segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A MINISTRA TINHA DITO QUE TUDO CORRIA SOBRE RODAS

A ministra da Educação tinha considerado que o novo ano lectivo começava "sem história". A verdade começa a vir a público.


Educação: DRELVT diz que sistema está a conseguir dar resposta
Obras deixam alunos sem vaga nas escolas

Vários alunos continuam em casa, sem aulas, uma semana depois do início do ano lectivo, situação justificada pela ausência de vagas devido às obras de requalificação nos estabelecimentos de ensino.

Manuel Fernandes e Maria Helena tudo fizeram para que o regresso às aulas da filha de dez anos fosse o mais normal possível. Ana Margarida frequentou o Externato Nobel, em Lisboa, até ao ano passado. Ao passar para o 5º ano, os pais decidiram inscrevê-la em cinco escolas na área de residência, na zona da Alameda. Porém, não obteve vaga em nenhuma das opções.

'Em Agosto fui duas vezes à Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRELVT) onde me informaram de que havia um problema muito grande devido ao facto de muitas escolas estarem em obras, não fazendo mais turmas por falta de salas de aula', revela Manuel Fernandes.

Numa das várias tentativas para solucionar a situação, foi-lhes sugerido pela DRELVT uma escola perto da Assembleia da República, o que, na opinião de ambos os encarregados de educação, é 'incompatível'.

'Dizem que a escolaridade é obrigatória, fazemos tantos sacrifícios, mas, quando chega à altura, fazem isto. Andamos nesta situação desde 19 de Julho. Os meus dias de folga foram passados com ela, de escola em escola', lamenta Maria Helena Fernandes. Inconformada, pede explicações: 'A minha filha vai ficar um ano em casa? Alguém lhe vai dar aulas de recuperação?', questiona.

Contactado pelo CM, o director regional de Educação de Lisboa, José Leitão, garantiu que as zonas de Lisboa e Sintra são as mais críticas. Porém, defendeu que 'o sistema está a conseguir dar resposta'.

'Os alunos têm direito à educação e esse direito vai ser assegurado. Todos os dias temos muitos casos. Mas é um fluxo que vai tendo resolução. Este caso, que vem do ensino particular, vem sobrecarregar um pouco o sistema, para além do que estava previsto, mas terá resposta', garantiu o responsável.

JOVEM CONTINUA SEM IR ÀS AULAS

Quando Carla Bandeira pediu a transferência do filho Tiago, de 13 anos, do Colégio D. Nuno Álvares Pereira , na Ajuda, para outro estabelecimento de ensino em Lisboa, não imaginava que o jovem estudante iria ficar sem aulas.

Com o início do ano lectivo e sem nenhuma resposta, Carla Bandeira dirigiu-se à Escola Secundária Rainha D. Amélia, a última opção, onde tomou conhecimento de que não havia vaga. 'Até ao dia 11 de Setembro não recebi comunicação nenhuma, por isso, decidi ir à escola. Disseram-me que estavam a aguardar indicações da DRELVT e que, se esta autorizasse, o Tiago podia ser inserido numa das turmas já existentes'. Porém, não obteve resposta até agora. 'Quando as crianças não vão à escola há sempre alguém que nos vem bater à porta. Agora ninguém diz nada', referiu.

FALTA DE PROFESSORES FECHA ESCOLAS

Os pais dos alunos da Escola Primária da Boavista, na freguesia de Gatão, em Amarante, que estavam revoltados com o facto de haver apenas uma professora para dar aulas a 22 alunos de quatro turmas diferentes, estão novamente em pé de guerra porque a escola foi fechada. Os alunos foram encaminhados para a outra Escola Primária da freguesia, que, garantem os pais, tem menos condições e fracos acessos.

'Desconfiamos de que o objectivo já definido era mesmo encerrar a escola. Depois de uma reunião com o agrupamento, pediram-nos para escolher entre ter apenas uma professora para os quatro anos ou então para mudar de escola. Encostaram-nos à parede', explicou ao CM um encarregado de educação. Os pais garantem que vão continuar a luta, para evitar o encerramento.

APONTAMENTOS

ESCOLAS SEM AULAS

De acordo com o Ministério da Educação só as Escolas Secundárias Gil Vicente e António Arroio, em Lisboa, e António Sérgio, em Vila Nova de Gaia, vão estar sem aulas até ao final do mês de Setembro.

CONTENTORES

Com as obras de requalificação do Secundário, 45 mil alunos vão estudar nos 1800 contentores montados para substituir temporariamente as salas de aulas.

FASE-PILOTO

A fase-piloto do Programa de Modernização do Parque Escolar ficou concluído em Setembro de 2008 e incluiu quatro estabelecimentos de ensino: dois no Porto e dois em Lisboa.

FASE ACTUAL

A primeira fase das obras teve lugar em 26 escolas do País, sendo que a sua conclusão está prevista para o final do ano. Actualmente foi iniciada a segunda etapa do programa em 75 escolas.


In Correio da Manhã.

1 comentário:

Fátima Freitas disse...

Ainda hoje pensei em colocar um anúncio na entrada da minha escola:"ABERTA PARA OBRAS, FECHADA PARA AULAS".
Pois é mesmo assim. A António Sérgio em VNGaia só inicia as actividades lectivas no dia 28... esperemos! Para ser sincera duvido que as 66 turmas tenham salas, mesmo com os contentores! O ano transacto foi desgastante devido ao barulho. Apesar de algumas salas estarem prontas, o caos ao redor das mesmas é digno de uma GUERRA! Tenho imagens LINDAS!

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