Os portugueses estão a poucos dias de ajustar contas com a governação.
Qualquer que seja o partido a vencer estas legislativas, duas coisas têm que acontecer. A arrogância de “o quero, posso e mando” e o desdém pela grei, terão que ficar sepultados na próxima legislatura. Poderão ressurgir, é verdade mas, até lá, tem-se a esperança que o povo português, mais astuto e culto, corra à vassourada esta classe política que afunda, paulatinamente, o nosso país.
As qualidades políticas dos concorrentes, com chance de ganhar, não estão à altura dos desafios que se colocam a Portugal e à cidadania, esta última tão conspurcada e tão relegada a segundo plano.
Parece que o país pertence apenas aos senhores políticos e a meia dúzia de empresários que se colaram ao poder e que sorvem, indecentemente, os recursos do país e os portugueses, sem dó nem piedade.
A nossa pobreza é um facto indesmentível que atinge milhões de portugueses e é lícito colocarmos a questão: porque é que esta situação persiste de governo para governo? Qual a razão para Portugal, década após década, ser apenas um fornecedor de emigrantes baratos e despreparados?
Se é certo que o poder faz o direito e aqueles que têm poder tudo fazem para perpetuar os privilégios, então este sistema é ilegítimo e as eleições que aí estão nada têm a ver com o país havendo necessidade de repensar um novo pacto social.
Apregoa-se que a riqueza nacional até subiu umas décimas, nesta conjuntura de debilidade económica e financeira mundial. Mas todos sabemos o quanto é ilusório este crescimento. O que se sabe é que as empresas, na sua maioria, estão à beira da insolvência. Não aguentam ser chuchadas por um fisco sôfrego que só pensa em “sacar” para dar a meia dúzia que vivem pendurados “nas tetas da nação” “y compris” os senhores políticos.
Os Bancos que estão a abotoar-se com o suor e lágrimas de quem comprou a casa própria e com as empresas, aflitas, que necessitam recorrer ao crédito podem, como de facto o fazem, aumentar a riqueza nacional, com os juros escorchantes e que geram lucros escandalosos mas que ficam na mão de meia dúzia e o povo nada vê, nem usufrui.
Aumenta a riqueza nacional e, ao mesmo tempo, aumenta a pobreza dos portugueses.
Os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais carentes.
A notícia, desta semana, dos prémios escandalosos aos administradores nomeados pelos políticos, em empresas do estado, em regime de monopólio, na ordem dos milhões de euros, dá razão ao nosso desencanto.
É um mamar desmesurado e vergonhoso.
O País está a saque e o burburinho que por aí anda em torno de quem vai governá-lo tem apenas um propósito: raspar o que resta do tacho, já enferrujado, assaltar os cargos e as benesses e arranjar um “lugar ao sol” sobretudo para enriquecer, o mais rapidamente possível.
Começa a faltar coragem para desfraldar a bandeira nacional e para gritar, alto e bom som, que somos portugueses, com muito orgulho.
Precisamos rifar, sem cerimónias, todos estes políticos, aproveitadores, que aspiram os recursos do país e que por aí andam aos montes.
Vamos votar, domingo, sim, mas com a convicção de que é preciso resgatar a cidadania e acabar com as desigualdades sociais. Qualquer que seja o resultado que venha a ser alcançado pelos partidos, temos que ficar atentos à correola que se prepara para assaltar o poder e dele se servir para fins unicamente pessoais.
Temos que ser mais interventivos e reclamar, mais, os nossos direitos.
E não deixá-los sugar-nos, indecorosamente.
(*) Economista e Advogado










2 comentários:
Não podemos por mais tempo ignorar o estado da Nação. Está nas nossas mãos fazer alguma coisa. Dia 27 temos a possibilidade de escolher de entre os candidatos o mal menor somos corresponsáveis por esta degradação social económica política.
Ao longo dos anos o povo Português tem-se vindo a afastar . Participar nas eleições é uma forma de dizer sim e não, de dizer eu estou atento a um país que é meu, que é de todos nós. É uma forma de avaliar. É uma forma de intervir. Pode servir de estímulo para quem quer governar, para quem gosta de fazer política, para o surgimento do novos valores que tanta falta nos fazem. Não podemos esperar que outros digam por nós. Vamos aproveitar as benefícios da Democracia. Vamos escolher TODOS!
Alguns dos que andam à volta de MFL não prestam.
Alguns do Bloco não prestam.
Muitos do PS não prestam.
No PC é sempre o mesmo fado.
A extrema direita exibe os tatuados nos tempos de antena.
O Portas é eucalipto.
Pum, pum, pum, vou ali e já volto, desarmado.
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