terça-feira, 8 de setembro de 2009

EDUCAÇÃO: PORTUGAL E OS OUTROS

Relatório da OCDE com dados de 2007
As diferenças entre Portugal e os outros países
Professores trabalham mais

Portugal continua a gastar pouco na educação, 6624 dólares anuais por criança, a média do pré-escolar ao superior, comparativamente à média da OCDE que é de 7840 euros. Se se olhar para o PIB, o investimento em educação equivale a 5,6 por cento; menos 0,1 que a média da OCDE. De 1995 para 2006, Portugal aumentou a sua despesa de 5 para 5,6 por cento do PIB. Há países como os EUA, a Dinamarca ou a Islândia que investem mais de sete por cento do PIB na educação.

A quase totalidade da despesa portuguesa (98,1 por cento) é para o pagamento de salários no ensino não superior. Só no ensino secundário, em Portugal, o custo de salário de um professor por estudante é 11 pontos percentuais mais alto do que a média da OCDE. Isto verifica-se porque Portugal tem dos salários mais altos, quando comparados com o PIB per capita, que a média dos países (sobretudo os dos docentes no topo da carreira que recebem cerca de 38 mil euros anuais contra os 33 mil da média da OCDE); está acima da média no que toca ao tempo que os professores passam em sala de aula, apesar de terem turmas mais pequenas.

No entanto, estes efeitos diminuem devido ao número de horas de aulas, acima da média da OCDE. Na verdade, quando comparados os anos de 1996 para 2007, os professores portugueses passaram a trabalhar mais horas, de 783 para 855 no 1.º ciclo e de 644 para 752 nos 2.º e 3.º ciclos; no secundário aumentou de 574 para 684 horas por ano. As médias da OCDE para 2007 são também inferiores às horas que os docentes portugueses trabalham: 798, 709 e 653 para os 1.º; 2.º e 3.º ciclos e secundário, respectivamente.

Falta avaliação dos docentes

Em 2007/2008, quase metade dos professores portugueses respondeu que, em cinco anos, a sua escola nunca tinha feito auto-avaliação. Um número significativo de países da OCDE, com a Itália, Espanha e Portugal à cabeça, têm estruturas de avaliação fracas, tanto para as escolas como para os professores. Na altura, por cá, metade dos professores afirmavam que nem auto-avaliação, nem avaliação externa.

No entanto, a avaliação pode ter um papel fundamental na melhoria da escola e o que é certo é que os professores gostam de ser reconhecidos. No estudo Talis, a sigla para Teaching and Learning International Survey, sobre as condições de trabalho dos professores, citado no relatório Education at a Glance, a maioria dos docentes avaliados consideram justo esse procedimento e que tem um impacto positivo na sua satisfação laboral. Por cá, 42 por cento dos professores dizem que a avaliação não mudou nada na sua satisfação laboral, mas 38 por cento dizem que melhorou ligeiramente e só dez respondem que melhorou muito.

Em termos gerais, 61 por cento dos professores dos 23 países da OCDE que participam neste estudo consideram que avaliação foi um impulso para o seu desenvolvimento profissional; sete em cada dez docentes portugueses têm esta mesma opinião. Também os italianos estão igualmente satisfeitos, o que leva a OCDE a concluir que “é um sinal claro para os políticos que a avaliação pode melhorar a qualidade de vida laboral”.

Três em cada dez desiste no superior

Em 24 países da OCDE, 31 por cento é a média de alunos que não termina os cursos superiores em que se inscreveu. Portugal está na média, ao lado da Suécia e da Islândia. Os piores resultados são da Itália, Nova Zelândia e Hungria, com valores superiores a 40 por cento de desistentes. Os mais bem sucedidos são os japoneses, dinamarqueses e belgas, onde apenas um a dois alunos em cada dez não completa os estudos. Os países com as propinas mais baixas têm debatido se essa não será uma das razões por que os alunos não terminam os estudos, uma vez que não têm que investir nos mesmos.

Contudo, o exemplo dinamarquês deixa os mais críticos na dúvida. Afinal, a Dinamarca não cobra propinas e providencia subsídios aos alunos para continuar a estudar e aqueles não desistem. O maior incentivo para estudar, aponta o relatório, são os benefícios pessoais, após os estudos, ou seja, se há emprego e se esse é bem remunerado. “Este pode criar um incentivo suficientemente grande, independentemente do nível das propinas, para que os estudantes terminem os seus estudos”, pode ler-se no relatório.

Para que estes alunos não se percam, em muitos países, as instituições ajudamnos a reorientar-se para outras formações ou mesmo a entrar no mercado de trabalho. Por exemplo, na Suécia, os jovens podem trabalhar e regressar à escola para continuar os estudos sem perder os benefícios que tinham anteriormente.

Compensa fazer o superior

O ensino superior compensa sobretudo em termos salariais. Portugal está em terceira posição, atrás da Hungria e da República Checa onde as diferenças de salário é superior entre os que têm uma licenciatura e os que têm apenas o 3.º ciclo. O investimento feito pelos rapazes portugueses no superior pode levá-los a ter ganhos acima dos 130 mil euros, ao longo da vida de trabalho; o retorno para as mulheres é de apenas 60 mil euros. A média da OCDE é de 57 e 36 mil para homens e mulheres, respectivamente.

Um novo indicador é a relação entre o ensino e três medidas sociais de bem-estar: a confiança interpessoal, auto-avaliação do estado de saúde e interesse político. À medida que a pessoa tem mais educação formal, vai tendo mais preocupações com a sua saúde, mas também obtendo mais consciência política. Há diferenças de género: os homens revelam preocupações com a saúde e interesse político, as mulheres desenvolvem a confiança interpessoal. Os mais jovens revelam estar bem de saúde, enquanto os mais velhos têm mais preocupações políticas e de confiança interpessoal.

Também os que têm melhores salários são mais preocupados que os restantes. No entanto, todas estas diferenças esbatem-se entre os que têm mais formação, o que significa que a “educação pode potencialmente servir para diminuir as desigualdades”, diz a OCDE.

In Público.

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