terça-feira, 29 de setembro de 2009

ESPERANÇA EM QUÊ?

Após domingo passado, concluí que a Humanidade atravessa uma encruzilhada, na qual não se sabe qual a direcção que vai tomar. Perante a crise económica grave, o espectro de uma pandemia de proporções dantescas, o horizonte sombrio de uma degradação ambiental apocalíptica, e a constatação nacional de um futuro catastrófico, talvez tenha chegado o momento de me preparar para a naturalidade das leis universais.

Deste modo, e na sequência de um desafio enviado pela blogosfera para os professores irem contando o que se passa nas escolas, envio este desabafo politicamente incorrecto:

- E assim, na segunda-feira de manhã, os outros 2 milhões e tal de portugueses que não votaram PS, descobriram que este manteve a maioria absoluta através da secretaria constitucional. Ou seja, como a constituição impede de dissolver a Assembleia ou exonerar o Governo nos primeiros seis meses após a indigitação e nos 6 meses antes de eleições presidenciais (artº 172º), na prática o PS sabe que governará incólume até Janeiro de 2011, ano das ditas eleições presidenciais. Portanto das duas hipóteses, uma:

- os partidos da oposição não correm o risco político do ónus da dissolução da Assembleia ao não aprovar leis, e portanto, vão ser obrigados a deixar passar muitos diplomas legais na Assembleia;

- ocorre um período de ingovernabilidade, com o governo do país estagnado por incompatibilidade politica entre partidos.

Resumindo, aparentemente ficou tudo na mesma, o que significa que a probabilidade de ocorrerem alterações legislativas profundas no sistema educativo pode ser reduzida.

Qualquer dos dois cenários é mau, porque num caso implica uma governação de maioria absoluta como aconteceu até hoje e noutro na paralisação do país.

A esperança é a última a morrer”; será que já não morreu?

- Quantos professores votaram PS? Com base na quantidade de professores que integraram listas de deputados e os que integram listas autárquicas sob a égide do PS, é uma questão interessante.

- Nas escolas em que os CE não alinharam com a política ministerial, e desse modo usaram a sua prerrogativa para amenizar o impacto das leis negativas, o ambiente é sereno e expectante. Nas escolas em que ocorreu o contrário, o ambiente é insuportável, com professores contra professores, retaliações encapotadas (através dos horários, por exemplo), tornando o exercício profissional um processo penoso e tortuoso. Os professores que se envolveram na política activa, contagiaram as escolas, como um vírus, com a doença da política partidária, e levaram para o seu interior uma ignóbil guerra fratricida. Nestas escolas ocorreu o sucesso da estratégia ministerial: dividir para reinar.

- confesso que, pela primeira vez em décadas de ensino, estou psicologicamente desmotivado para o exercício da profissão. Ainda se torna mais angustiante quando a consciência pesa porque os alunos podem sofrer com isso, o que faz entrar num processo ‘sisifiano’. Fui criado num meio em que “um homem não chora”, mas a vontade tem sido insuportável…

Perde-se o prazer de trabalhar num ambiente balcânico de guerra civil, onde ocorrem os ataques mais hediondos ao bem-estar psicológico de cada indivíduo.

Estou convicto que nessas escolas, jamais voltará a ser como antes, porque as cicatrizes profundas impedem que se esqueçam os acontecimentos passados.

Espero sinceramente que o futuro do país não descambe numa sul-americanização ou numa balcanização da sociedade, um cenário que nem mesmo Dante conseguiria descrever fielmente…

Mário Silva

2 comentários:

Anónimo disse...

Como compreendo essa desmotivação do colega que escreveu este artigo!...
A realidade deste Portugal é penosa, sem dúvida... O elevado número de abstenções é revelador da falta de estímulo do nosso povo. Não é só na Educação que o ambiente é pesado, mas também na Saúde, na Justiça... Não encontro nenhum sector da sociedade portuguesa onde seja visível a satisfação e vontade de trabalhar. Basta ver o número de desempregados...Os nossos jovens não têm perspectivas de futuro...
Bem, mas cabe-nos a nós, que votámos e demos o nosso contributo, em não nos deixarmos abater! Há que seguir em frente, transmitindo aos nossos alunos, a esperança num Portugal melhor! Não é tarefa fácil, mas mostrar MEDO será o pior caminho...será entregarmos as armas a quem quer ser ditador e isso nós podemos impedir! Temos OBRIGAÇÃO de o fazer! Deixemos as lamúrias e passemos à acção! Este tempo difícil não vigorará para sempre!!! Haja CORAGEM!

celeste caleiro disse...

comprendo bem o colega e quero ter força e coragem como diz o ouyro colega...mas nao está a ser facil.

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