sexta-feira, 18 de setembro de 2009

PROTESTO EM TRÊS LOCAIS SIMBÓLICOS

Ministério da Educação, Assembleia da República e Palácio de Belém
Professores em protesto amanhã em três pontos da cidade de Lisboa

Ministério da Educação, Assembleia da República e Palácio de Belém são os três locais escolhidos para uma manifestação de professores amanhã, convocada pelos movimentos independentes contra uma legislatura de medidas que consideram "negativas e prejudiciais" para a escola pública.

A partir das 15h00, caberá a cada professor escolher o local onde se quer manifestar, tendo a organização apelado à utilização de vestuário negro. Ao contrário do que é habitual nos protestos dos docentes, não haverá lugar a discursos públicos. "A ideia é dar importância às mensagens que serão colocadas em cada um dos três locais e à voz dos professores anónimos para que possam dar o seu testemunho sobre o que passaram nos últimos quatro anos", disse à Lusa Ricardo Silva, coordenador da Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE), um dos três movimentos que convocaram o protesto.

Em relação ao Presidente da República, os professores pretendem mostrar o seu "claro descontentamento" com a forma como Cavaco Silva tem conduzido a sua intervenção no campo da educação: "Teve intervenções em relação a outras classes e sobre os professores nem uma palavra". "Isso não esquecemos. A principal figura do país tem de ter uma palavra e devia ter usado a sua influência para que este conflito tivesse sido ultrapassado", acusa o coordenador da APEDE.

Na Avenida 5 de Outubro, a mensagem será naturalmente destinada à ministra Maria de Lurdes Rodrigues e aos secretários de Estado Valter Lemos e Jorge Pedreira, mas também ao primeiro-ministro, José Sócrates, "responsável máximo pela política educativa seguida nos últimos quatro anos". "O rosto do que é negativo na Educação deve ser responsabilizado. Esse responsável chama-se José Sócrates e não vamos permitir, de forma alguma, que seja esquecido. Nas basta chegar ao fim da legislatura e dizer que as coisas correram mal", afirmou.

Para o docente, não basta anunciar que se vai mudar os ministros: "Isso é oportunismo político em plena campanha eleitoral. É preciso mudar de política", reclama.

Quanto à Assembleia da República, serão colocadas duas mensagens, uma relativa "ao presente e outra ao futuro".

"Será um protesto contra as políticas educativas, negativas e prejudiciais para a escola pública", resume Ricardo Silva.

Para o coordenador da APEDE, a conflitualidade gerada nas escolas pela avaliação de desempenho e a divisão da carreira em duas categorias hierarquizadas, o fim da gestão democrática nos estabelecimentos de ensino, a precariedade e a "febre" do Governo com a melhoria das estatísticas, são matéria suficiente para considerar que "a legislatura não trouxe nada de bom ao sector".

Quanto à adesão dos professores ao protesto, Ricardo Silva prefere não fazer prognósticos.

"Estamos à espera de uma participação à medida das possibilidades dos professores. Entendemos que é um período difícil, com o arranque do ano lectivo, e que muitos estão à espera do dia 27 [data das eleições legislativas], dia que poderá ser decisivo para a classe", explica.

O Movimento Mobilização e Unidade dos Professores (MUP) e o Movimento PROmova são as outras duas organizações que agendaram este protesto.

Ao longo da legislatura, sindicatos e movimentos independentes convocaram diversas manifestações de rua. Duas das agendadas pelas estruturas sindicais reuniram em Lisboa mais de cem mil pessoas.

In Público.

3 comentários:

Anónimo disse...

Dos três locais previstos para a manifestaçâo, parece-me que Belém, apesar de ser o mais agradável, será o menos útil e importante. Apostemos, sobretudo, em S. Bento!
Evitemos a 5 de Outubro...

Anónimo disse...

Mesmo que a maldição de Sócrates continue, como eu temo, a futura A. R. terá mais capacidade para contrariar o poder do Governo! Amanhã vamos a S. Bento!!!

João disse...

Não me parece que esta acção dos professores vá dar grandes frutos. Estão a virar-se contra o PS e isso, perante o País, pode ter um efeito contrário ao das vossas intenções. Os professores podiam juntar-se em associação ou movimento e negociar directamente com o ministério da educação (sem os sindicatos, que estão mais interessados nos respectivos partidos políticos). Os professores deveriam elaborar um esquema de avaliação exequível e apresentá-lo ao País e ao governo (e digo perante o País porque o povo tem que perceber claramente quais são os vossos objectivos). Penso que assim teriam mais credibilidade e poder de afirmação. Até agora o que veio dos sindicatos foi pouco ou nada, e isso é mau para os professores. Nós precisamos de professores com autoridade e união, autoridade sobre os alunos e união na missão de educar os jovens. Sou um pequeno empresário e vejo os vossos assuntos com imparcialidade por estar de fora. Lutem com armas bem definidas, apresentem propostas de avaliação.

Desde 01-01-2009


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