quarta-feira, 24 de junho de 2009

A INDISCIPLINA NA ESCOLA

Por Luís Ferreira

Vivemos, felizmente e por enquanto, numa região calma e onde os principais valores se vão mantendo nesta sociedade em mutação. Perante os problemas que afectam essencialmente os professores e as escolas deste país, nós que por aqui andamos, não seremos certamente os piores no confronto com os alunos. Mas não podemos deixar de nos preocupar.

O aumento da violência nas escolas reflecte uma crise de autoridade familiar.

Especialistas em educação reunidos recentemente na cidade espanhola de Valência defenderam que o aumento da violência escolar se deve, em parte, a uma crise de autoridade familiar, pelo facto de os pais renunciarem a impor disciplina aos filhos, remetendo essa responsabilidade para os professores. Os participantes no encontro \'Família e Escola: um espaço de convivência\', dedicado a analisar a importância da família como agente educativo, consideraram que é necessário evitar que todo o peso da autoridade sobre os menores recaia nas escolas.

É verdade que as crianças não encontram em casa a figura de autoridade, que é um elemento fundamental para o seu crescimento. O filósofo Fernando Savater, presente neste encontro disse precisamente isso.

As famílias não são o que eram antes e hoje o único meio com que muitas crianças contactam é a televisão, que está sempre em casa e o computador que, parece estar apostado em substituir a televisão.

A verdade é que os pais continuam a não querer assumir qualquer autoridade, preferindo que o pouco tempo que passam com os filhos seja alegre e sem conflitos e empurram o papel de disciplinador quase exclusivamente para os professores.

No entanto, quando os professores tentam exercer esse papel disciplinador, são os próprios pais e mães que não exerceram essa autoridade sobre os filhos que tentam exercê-la sobre os professores, confrontando-os sem problemas.

O abandono da sua responsabilidade retira aos pais a possibilidade de protestar e exigir depois. Quem não começa por tentar defender a harmonia no seu ambiente, não tem razão para depois se queixar. Há muitos professores que são vítimas nas mãos dos alunos. Todos sabemos isso e já temos tido notícias bem preocupantes a esse respeito.

Savater acusa igualmente as famílias de pensarem que ao pagar uma escola deixa de ser necessário impor responsabilidade. A liberdade exige uma componente de disciplina que obriga a que os docentes não estejam desamparados e sem apoio, nomeadamente das famílias e da sociedade. A boa educação é cara, mas a má educação é muito mais cara, e é urgente que os pais transmitam aos seus filhos a importância da escola e a importância que é receber uma educação, uma oportunidade e um privilégio como esse.

Em algum momento das suas vidas, as crianças vão confrontar-se com a disciplina e então vão verificar o seu desajustamento social. Eu penso que é essencial perceber que as crianças não são hoje mais violentas ou mais indisciplinadas do que antes; o problema é que têm menos respeito pela autoridade dos mais velhos, quer sejam os pais, quer sejam os professores.

Deixaram de ver os adultos como fontes de experiência e de ensinamento para os passarem a ver como uma fonte de incómodo. Isso leva-os à rebeldia.

Daí que, mais do que reformas dos códigos legislativos ou das normas em vigor, é essencial envolver toda a sociedade, porque mais vale dar uma palmada, no momento certo do que permitir as situações que depois se criam.

Eu não sei exactamente se isto tem uma solução mais ou menos recomendável, mas penso que a supressão de privilégios e o alargamento dos deveres pode ser uma delas. Tem de se começar por algum lado.

A escola não pode transformar-se em campo de batalhas entre professores e alunos nem tão pouco passar a ser um espaço prisional onde os alunos se sintam constrangidos e marginalizados em relação à sociedade de que fazem parte. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Penso que tudo deve começar na educação e no respeito pelos outros, nunca esquecendo o respeito por si próprios. A educação para a cidadania é um dever e um objectivo a atingir urgentemente, antes que seja demasiado tarde. Para isso, a política deste Ministério de Educação tem de mudar assim como a senhora ministra e toda a política que agora quer subjugar toda a comunidade educativa, sob pena de a indisciplina na escola se transformar numa realidade assustadora em todo o país.

In Diário de Trás-os-Montes

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