terça-feira, 21 de julho de 2009

HISTÓRIA DE UMA CONTESTAÇÃO

Por Mário Silva

Além do balanço do último ano lectivo, seria interessante perceber qual a visão histórica com que cada professor ficou desde o inicio do processo. Os professores de História estão em vantagem técnica mas a perspectiva dos leigos pode ser enriquecedora.

Como já percebi que tanto a nível profissional como a nível nacional a desgraça não vai ser evitada, não vou perder mais tempo em intervenções, deixando o meu ‘histórico’ de todo este processo:

1º momento - já em 2003/2004 foi convocada uma greve aos exames nacionais, a culminar uma onda de descontentamento e contestação (ver aqui). Essa greve foi erradamente desconvocada pelos sindicatos mais representativos, embora alguns pequenos sindicatos a tenham mantido. Nesse ano, fui o único da escola a aderir à greve porque já vislumbrava o horizonte; obviamente, a raiva e a revolta em relação aos colegas foi compreensível.

2º momento - em 2005, foi convocada outra greve aos exames, e a maioria dos professores, dos quais muitos dos actuais titulares, não aderiram porque não estavam para perder um dia de salário e tiveram medo da ameaça da requisição civil; contudo, não tinham a mínima noção, por ignorância, daquilo a que iam estar sujeitos.

3º momento - foi promovido o concurso de titulares. Apesar dos critérios estúpidos utilizados, a adesão ao concurso foi massiva, porque os pretensos titulares continuavam a não sentir verdadeiramente a eminência da catástrofe e os sindicatos andavam a 'pastar' não apelando ao boicote.

4º momento - quando é publicada a dimensão real do que se exige aos titulares, é que estes põem as mãos à cabeça e “ai Jesus-que-esta-porcaria-vai-espatifar-o-ambiente-escolar”.

5º momento - fuga massiva de titulares para a aposentação antecipada. A eleição para o conselho geral transitório: nem os sindicatos e nem os professores encetam pelo boicote (não apresentando candidaturas para os lugares vagos).. Outra oportunidade perdida, conjuntamente com o concurso de titulares, para boicotar verdadeiramente este modelo.

6º momento - sentindo que era preciso actuar, os titulares que não puderam fugir e os professores ‘suplentes’, lá se lembraram de boicotar não entregando os OI, não percebendo que isso não boicotaria absolutamente nada. Só veio trazer divisão entre pessoas (os que entregaram e os que não entregaram) e ressentimentos que jamais serão ultrapassados. A divisão surgiu por falta de compreensão e solidariedade: os professores não estavam todos no mesmo patamar de risco. Uns estavam mais protegidos do que outros, por contingências do estrato sócio-económico a que cada um pertence.

7º momento - constituição do conselho geral que também não é boicotado com ausência de candidaturas.

8º momento - no final do ano lectivo, o processo de avaliação avança com a entrega dos OI por parte de todos os que não tinham entregue.


Conclusão:

- o movimento de resistência foi iniciado principalmente pelos professores mais novos;

- só quando os actuais titulares sentiram a seringa no rabo é que acordaram e decidiram partir para a luta, e daí o grande movimento que se gerou;

- previsão: ou a 27/09 existe algo que faz desviar o percurso que está a ser trilhado ou então vai ser o salve-se quem puder.

Sem comentários:

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