores que encontro no terreno não preparam bem os futuros professores para responder à diversidade e a diferenciação entre os alunos. Há um problema com a formação inicial e também com a contínua. Neste momento em que não precisamos tanto de formar novos professores, a formação contínua tem que ser a grande aposta. Os recursos da formação inicial devem ser canalizados para a contínua.
São exigidas mais competências à escola que não apenas a de ensinar?
As questões que vão bater à porta da escola são cada vez mais e são terríveis. É preciso mais parcerias com autarquias, associações, comissões de protecção de jovens e com os pais.
Os professores queixam-se por acumular muitas competências como ser psicólogo, assistente social, terapeuta...
Mas, os professores têm que ser um bocadinho disso tudo. Há três componentes na missão do professor. Uma é mudar o paradigma do trabalho dentro da sala de aula: mais trabalho e mais acompanhamento aos alunos. A segunda é que o professor tem que ter função de tutoria, de enquadramento e apoio ao aluno; ajudar um aluno com crise pessoal ou que não consegue aprender. A terceira componente é o trabalho em equipa.
A que os professores não estão muito habituados?
O trabalho de equipa é muito importante, um aluno com dificuldades precisa de todos os professores. Há um problema de lideranças pedagógicas e pouca eficácia nas reuniões. As escolas têm que ser avaliadas se resolverem os problemas e se não o fazem têm que explicar porquê.
E a avaliação dos professores?
A avaliação dos professores tem que ser avaliada. O CNE, relativamente a esta questão, tem outro tempo. Muito atento a dados mais palpáveis, mais sistemáticos.
In Público.
A outra parte da entrevista está aqui.









4 comentários:
Ó colega Ilídio, tenha misericórdia de nós e não nos martirize a mente falando nessa imitação de gente! Ah! Ah! Ah!
Já agora porque não nos dar também a função de fazermos os meninos? Alguns casais que não conseguem os pupilos certos venham à escola e peçam ajuda aos professores que são pessoas muito versáteis e de grandes genes.
Mais do mesmo...Se soubesse o pó que lhe tenho,Srª Bettencourt,e aos da sua raça...
Sinceramente, não entendo estas reacções às palavras da Sra Bettencourt: mas alguém tem dúvidas que os professores não têm formaçaõ adequada para dar resposta às dificuldades que surgem? Que a formação dos professores, para o serem, tem de ser alterada? Ensinar não é transmitir conhecimentos é, sobretudo, permitir-se aprender. É realmente perigoso para a Educação deste país ver tanta resistência por parte da maioria dos professores à mudança que é URGENTE, se faça.Mas também é natural, são apenas 3 décadas após ditadura e o ser humano é resistente à mudança. Vai levar mais tempo, é só.
Maria de Lurdes Alves, mãe e professora do 2º ciclo.
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