A lei de bases da educação aprovada com os votos da maioria. Oposição e os estudantes criticaram a decisão.
Depois da aprovação da nova lei com os votos da maioria PSD-CDS/PP, quinta-feira, alguns estudantes que se encontravam nas galerias insurgiram-se contra a decisão empunhando cartões vermelhos. Mota Amaral, presidente da Assembleia da República, interveio e mandou evacuar a sala.
De seguida fizeram-se ouvir as vozes da oposição que apresentaram declarações de voto e duras críticas à Lei de Bases.
Augusto Santos Silva, ex-ministro da Educação, explicou a decisão do Partido Socialista ao afirmar que “o PS vota contra porque vota contra um retrocesso da educação”. O ex-ministro criticou a actuação do actual governo, acusando-o de tentar “obter na lei o que não conseguiu na revisão constitucional” e lamentou que a Lei de Bases exprima apenas “um consenso alargado e seja uma imposição unilateral da maioria”.
Alda de Sousa do Bloco de Esquerda também criticou a decisão e referiu que “em vez de uma escola de luxo (…) caminha-se para uma escola de lixo”.
A Lei de Bases vai ser agora analisada pelo Presidente da República a quem compete promulgar ou vetar o documento.
A Lei de Bases
Uma outra alteração prende-se com o facto das direcções escolares deixarem de ser eleitas pelo corpo docente. Com a nova Lei proposta pelo Governo, as direcções passam a ser escolhidas através de um concurso a nível nacional, mediante o mérito curricular e a formação especializada de cada candidato.
Os argumentos da oposição
Em declarações ao JornalismoPortoNet, o deputado socialista Luís Fagundes Duarte afirmou que “esta lei representa um retrocesso em política da educação” e que se trata de “uma lei de maioria conjectural [foi aprovada apenas com os votos da maioria PSD-CDS/PP] que vem substituir uma de consenso”.
Na opinião do deputado também a questão da gestão democrática das escolas passa a estar em causa, uma vez que “o responsável por uma escola poderá não ser professor, e ser nomeado pela tutela ou interesses locais”.
A oposição espera agora a decisão do Presidente da República sobre esta matéria, ou então, “que termine o tempo da actual maioria”.
Por iniciativa do PSD
"O regime de gestão das escolas já provou que não cumpre o seu papel. Os melhores decisores para o processo educativo são os seus protagonistas: pais, professores e alunos", sublinhou o presidente social-democrata no final de um colóquio organizado pelo PSD em Lisboa sobre gestão das escolas.
O PSD vai aproveitar um agendamento potestativo (direito de um partido fixar a ordem do dia) de que dispõe a 28 de Setembro para levar à discussão e votação o seu projecto de lei.
De acordo com Marques Mendes, o diploma - que já tinha sido objecto de apresentação em Maio - prevê que "cada escola possa escolher as suas orientações estratégicas e no futuro definir a sua própria organização".
"É o princípio da liberdade para existir maior responsabilidade", disse.
O projecto prevê ainda que os pais possam escolher livremente a escola dos seus filhos, independentemente da sua localização geográfica, o que, segundo Marques Mendes, "vai estimular a diversidade e competitividade" entre os estabelecimentos de ensino.
Novo modelo "mais rigoroso e profissional"
O ponto central do projecto prende-se, contudo, com um novo modelo de gestão das escolas, "mais rigoroso e profissional".
"A actual lei impõe a chamada gestão democrática, que não passa de um exercício de demagogia. Nós queremos que cada escola escolha o seu director, que pode ser ou não um professor, mas que seja por excelência um gestor", disse Marques Mendes.
Para o líder social-democrata, este projecto representa "uma pedrada no charco" no sector da educação e "uma ruptura de fundo" com o actual sistema.
Marques Mendes anunciou ontem que o PSD iria apresentar esta semana no Parlamento um projecto de lei para a criação de um sistema de avaliação das escolas, por uma entidade independente, que permita a publicação anual de um "ranking" dos estabelecimentos de ensino. Na mesma ocasião o líder do PSD defendeu que o Estado "deve prestigiar a função social dos professores" e pediu ao Ministério da Educação para "não agredir" estes profissionais
Fonte: http://diario.iol.pt/noticia.html?id=337305&div_id=4071
«A maioria provocou o maior retrocesso no processo de democratização do ensino desde o 25 de Abril», declarou a deputada do PCP Luísa Mesquita, no Parlamento, considerando que o diploma «viola de forma grosseira» a Constituição portuguesa.
«Votaremos contra a Lei de Bases da Educação», anunciou, por sua vez, o deputado socialista Augusto Santos Silva, concordando que a nova legislação representa «um retrocesso em relação à actual lei» e «uma clara desresponsabilização do Estado em relação ao ensino».
O diploma deverá ser votado apenas na próxima semana, a pedido de toda a oposição, que contestou a possibilidade de a votação decorrer hoje, no mesmo dia em que «o texto final» foi entregue pela maioria PSD/CDS-PP na mesa do Parlamento.
«Todos os artigos relativos à educação que a maioria não conseguiu aprovar por dois terços na revisão da Constituição foram apresentados em comissão, num autêntico contrabando constitucional», acusou ainda Luísa Mesquita.
De acordo com os partidos da oposição, essas alterações foram agora introduzidas na Lei de Bases da Educação, que esteve em discussão no Parlamento ao longo de quase um ano.
Questionados pelos jornalistas, PS e PCP rejeitaram, por enquanto, apelar ao Presidente da República para que envie o diploma para o Tribunal Constitucional, e sublinharam a sua confiança «no juízo» que Jorge Sampaio irá fazer.
«Nesta lei o que se propõe é alegadamente a existência de uma rede de serviço público e particular», criticou também Augusto Santos Silva, enquanto Alda de Sousa classificou essa alteração de «uma machada enorme na rede pública de ensino».
«O material e os manuais escolares, o alojamento e as deslocações só são gratuitos para os mais carenciados economicamente», contestou ainda Luísa Mesquita.









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