quinta-feira, 30 de julho de 2009

NO SOFÁ OU NA CADEIRA NADA SE CONSEGUE

Antes de ler a notícia, tal como já fiz por e-mail para o jornal, convém esclarecer que...

Lida e relida a notícia do DN de 30/07/09 - "Professores participam na campanha contra o PS" -, parece-me existir um pormenor cujas expressões podem tornar num pormaior, na medida em que podem induzir em erro e/ou não traduzir fielmente o pensamento/afirmações que proferi.

O texto refere no
lead "... para a qual os sindicatos serão convidados" e, depois, no corpo da notícia, "... a culminar numa grande manifestação, para a qual vão pedir a participação dos sindicatos". Ora, tal como proferido no contacto telefónico que está na base da notícia, os "movimentos vão solicitar uma reunião com os sindicatos, no sentido de se realizar uma grande manifestação", o que não é o mesmo que "convidá-los" ou simplesmente "pedir a sua participação". A realização de uma grande manifestação só será decidida pelos três movimentos em convergência com os sindicatos.

No entanto, tal como também referi, e aqui isso é essencialmente assumido pelo MUP, as acções de rua serão realizadas independentemente do apoio dos sindicatos e, naturalmente, poderão culminar com uma manifestação.

Os três movimentos têm tornado público - embora a comunicação social não lhe tenha dado ainda o destaque merecido - o "Compromisso Educação" com todos os partidos políticos da oposição (procurar a expressão nos blogues dos movimentos -
MUP, APEDE e PROmova), com o objectivo de cada um deles assumir claramente, nos seus programas eleitorais, as suas posições relativamente aos pontos essenciais que têm estado na base da contestação dos professores e que são publicamente conhecidos.


Professores participam na campanha contra o PS

Movimentos vão usar acções de rua, 'e-mails' para professores, textos em blogues e uma manifestação, para a qual os sindicatos serão convidados, para 'tirar' o partido do Governo

Os movimentos independentes de professores vão organizar uma campanha para derrotar o PS nas próximas eleições legislativas. Acções de rua, e-mails para professores, textos em blogues e uma manifestação da classe são as formas que os docentes vão utilizar em Setembro, em plena campanha eleitoral, para impedir que o PS volte ao Governo.

O Movimento Mobilização e Unidade dos Professores (MUP), a Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (Apede) e o Promova reuniram na terça feira e do encontro saiu um objectivo declarado: "fazer campanha política contra o Partido Socialista". Confrontado com a hipótese de os movimentos serem instrumentalizados pelos partidos da oposição, Ilídio Trindade, do MUP, defendeu que "não se trata de apelar ao voto em nenhum partido político, mas apenas tirar o PS do Governo, para estancar a dinâmica destrutiva na educação".

Para tal, os professores vão utilizar a Internet, através da qual contam fazer chegar a cerca de 90% da classe textos contra o actual executivo. Autor do maior blogue sobre educação em Portugal (A Educação do Meu Umbigo), Paulo Guinote está disponível para alinhar nesta frente, mas sempre de forma independente. "De forma a explicitar em quem não voto e não em quem voto e a dar a minha opinião sobre os programas dos partidos", até porque "concordo com o objectivo da campanha mas não com a forma, com esta estratégia do tudo ou nada que pode levar a um corte completo com um futuro Governo", explicou Guinote.

Mas os professores não se vão limitar ao mundo digital e querem promover acções de rua, a culminar numa grande manifestação, para a qual vão pedir a participação dos sindicatos. No entanto, a avaliar pela reacção do líder da Fenprof, esta última proposta não terá a adesão sindical. "Os sindicatos não fazem campanha contra partidos", respondeu de forma taxativa Mário Nogueira. "Apenas fazemos lutas contra políticas e em defesa dos professores", continuou o dirigente da Fenprof, que ainda assim admitiu "que é bom que não haja uma maioria absoluta de nenhum partido, de forma a favorecer o diálogo".

Para os movimentos, a campanha faz sentido mesmo sem o apoio dos sindicatos, e "em pequeno ou em grande número", os professores vão manifestar-se na mesma. "Isto porque percebemos que grande parte da classe está descontente A título de exemplo, fizemos uma pequena sondagem no site do MUP onde perguntámos que medidas deviam ser feitas para pacificar a classe e as respostas apontavam para a suspensão do modelo de avaliação, o fim da divisão e das quotas na carreira e a reposição da autoridade dos professores, que curiosamente foi a resposta mais dada...", diz Trindade.

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