segunda-feira, 20 de julho de 2009

O DESNORTE NAS ESCOLAS E NA EDUCAÇÃO

É impossível esconder o desnorte que grassa pelas escolas, em termos de avaliação de professores. Naturalmente, essa desgraça é resultado do desnorte do Ministério da Educação, da ministra, dos secretários de Estado, do primeiro-ministro.

Ao colocar todo o poder discricionário nos directores, já se sabia no que isto ia dar. Tal como nós, foram várias as vozes que alertaram atempadamente para os resultados do "Simplex".

Tudo começou com a definição do calendário para a entrega dos OI, cujos prazos, de escola para escola, pareciam ser um toque a finados de ano inteiro. Depois, os presidentes dos CE/directores de umas escolas definiram objectivos para toda a gente; noutras, só o fizeram para quem não entregou os OI; noutras ainda, nada definiram.

Agora, no momento da entrega da FAA, as ilegalidades, injustiças, arbitrariedades, penalizações... Enfim, o desnorte continua.

O caso da Escola Secundária de Odivelas já é público; no Agrupamento Vertical de Escolas de Canedo, o director resolveu chamar, recentemente, todos os professores ao seu gabinete para explicarem as evidências daquilo que referiram na FAA; na Escola Secundária Ferreira de Castro, em Oliveira de Azeméis, foi permitida a entrega dos objectivos individuais até 15 de Julho, ou seja, ao prazo limite da entrega da auto-avaliação; no Agrupamento de Escolas de S. Teotónio, aos professores que não entregaram os OI foi dada a informação de que não seriam avaliados; numa escola dos arredores de Lisboa, a entrega da FAA é só em Setembro e os professores que não entregaram os OI nem sabem qual vai ser a atitude de quem dirige...

E os casos não acabaram nem vão, certamente, acabar aqui.

Um dos grandes objectivos da ministra da educação está a ser, de facto, conseguido: causar mal-estar e lançar a confusão nas escolas públicas, a troco de uma teimosia doente e, claro, da poupança de uns euros que ajudem a tapar os buracos das contas públicas.


NOTA: Se nos quiser dar conta de processos "desnorteados" na sua escola, pode contactar-nos (mobilizar.e.unir.professores@gmail.com). Zelaremos pela preservação da identidade, se tal nos for solicitado.

6 comentários:

Anónimo disse...

Porque me relaciono pessoalmente com professores da escola secundária ferreira de castro, confirmo que efectivamente, os OI e a FAA podiam ser entregues até 15/07. Mas ainda acrescento mais: a actual directora foi uma das titulares que assinou uma moção de não entrega dos OI. Por pressão e influência dos seus colegas titulares, candidatou-se ao cargo de directora em oposição a outra candidatura menos desejada porque algo conivente com o ME. Quando se candidatou entregou os OI; agora, está a cumprir a lei, embora com flexibilidade.
Duas conclusões:
- a força do cargo altera a atitude;
- ou muito me engano, ou muitos profs daquela escola sairam defraudados...

celeste caleiro disse...

É muito fácil recolher dados sobre a aplicação do modelo...é só perguntar a quem esteve nas sessões de formação de add. Eu caí numa de pára-quedas, porque a colega que costumava frequentá-las, aposentou-se (pudera!)e mandaram-me a mim.Eu até nem era obrigada a ficar lá , pois suspendemos a avaliação na escola, quase desde o início. Mas fiquei para ver e contar...Uma desgraça!
Com os mesmos descritores, davam-se avaliações diferentes, pequenas vinganças eram implementadas por uns e por outros, a tão famosa objectividade caiu por terra. Até que, e estou farta de contar esta piada,o formador deu conta que tinham acrescentado um item na ficha de aav do ME e ele ainda nem sabia e ficou...imaginem! Dava um cartoon...

Anónimo disse...

# Anónimo

Aconteceu o mesmo na minha escola.

Anónimo disse...

O REINADO DO DIRECTOR
Não sei se é o espaço oportuno, mas não quero deixar de divulgar o que com espanto assisti na minha escola. Passo a descrever: na última reunião de sub-departamento vi-me confrontada com a substituição do sub-coordenador que durante todo o ano lectivo tinha exercido aquelas funções. Comecei então a pensar se seria eu que estaria de tal modo cansada, que não havia dado conta de quem era o meu sub-coordenador apesar de já estarmos na ultima reunião do ano lectivo. Mas, mais espantada do que eu ficou a sub-ccordenadora substituída, pois foi substituída sem saber de nada. Assim, então chegados à reunião, alguèm ( pelos vistos o novo sub-coordenador então seleccionado pela directora da escola) apresentou-se de pasta debaixo do braço e começou a conduzir a reunião até ser interrogado sobre o porquê de estar ali naquela função, a sua resposta foi rápida e certeira- ordem da directora. Tudo isto tinha sido mais bem digerido se todos nós soubéssemos que por trás de todo este cenário está a democracia, mas custa-nos a fazer a digestão da instauração nas nossas escolas de um poder ditaturial que pode trazer nas suas entranhas laivos de um aguçado apetite por retaliações juradas no tempo. Devo estar a exagerar, isto não está a acontecer na escola pública, isto não está a acontecer em Portugal...Peço desculpa por não dizer o meu nome mas não posso, pois quem sabe possa eu ser perseguida por alguma directora.

Anónimo disse...

Na minha escola e a propósito da entrega do portfolio são exigidos documentos, reflexões, grelhas etc das turmas leccionadas. São exigidos documentos que não o foram em tempo e agora andam os professores a inventar reflexões que supostamente deveriam ter realizado. Os professores deverão descrever detalhadamente todo o processo ensino realizado.Imagine-se: os alunos tiveram um determinado resultado numa ficha e em determinadas perguntas o professor deve reflectir(por escrito) sobre os resultados, e como irá resolver o problema. Depois deverá provar o que fez para alterar a situação apresentando sempre evidências: 1º deverá provar que não sabiam - com grelhas e reflexões; depois provar que implementou estratégias; depois provar e reflectir sobre tudo e mais alguma coisa - é papel e mais papel para provar por

Anónimo disse...

Mais um comentário que como compreendem tem de ser anónimo - já ouvi conversas entre avaliadores de como se vão vingar de uma determinada colega ao preencherem as grelhas (na relação com os alunos). Casos existem onde nem sequer reconhecem uma estratégia ou método de ensino ou simplesmente têm visões diferentes sobre os mesmos factos.
A arbitrariedade instalou-se e os que hoje estão a "comer" anseiam pelo dia em que poderão eventualmente estar por cima. Instalou-se a guerra e dos alunos, já ninguém se lembra deles.Instalou-se o medo, a perseguição tudo o resto está a passar para segundo plano.
O que acontecerá quando os alunos do secundário, numa época de crise, forem abonados com os tais 150€ para andarem na escola? os professores estão entre a espada e a parede - teremos de passar por cima de alguém?

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