sexta-feira, 16 de outubro de 2009

A AVALIAÇÃO NAS ESCOLAS PORTUGUESAS

Professores
Só metade as escolas tem avaliação concluída

Nos estabelecimentos que contestaram modelo as notas ainda não saíram, pois há expectativa de mudança política. Ontem deu-se já um passo: o PCP entregou um projecto-lei que suspende o processo

Apenas metade dos professores já conhece a nota da avaliação do ano lectivo passado. O processo já foi concluído nas escolas onde o modelo levantou pouca polémica, disse ao DN Mário Nogueira, da Fenprof. Mas nas que houve disputa pelas notas mais altas, e diferentes interpretações sobre a entrega dos objectivos individuais, o caso arrasta-se, diz. Está suspenso pelas decisões do Governo e pelas promessas da oposição.

Ontem foi já dado um primeiro passo. Na primeira sessão parlamentar, os comunistas apresentaram um projecto-lei que suspende o actual modelo e os efeitos das classificações. O partido quer ainda que o Governo calendarize a revisão do estatuto da carreira.

"Muitos conselhos executivos não querem assumir uma posição nem arranjar problemas num processo que poderá ser suspenso em breve", afirmou o secretário-geral da Fenprof. Mário Nogueira referia-se aos resultados eleitorais e à intenção da oposição de suspender o modelo logo que o Parlamento inicie funções.

Paulo Guinote, autor do blogue Educação do Meu Umbigo, diz que há até escolas em que as notas já estão definidas mas não foram publicadas. "Os conselhos executivos têm receio de tomar uma decisão que depois seja desautorizada."

O ciclo avaliativo decorre até ao final do ano. Mas como as escolas têm autonomia para fixar o calendário, muitas optaram por marcar a entrega das avaliações para o início do ano lectivo. Algumas tinham fixado a data para 2 de Outubro, mas agora protelaram-na.

Mais do que o atraso nas notas, os professores estão preocupados com a forma como decorreu o processo avaliativo, alvo de tanta polémica e sujeito a um simplex a meio do ano lectivo. "É uma manta de retalhos. Houve professores avaliados de forma muito distinta", considera Paulo Guinote. As próprias orientações dadas às escolas pela Direcção Geral dos Recursos Humanos e da Educação e direcções regionais foram interpretadas de forma diferente, acrescenta .

Na Escola Básica 2 , 3 Mouzinho da Silveira, onde Paulo Guinote é professor, foi estabelecido por acordo entre os docentes que todos seriam avaliados mediante os objectivos estabelecidos pela escola e não individuais. Paulo Guinote não entregou objectivos individuais nem ficha de auto avaliação, por discordar do modelo em vigor: "Mas queria ser avaliado e entreguei um documento de 35 páginas sobre o meu desempenho, que expressa a minha auto avaliação". Foi o único a fazê-lo e o processo foi aceite. Teve "Bom".

Ilídio Trindade, do Movimento Mobilização e Unidade de Professores, diz que na sua escola, a Secundária Pedro Alexandrino, em Odivelas, o processo avaliativo só estará concluído em Novembro, após o período de reclamação e a entrevista entre avaliador e avaliado. A nota será dada no fim de Outubro. O docente, que pertence ao movimento independente de professores, não definiu objectivos mas entregou a ficha de auto avaliação, à qual acrescentou considerações pessoais. Mas na escola há quem não tenha entregue nada.

Vítor Barros e Agostinho Machado, da Escola D. João I, da Baixa da Banheira, não vão ser avaliados. Quem o diz é o director da escola, explicando que esta é a consequência legal de não terem sido entregues os objectivos. Inicialmente, os docentes definiram metas pessoais mas acabaram por retirá-las, em sinal de protesto e solidariedade com os colegas. António Dias, director, disse ao DN que se limitou a cumprir a lei. Mas na interpretação dos docentes, não ser avaliado não é a ilação certa. Por isso, vão para tribunal.

In Diário de Notícias.

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