quarta-feira, 30 de setembro de 2009

CUIDADO, COLEGAS CONTRATADOS!

Dois e-mails trocados entre dois colegas. Revelam enorme preocupação e o estado caótico...
Optou-se por preservar a idendade do primeiro texto, por não nos ter chegado directamente do autor.
Caros colegas,

os atentados à transparência e honestidade no concurso de professores 2009/2010 já atingiu laivos de país de 4º mundo!!

Mesmo a propósito, dizia-vos eu num mail anterior, que só faltava rifarem os horários vagos nas escolas para o primeiro que o apanhasse. Vejam agora a situação seguinte, passada em 1ª mão (mais própriamente, comigo).

Ontem, dia 20/Set/2009, pelas 17.00 recebo uma chamada da secretaria do Agrupamento de Escolas Dr. Azevedo Neves (menciono o nome, para toda a gente ficar a saber a laia da Direcção desta escola), a informarem-me de que fui colocado num horário do grupo 520, de 22 horas lectivas. Uma vez que já não se encontrava ninguém da Direcção com quem eu falar, se não me importava de os contactar no dia seguinte, 21/Set/2009, para conhecer os detalhes do dito horário. Respondi logo que sim, e fui verificar nessa noite se tinha já sido seleccionado na aplicação informática do concurso, onde ainda não constava nada.

Hoje, dia 21/Set, pelas 9.30 da manhã, telefonei para saber pormenores, ao que me disseram que ainda não estava ninguém disponivel da Direcção com quem eu falar, se poderia passar lá mais tarde. Como sou um rapaz já batidito nestas coisas, e como as Direcções nunca estão disponiveis quando lá vamos, disse-lhes que ligaria mais tarde para marcar uma hora, para falar pessoalmente com alguém da Direcção. E lá fui à minha vida.

Pelas 11.20, convencido que já estaria alguém disponivel, liguei novamente, e, finalmente, passaram-me ao Sr. Director. Identifiquei-me, e expliquei que estava a ligar para saber pormenores do horário, e para saber quando poderia lá passar.

A resposta do Director deixou-me pasmo: "ah", diz ele, "esse horário já esta ocupado". "Ocupado???????", perguntei. "Ocupado como, se me disseram que eu tinha sido colocado???" RESPOSTA: "Sim, ocupado por uma colega sua que veio cá de manhã, e eu dei-lhe o horário." Ainda estupefacto com a resposta, expliquei ao homem o que me tinham dito da secretaria, e que ainda nem me tinham colocado na aplicação, ao que me respondeu:" Mas nós só colocamos os professores na aplicação para aceitarem oficialmente o horário quando já aceitaram aqui na escola. A sua colega foi a primeira a passar, e eu dei-lhe o horário." É claro que o informei de que iria reportar o assunto ao sindicato, mas logo me despachou com um rápido bom dia.

Voltei imediatamente a consultar a aplicação informática, mas nada lá constava, de facto.

Falei com o apoio aos sócios do sindicato, que me disseram terem várias queixas semelhantes, mas sem prova documental da situação, seria sempre uma questão de palavra contra palavra, o que levaria a nada.

Moral da história: além da desonestidade, imoralidade e humilhação a que está sujeito um professor ao ser tratado desta forma, o importante é que esta é uma fuga clara ao determinado legalmente para os concursos, a que muitas escolas, que não querem saber de graduações, tempo de serviço, classificação académica, experiência (o que quiserem), estão a recorrer... São chamados os artifícios à português Chico Esperto.

Ainda por cima, não havendo controle nas listas de selecção que cada escola faz, neste momento chegou-se ao "salve-se quem puder" e "vale tudo e até tirar olhos, se necessário". O problema é que estafalta de controle deixa-nos sem margem de contestação numa situação como esta, e muitas outras.

Um dos grandes males nas escolas públicas foi a criação e implementação da figura do Director, que, com a acumulação de poderes e não sendo sério, é um caso muito sério para a democracia nas escolas. E nós vivemos num país em que muita gente não é nadinha séria...

É afinal esta a escola moderna que tanto defendem???? Chiça!!! Esta, por mim, vai prá lista negra! Que nódoa!

Por isso, colegas (em particular contratados), cuidado, e vão estando atentos. Não foi por falta de avisos no passado recente. Estáva na cara que estas coisas iam acontecer!

Divulguem, divulguem, divulguem...pois esta gente merece uma cachaporrada na cabeça, como dizem no Norte!

[Assinado X]


X (e Direcção do SPGL):


Li o teus e-mails sem surpresa: a lei da selva nas Contratações de Escola este ano é um facto. Só para te dar um exemplo que se passou comigo:

Há cerca de 15 dias concorri a vários horários do meu grupo (240) para a Escola EB2,3 Aquilino Ribeiro. Passados 2 dias ligam-me da escola perguntando porque não tinha ido à aplicação e aceitado o horário, uma vez que me tinham seleccionado para ele.

Na minha boa fé fui à aplicação, a "aceitar/recusar", e para meu espanto não estava lá horário nenhum, facto que transmiti nesse mesmo telefonema à Direcção da escola.

Mais espantado fiquei quando me disseram que estranhavam o horário não estar lá, pois eu tinha sido seleccionado para o grupo 550 (Informática). Respondi cada vez mais atónito que não podia ser, pois só tinha concorrido para o único grupo para o qual estou habilitado, o 240 (EVT). Eles disseram que iam questionar a DGRE e para eu, entretanto, me manter atento à aplicação.

Passaram vários dias (até hoje) e na aplicação, em "aceitar/rejeitar", nenhum horário apareceu!


Donde se impõem duas conclusões:

1- A aplicação informática da "Contratação de Escola" baralha os números de código dos grupos disciplinares que o candidato lá introduz.

2- Há escolas, como a EB2,3 Aquilino Ribeiro, que seleccionam os candidatos para horários de grupos disciplinares para os quais o candidato não possui habilitação legal.

3- A Direcção do sindicato tem de intervir.


Abraço na luta!

Ambrósio

3 comentários:

Anónimo disse...

UMA MISÉRIA E FALTA DE TRANSPARENCIA E ILEGALIDADE NOS SERVIÇOS PUBLICOS DESTE FAMOSO GOVERNO QUE MUITOS PORTUGUESES TEIMA EM LÁ COLOCAR.

PORTUGAL E ALGUNS HABITANTES SÓ MERECEM REALMENTE O PIORIO.

QUE QUEM OS LÁ COLOCA QUE SOFRA TODAS AS CONSEQUENCIAS, MAS NOS QUE NÃO VOTAMOS SOCRATES, DEIXEM-NOS LIVRES DESTA POUCA VERGONHA.

APROTED disse...

"O DL nº 35/2007 exemplifica ainda, ad absurdum, de como pode a própria lei preceituar a não-lei. Ou seja, a ausência de princípios gerais que se querem justos e iguais para todos. Não havendo lei, “cada qual se amanha como pode” e faz as suas próprias regras. Esta desorientação imposta pelo ME, que alguns confundem com liberdade e autonomia, é um pesado fardo para as gestões escolares cada vez mais “atafulhadas” com trabalho burocrático despachado dos gabinetes da 5 de Outubro. Num sistema assim desprotegido, resta nas administrações escolares a ética, os valores e princípios de justiça, que ainda sobrevivem da “ordem” anterior. Algumas escolas seguem-nos, outras nem tanto.
A grande reforma do ensino, no nosso caso particular do ensino profissional e artístico, que continua a ser anunciada e auto-elogiada pelo ME é já, hoje, uma enorme “Torre de Babel” que não chegará a parte alguma. O caos é de tal ordem que, por exemplo, para uma mesma disciplina de currículo nacional, lançada por oferta de escola em 35 diferentes estabelecimentos de ensino públicos, todos exigiram critérios de selecção diferenciados. Para a mesma disciplina, para o mesmo curso, para ministrar os mesmos conteúdos, umas escolas pedem “alhos”, outras “bugalhos”.
Na área específica do teatro, onde, como referimos, já há professores profissionalizados, e centenas de especialistas habilitados pela dezena de cursos superiores de teatro que já existem no país, surgem critérios de selecção surpreendentes. Alguns exemplos: uma escola de Odivelas para Dramaturgia e Interpretação não exigia habilitação superior do professor na área específica, mas “ que tenha experiência técnica aferida pelo Centro Cultural da Malaposta e seja colaborador do mesmo Centro; outra, de Penafiel, para a área de Expressões Artísticas, nomeadamente dramática, pede um professor de Educação Física que já tenha leccionado naquela escola; já uma escola de Matosinhos, para esta a mesma disciplina, pede um licenciado em Português.
Através da aplicação informática do ME, os milhares de candidatos constatam toda esta série de absurdos e de nítidos favorecimentos pessoais nos critérios de selecção. No entanto, nada podem fazer, pois não há quem regule ou fiscalize acima da própria entidade que elaborou os critérios. De facto, pela actual legislação, as escolas podem até apresentar os critérios mais rigorosos, “para inglês ver”, no anúncio de candidatura, mas seleccionar, depois, o candidato que muito bem entendam. Como o ME não fiscaliza e foi retirado aos candidatos a possibilidade de consultarem a sua classificação e ordenação no concurso, a escola nunca será incomodada por recrutar um professor menos capaz entre outros com habilitações mais adequadas.
Na realidade, a Portaria nº 367/98, que regulava as Ofertas de Escola e que foi extinta pelo actual DL 35/2007, previa que os candidatos recorressem, para o director regional de educação respectivo, da decisão de selecção. As escolas eram também obrigadas a publicar e afixar a lista graduada com as classificações dos candidatos. Vários recursos começaram a surgir e as direcções regionais viram-se obrigadas a dar razão aos recorrentes, tendo de repetir os concursos. Mas estes recursos e a reposição da justiça eram grãos de areia na engrenagem da actual reforma do ensino que se quer ligeira. Assim, o DL 35/2007 vem acabar com o direito de recurso pelo Código de Procedimento Administrativo, e não exige que a escola apresente publicamente a lista graduada ou que justifique porque razão escolheu um candidato em vez de outro."

Artigo integral em: http://teatronaeducacao.blogspot.com/2008/12/opinio-entre-pandora-e-babel-o-decreto.html

ProfTiC disse...

É uma vergonha o modo como tratam os professores contratados!

Já concorri para imensos horários de oferta de escola e nimguém dá uma satisfação, a dizer se o candidato ficou ou não seleccionado, e mais não se divulga a lista ordenada dos candidatos. Eu passo os dias a ver a aplicação se estou ou não colocada, mas para quê? Não tenho habilitações FACTOR C! Haja saúde!
Paula Pimentel

Desde 01-01-2009


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