Dezenas de professores de Aveiro que este ano leccionaram Actividades de Enriquecimento Curricular nas escolas do 1.º Ciclo de seis freguesias ainda não receberam os ordenados de Maio e Junho e o subsídio de assiduidade.
Setenta e quatro professores das Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) que deram aulas em escolas do primeiro ciclo de seis freguesias de Aveiro têm salários em atraso (meses de Maio e Junho e o subsídio de assiduidade). A Direcção Regional de Educação de Educação do Centro (DREC) ainda não enviou para a Câmara de Aveiro a terceira prestação anual que permitirá pagar 88 mil euros aos docentes de Actividade Desportiva, Expressões, Inglês e Actividades Experimentais.
Fonte oficial da Câmara de Aveiro confirmou, ao JN, que a última tranche da DREC ainda não chegou à autarquia, que assim não pode transferir o dinheiro (122 mil euros), para a Associação da Comunidade Educativa de Aveiro (ACEA), sediada na EB 2,3 de S. Bernardo, responsável pelo pagamento aos professores e pela dinamização das AEC nas escolas das freguesias de S. Bernardo, Oliveirinha, Cacia, Aradas, Esgueira e N. Sra. de Fátima.
Fernando Delgado, gestor da Associação da Comunidade Educativa de Aveiro, lamenta a situação em que se encontram os 74 professores mas reconhece que a associação nada pode fazer enquanto não receber a verba da DREC. Glória Leite, presidente do Conselho Executivo da EB 2,3 de S. Bernardo, lembra que os atrasos na transferência de verbas são frequentes e que só não prejudicam os professores porque a associação "tem adiantado o pagamento".
Segundo professores contactados pelo JN, a média mensal auferida por cada docente ronda os 500 euros por mês, dinheiro ganho pelas 8 a 14 horas que trabalham semanalmente nas escolas. Alguns, nomeadamente os que continuam a estudar, têm neste vencimento a única forma de rendimento, uma situação delicada, de tal forma que a ACEA no portal interno aconselhou os professores a darem baixa de actividade nas Finanças de forma a não pagar a Segurança Social visto que não estão a receber. Em média cada professor tem a receber cerca de 1200 euros.
O JN questionou a DREC sobre a situação, mas não obteve resposta.









2 comentários:
Sobre este assunto há a acrescentar esta notícia recente do Diário de Aveiro:
Actividades de Enriquecimento Curricular
Ministra diz que é impossível professores estarem sem receber
Luis Ventura (Diário de Aveiro)
A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, garantiu ontem que é “impossível haver professores sem receber os seus salários”.
Questionada pelo Diário de Aveiro sobre o atraso de dois meses nos ordenados dos professores que leccionaram Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC) em escolas de Aveiro, a governante assegurou que “isso não acontece no Ministério da Educação”.
Maria de Lurdes Rodrigues, que visitou duas secundárias da cidade de Aveiro, argumentou que “as escolas têm a sua dotação de transferência a tempo e horas e pagamos os salários a tempo e horas”.
Falando no final da visita à Escola Secundária Mário Sacramento, sustentou mesmo que “o Ministério da Educação tem também as suas transferências em dia com as câmaras municipais e não temos nenhum problema desse género de salários”.
Embora reconhecendo que não conhece a situação em concreto, garantiu que “isso é impossível”.
A ministra explicou também que o sistema “funciona com todo o rigor há muitos anos, porque é importante para a sua própria estabilidade”. “Pode ter a ver com qualquer instituição, mas com o ministério, garanto que isso é impossível”, concluiu sem margem para dúvidas.
As declarações de Maria de Lurdes Rodrigues deixaram incrédulo um das várias dezenas de professores que estão sem receber os seus salários. “A ministra está a fugir à verdade, porque não recebemos há mais de dois meses”.
O docente, que pediu para não ser identificado, lastimou as declarações da ministra e a situação em que se encontra, porque “há colegas que estão em dificuldades, já que esta é a sua única fonte de rendimento”. Esta será a primeira vez que os professores foram para férias sem receber os vencimentos referentes a Maio. De resto, o professor contactado pelo nosso jornal conta que já pediu esclarecimentos à DREC – Direcção Regional da Educação do Centro, mas nunca obteve resposta.
Fonte da Câmara de Aveiro confirmou o atraso na recepção dos cerca de 120 mil euros destinados à regularização dos salários dos professores que leccionaram as AEC nas escolas de S. Bernardo, Oliveirinha, Cacia, Aradas, Esgueira e Nossa Senhora de Fátima.
A notícia refere 88 000 € de dívidas aos professores, mais à frente fala-se de 122 000 € que a associação tem a receber.
Os cerca de 34 000 € que sobram vão para onde?
E como tem a associação possibilidades de "adiantar os pagamentos" como diz a Glória Leite em citação na notícia?
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