quinta-feira, 24 de setembro de 2009

NÃO DEIXÁ-LOS SUGAR-NOS, INDECOROSAMENTE

(*) Anacleto Abreu Raimundo

Os portugueses estão a poucos dias de ajustar contas com a governação.

Qualquer que seja o partido a vencer estas legislativas, duas coisas têm que acontecer. A arrogância de “o quero, posso e mando” e o desdém pela grei, terão que ficar sepultados na próxima legislatura. Poderão ressurgir, é verdade mas, até lá, tem-se a esperança que o povo português, mais astuto e culto, corra à vassourada esta classe política que afunda, paulatinamente, o nosso país.

As qualidades políticas dos concorrentes, com chance de ganhar, não estão à altura dos desafios que se colocam a Portugal e à cidadania, esta última tão conspurcada e tão relegada a segundo plano.

Parece que o país pertence apenas aos senhores políticos e a meia dúzia de empresários que se colaram ao poder e que sorvem, indecentemente, os recursos do país e os portugueses, sem dó nem piedade.

A nossa pobreza é um facto indesmentível que atinge milhões de portugueses e é lícito colocarmos a questão: porque é que esta situação persiste de governo para governo? Qual a razão para Portugal, década após década, ser apenas um fornecedor de emigrantes baratos e despreparados?

Se é certo que o poder faz o direito e aqueles que têm poder tudo fazem para perpetuar os privilégios, então este sistema é ilegítimo e as eleições que aí estão nada têm a ver com o país havendo necessidade de repensar um novo pacto social.

Apregoa-se que a riqueza nacional até subiu umas décimas, nesta conjuntura de debilidade económica e financeira mundial. Mas todos sabemos o quanto é ilusório este crescimento. O que se sabe é que as empresas, na sua maioria, estão à beira da insolvência. Não aguentam ser chuchadas por um fisco sôfrego que só pensa em “sacar” para dar a meia dúzia que vivem pendurados “nas tetas da nação” “y compris” os senhores políticos.

Os Bancos que estão a abotoar-se com o suor e lágrimas de quem comprou a casa própria e com as empresas, aflitas, que necessitam recorrer ao crédito podem, como de facto o fazem, aumentar a riqueza nacional, com os juros escorchantes e que geram lucros escandalosos mas que ficam na mão de meia dúzia e o povo nada vê, nem usufrui.

Aumenta a riqueza nacional e, ao mesmo tempo, aumenta a pobreza dos portugueses.

Os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais carentes.

A notícia, desta semana, dos prémios escandalosos aos administradores nomeados pelos políticos, em empresas do estado, em regime de monopólio, na ordem dos milhões de euros, dá razão ao nosso desencanto.

É um mamar desmesurado e vergonhoso.

O País está a saque e o burburinho que por aí anda em torno de quem vai governá-lo tem apenas um propósito: raspar o que resta do tacho, já enferrujado, assaltar os cargos e as benesses e arranjar um “lugar ao sol” sobretudo para enriquecer, o mais rapidamente possível.

Começa a faltar coragem para desfraldar a bandeira nacional e para gritar, alto e bom som, que somos portugueses, com muito orgulho.

Precisamos rifar, sem cerimónias, todos estes políticos, aproveitadores, que aspiram os recursos do país e que por aí andam aos montes.

Vamos votar, domingo, sim, mas com a convicção de que é preciso resgatar a cidadania e acabar com as desigualdades sociais. Qualquer que seja o resultado que venha a ser alcançado pelos partidos, temos que ficar atentos à correola que se prepara para assaltar o poder e dele se servir para fins unicamente pessoais.

Temos que ser mais interventivos e reclamar, mais, os nossos direitos.

E não deixá-los sugar-nos, indecorosamente.

(*) Economista e Advogado

2 comentários:

AB disse...

Não podemos por mais tempo ignorar o estado da Nação. Está nas nossas mãos fazer alguma coisa. Dia 27 temos a possibilidade de escolher de entre os candidatos o mal menor somos corresponsáveis por esta degradação social económica política.
Ao longo dos anos o povo Português tem-se vindo a afastar . Participar nas eleições é uma forma de dizer sim e não, de dizer eu estou atento a um país que é meu, que é de todos nós. É uma forma de avaliar. É uma forma de intervir. Pode servir de estímulo para quem quer governar, para quem gosta de fazer política, para o surgimento do novos valores que tanta falta nos fazem. Não podemos esperar que outros digam por nós. Vamos aproveitar as benefícios da Democracia. Vamos escolher TODOS!

Anónimo disse...

Alguns dos que andam à volta de MFL não prestam.
Alguns do Bloco não prestam.
Muitos do PS não prestam.
No PC é sempre o mesmo fado.
A extrema direita exibe os tatuados nos tempos de antena.
O Portas é eucalipto.

Pum, pum, pum, vou ali e já volto, desarmado.

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