segunda-feira, 26 de outubro de 2009

ECOS DO ENCONTRO DOS MOVIMENTOS INDEPENDENTES COM O BLOCO DE ESQUERDA

Tal como estava agendado, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), nas pessoas das deputadas Ana Drago e Cecília Honório, recebeu hoje em audiência, às 12:00 h, na Assembleia da República, os representantes dos movimentos independentes de professores MUP e APEDE, Ilídio Trindade e Ricardo Silva, respectivamente, que estiveram também em representação do PROmova.

Os professores tiveram oportunidade de recordar as principais preocupações e reivindicações da classe docente, constantes no “Compromisso Educação”, com especial incidência em três temas fundamentais, cuja resolução é urgente, a saber, o Estatuto da Carreira Docente (com enfoque na divisão dos professores em duas categorias), a suspensão do actual modelo de avaliação docente e o modelo de gestão (mesmo que saibamos ser a questão mais complicada, no curto prazo). Para tal, é fundamental que os partidos da oposição consigam consensualizar as suas posições e propostas, de forma a possibilitar uma votação maioritária no Parlamento.

Durante cerca de hora e meia de reunião, foi também discutido detalhamente o projecto de lei apresentado pelo BE, com vista à suspensão do modelo de avaliação, projecto que foi elaborado de forma a permitir a obtenção de um vasto consenso parlamentar, o que nos parece francamente positivo, tendo os representantes dos movimentos alertado para algumas situações importantes que deveriam também ser acolhidas e salvaguardadas pelo BE: a salvaguarda da posição de todos os professores que recusaram participar em qualquer acto que pudesse caucionar esta farsa de avaliação (e não apenas aqueles que não entregaram os objectivos individuais), a importância da não consideração dos efeitos das classificações de “mérito”, entretanto atribuídas, para efeitos de concurso ou dispensa da prova de ingresso e a relevante questão da abolição das quotas num qualquer futuro modelo de Avaliação de Desempenho Docente (ADD). Foi ainda chamada a atenção para a necessidade de se garantir que o futuro modelo de ADD não seja mais um passo da consagração do “eduquês” e do acessório monstro burocrático que o acompanha, e que resulte de uma reflexão onde também possam participar e colaborar professores no terreno. Quanto aos princípios orientadores assumidos pelo BE no seu projecto de lei relativo ao modelo de ADD consideramos pertinente reforçar e sublinhar o nosso apoio ao exposto na alínea d) do seu artigo 4º, onde se assume que a ADD deve constituir um processo contextual, que deve tomar em consideração os contextos de inserção das instituições escolares e articular-se com o processo de avaliação da própria escola.

As deputadas do BE reconheceram a pertinência das exposições apresentadas e manifestaram a sua concordância com os problemas apontados pelos representantes dos professores, ficando mesmo de considerar os pontos acima referidos, que estavam relativamente omissos na proposta legislativa do BE. Ficou ainda relativamente claro que a questão da suspensão do modelo de ADD poderá ser resolvida, no âmbito parlamentar, com maior facilidade do que a situação da divisão da carreira docente e do modelo de gestão, seja devido a alguns constrangimentos jurídicos face à extinção pura e simples da categoria de titular (razão que levou o BE a apresentar um projecto de resolução – não vinculativo – e não um projecto de lei), seja devido a possíveis bloqueios de outros partidos relativamente a alterações ao modelo de gestão (o que poderá exigir um reforço da contestação pública e tomadas de posição expressivas por parte da classe docente). Esta é uma situação que continua a merecer a preocupação dos movimentos independentes de professores, a justificar a nossa máxima atenção e exigência, sem cedências. Para nós, a questão da divisão da carreira é um aspecto inegociável, sem o qual será impossível fazer regressar às escolas um clima de maior tranquilidade e pacificação. Sabemos que no BE a consciência deste facto existe, foi-nos reiterada, e ficou a certeza de que será tentada uma solução eficaz, tão urgente quanto possível, para este problema.

A abertura, preocupação e interesse manifestadas pelas deputadas Ana Drago e Cecília Honório face às questões que apresentámos, não podem deixar de nos merecer uma palavra de reconhecimento e apreço.

É fundamental que os restantes partidos da oposição compreendam que é chegada a hora de honrarem os seus compromissos eleitorais. Aproximam-se dias decisivos que irão marcar o futuro da Escola Pública e da sua organização, com importantes reflexos na qualidade do Ensino. É disso que todos os deputados deverão ter consciência quando chegar a hora de votarem as propostas que forem apresentadas. Os professores não podem esperar mais. A Escola também não.

APEDE
MUP
PROmova


6 comentários:

Lelé Batita disse...

Fico contente. Não esperava outra coisa destas deputadas. O BE não me deixa decepcionada, por enquanto.

Anónimo disse...

"...a importância da não consideração dos efeitos das classificações de “mérito”, entretanto atribuídas, para efeitos de concurso ou dispensa da prova de ingresso...". Então é isso? Não entendem que a abolição desta prova é também um ponto essencial? Já me começa a cheirar a (mais uma) traição dos professores dos quadros sobre os contratados... assim não vamos lá. FRANCISCO RODRIGUES

Anónimo disse...

Pois é! Os professores contratados sempre foram os "parentes" pobres do ensino! Os professores dos quadros estão-se "borrifando" para os professores contartados....Pelo menos espero mesmo que as avaliações atribuídas o ano passado não contém para efeitos de concurso! Eu não pedi aulas assistidas mas houve quem do meu grupo pedisse e teve "Muito Bom". Esse e outros colegas poderão passar-me à frente já no próximo concurso se esta injustiça se mantiver.

Ricardo Silva disse...

Caro Anónimo,

É óbvio e tem sido REPETIDAMENTE assumido pelos movimentos independentes de professores o seu desacordo face à existência desta prova de ingresso que apelidamos de espúria. Bastará ler os textos e posições que temos assumido, nos nossos blogues, e comunicação social em geral, para perceber isso. Aliás, a exigência do abandono da prova de ingresso faz parte do núcleo central das exigências do "Compromisso Educação".
Aquilo que escrevemos, no texto de hoje, é que os efeitos das classificações de mérito não devem ser considerados em nenhum caso que venha a criar desigualdades, e isso está actualmente previsto (é um facto) para os concursos e prova de ingresso. Apenas fizemos uma denúncia de algo que está considerado e previsto. Quanto à prova de ingresso, que fique bem claro: não estamos de acordo com a sua existência, pelas razões que já explicámos sobejamente.

Espero ter sido esclarecedor.

Abraço

Ricardo Silva disse...

O anónimo tem nome (não reparei na assinatura em baixo):

Um abraço para o Francisco Rodrigues

Anónimo disse...

Estou no final de carreira e fui, por obra do acaso, avaliador. Contudo acho este processo uma utêntica farça e luteie pela sua suspensão assim como pela não divisão da carreira em titulares e não titulares.Como gosto muito desta farça, faço votos que a equipa minesterial que terminou funções tenha tanto descanço como o que deu as professores e que vá para...o paraíso.

Desde 01-01-2009


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