sábado, 11 de julho de 2009

SÍNDROME DOS PROFESSORES ESPECIALISTAS EM TUDO

Segue o texto integral, em resposta à solicitação da jornalista Rosa Ramos, como comentário ao inquérito governamental sobre a “Educação para a Saúde em meio escolar” para incluir no artigo Professores sem formação para implementar o programa Educação para a Saúde do Jornal I, quer na versão online , que na versão impressa.


"Embora não conheça ainda o estudo/inquérito, de acordo com a notícia [em baixo] existem algumas questões que, desde já, se colocam. A primeira é, desde logo: a que "profissionais da escola" se refere? Aos professores? Aos psicológos/especialistas que estão e que deveriam estar nas escolas? Aos funcionários?
Infelizmente, as políticas educativas e os contextos sociais e escolares têm levado a que os professores sejam tudo: professores, funcionários administrativos, burocratas, "pais", psicólogos... Só falta transformá-los, por decreto, em verdadeiros especialistas de saúde. Atenção: em "especialistas" de saúde.
Os nossos governantes parecem padecer da típica síndrome portuguesa de todos serem especialistas em tudo.
Embora, como parece constar do estudo, a maior parte das escolas tenha organizado, mobilizando os seus parcos recursos físicos e humanos, actividades na área da saúde, dinamizadas por clubes e assentes em projectos educativos, há aqui áreas de intervenção que necessitam de especialistas específicos, que não simples professores, mesmo que com formação académica na área. As melhorias referidas devem-se apenas ao esforço dos docentes que, face à experiência nas escolas, tentam dar o contributo de que melhor são capazes para minimizar muitos dos problemas e das realidades sociais que se cruzam no ambiente escolar.
A formação dos professores tem sido bastante descurada. Além de paga, tem sido uma sobrecarga acrescida para os professores, pois têm de a realizar fora do seu horário de trabalho. Esta área em particular tem sido bastante esquecida, em termos de formação global dos professores. Na verdade, a preparação e formação dos professores o pouco que tem sido impulsionada tem sido redutora, na medida em se tem procurado centrá-la muito na sua área de formação científica. Ora, a um professor de Línguas, Matemática, etc., salvo raríssimas excepções que possam ter existido, nunca nunca foi dada, possibilitada ou reconhecida a necessidade de formação na área da saúde.
Em minha opinião, dada a complexidade do problema (e os problemas éticos que levanta nalguns aspectos), a sua resolução deveria assentar em dois pilares: a criação de gabinetes de especialidade e a formação de professores, gabinetes com especialistas nesta área que sejam um suporte à escola, aos professores e aos alunos; formação dos professores, nestas áreas, de forma a poderem lidar com estes problemas, mas munidos de conhecimentos teórico-práticos que possibilitem uma acção que vá além do "desenrasca" tipicamente português."


Notícia publicada na Lusa, dando conta do estudo/inquérito do Ministério da Educação:

Violência, saúde mental e consumo de substâncias psicoactivas são as áreas em que há mais necessidade de promover competências dos profissionais da escola, segundo um inquérito governamental sobre a “Educação para a Saúde em meio escolar”.

O estudo, divulgado à Lusa pelo Ministério da Educação, abrange as escolas sede de Agrupamento e as escolas não agrupadas do continente, num universo de 1 216 escolas, tendo obtido uma taxa de resposta de 95 por cento (1 154 escolas).

O inquérito, desenvolvido pelo Núcleo de Educação para a Saúde e Acção Social Escolar, indica que a esmagadora maioria dos estabelecimentos escolares (95 por cento) integra a Educação para a Saúde no Projectivo Educativo de Escola (PEE), o que, na comparação com idêntico estudo de 2007, mostra uma “melhoria significativa”.

No entanto, mais de metade das escolas (57 por cento) não dispõe de Gabinetes de Apoio e um terço do total (38 por cento) não prevê mecanismos de avaliação dos resultados do trabalho nesta área.

Em 2007, segundo o inquérito, 59 por cento das escolas não possuía Gabinetes de Apoio, mas 71 por cento das escolas indicou a existência de Clubes de Actividades nesta área.

A alimentação, a sexualidade e infecções sexualmente transmissíveis são os principais conteúdos de Educação para a Saúde, ministrados principalmente nas disciplinas de Ciências Físicas e Naturais e Biologia (95 por cento) e Educação Física (85 por cento).

Outros temas debatidos são a actividade física, o consumo de substâncias psicoactivas, higiene, saúde oral, violência/saúde mental e imagem corporal.

As áreas mais trabalhadas têm sido os binómios alimentação/actividade física (95 por cento) e educação sexual/prevenção de infecções sexualmente transmissíveis (85 por cento).

A imagem corporal (perto de 60 por cento) e a violência/saúde mental (70 por cento) são os conteúdos menos abordados este ano.

O interesse demonstrado e as atitudes assumidas pelos alunos são o factor que mais tem facilitado o desenvolvimento e aplicação de medidas de Educação para a Saúde, bem como o interesse de docentes.

No pólo oposto, além de factores indiferenciados, está o interesse demonstrado e as atitudes assumidas pelos pais.

1 comentário:

Anónimo disse...

Sinceramente devem ter andado muito distraídos até agora...há anos que se faz Educação para a Saúde nas Escolas...há anos que se faz formação e que se recebe , tanto dada pelo próprio ME, desde o tempo do "Viva a escola" , como no projecto "escolas promotoras de saúde " , como nos centros de Formação, como dada por algumas Direcções regionais de educação..
Há anos que muitas Escolas têm projectos de educação para a Saúde e devidamente integradas nos seus Projectos Educativos...diria mais , mas corro o risco de ter que escrever muito , mas já estou cansada , e não serei só eu , de vos ver dizer barbaridades. Informem-se se faz favor .Bom domingo.

Desde 01-01-2009


Este blog vale $140.000.00
Quanto vale o seu blog?

eXTReMe Tracker

Estou no blog.com.pt - comunidade de bloggers em língua portuguesa
Twingly BlogRank
PageRank
Directory of Education Blogs

RSSMicro FeedRank Results
Add to Technorati Favorites
Locations of visitors to this page