domingo, 4 de outubro de 2009

MARCHA LIQUIDATÁRIA

Breve comentário aos 3 documentos divulgados em blogues(*)
(artigo de opinião)


Três propostas diferentes de "espírito" de revisão estatutária. Apresentadas simultaneamente por três altos dirigentes do SPGL. Representando cada um deles, desgarradamente, a sua própria tendência. Cada uma mais "aberta" que a outra.

Como chegámos aqui?

Há não muitos anos era "a Lista A". Confundia-se com a Direcção do SPGL. Toda-poderosa. Monolítica. Autista. Totalitária q.b.. Chefiada - à lei do lápiz-azul e bota cardada - por gente que a ela ascendeu utilizando o aparelho do PCP para tal efeito.

Mais tarde, quais filhos degenerados e ingratos que cospem no prato onde comeram, seguiram-se as zangas e o abandono do partido-berço, por lá verem gorados os seus intentos. Saíram do partido, mas nunca largaram os cargos sindicais, para os quais chamaram amigos e enteados políticos, alguns pagos a peso de ouro. Então era necessário a todo o custo o acantonamento no último reduto: as direcções sindicais que controlavam.

Mercê das cambalhotas ideológicas que deram a seguir, sentiram-se enfraquecidos. Mas era vital perpetuarem-se no poder, nos sindicatos. A blindagem estatutária levada ao grau da paranóia foi a solução que encontraram, tornando inviável, por via administrativa, qualquer forma organizada de oposição com aspirações de poder e alternativa.

Mas tal não bastava. Assim, em acrobáticos golpes de rins tácticos, foram forçados a uma coisa, quase herética, inimaginável nos seus primeiros tempos. Negociar. Primeiro com a facção mais gulosa do BE, a seguir com o astuto PS. Ambos viram, por essa via, reforçadas as suas posições no centro de comando e controlo do sindicato. De forma inaudita. A seguir seguia-se o próprio POUS e o aliciamento a alguns quadros desalinhados. A esta manobra desesperada chamaram farisaicamente "o novo espírito de abertura e diálogo da lista A".

Mais tarde ainda, compreenderam que a tal "blindagem estatutária" não só inviabilizava toda a oposição mas era um fosso que, sendo cavado à sua volta, os isolava perigosamente também. Foi o tempo desta gente experimentar também o seu próprio veneno e passar dificuldades sérias na constituição de listas.

E aperceberam-se da falência real do sua modelo de "sindicalismo de acompanhamento" que, que, entre outros desastres, hipertrofiou insuportavelmente o sindicato, paralisou as AGS's, arrasou a sua rede de delegas sindicais e as ADS's, liquidou a comissão sindical de desempregados, asfixiou a sua comissão de contratados, afastou os dirigentes das escolas e fez galopar a dessindicalização nos últimos anos e aprofundar a crise financeira.

Por isso avançam agora com este "processo em curso" de revisão estatutária. Cosmético. Mas também perigoso, pela fragmentação orgânica que é aprofundada. Pela divisão lupina e geométrica do poder, por capelas da aliança interpartidária que agora exigem, a solo, o seu quinhão. Pelos métodos de representação. E claro, por consequência, pelo maior afastamento das bases da vida sindical activa.

Não foi preciso muitos anos para os ver agora neste estado. E a marcha liquidatária do SPGL ainda vai no adro.

Como diz o nosso Povo, "quem não os conhecer que os compre"

Pela minha parte não ofereço um cêntimo sequer para este peditório.


Paulo Ambrósio

(*)
http://www.profblog.org/2009/10/sindicalismo-muda-ou-fica-tudo-na-mesma_9551.html

http://www.profblog.org/2009/10/sindicalismo-muda-ou-fica-tudo-na-mesma_02.html

http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/2009/10/para-independencia-sindical.html

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