quinta-feira, 8 de outubro de 2009

NOVAS OPORTUNIDADES: MARKETING POLÍTICO OU QUALIFICAÇÃO?

Há quem veja as "Novas Oportunidades" como uma corrida apressada contra a falta de qualificação dos portugueses. Quem valorize o impacto comportamental ao nível da auto-estima. E quem acredite no seu potencial de qualificação.

O programa tem vários eixos de intervenção, mas é ao nível da educação de adultos que os seus efeitos estão a agitar o panorama escolar português. Em Julho, foi divulgado o primeiro estudo de avaliação externa, realizado pela Universidade Católica Portuguesa, e os resultados não surpreenderam.

Apesar da forte adesão, desde 2006, já 900 mil portugueses estiveram inscritos e estima-se que mensalmente se façam 20 mil novas inscrições, o mercado de trabalho ainda não reagiu a esta onda de certificação.

As empresas não estão a reagir em termos de progressão de carreira e revisão de salários a quem vê os seus conhecimentos certificados, aponta o estudo "Percepções sobre a Iniciativa Novas Oportunidades" coordenado por Roberto Carneiro. "Moda, excessiva intencionalidade política", são fragilidades apontadas que, segundo os avaliadores, poderão comprometer o valor do programa enquanto "marca pública", lê-se nas conclusões do estudo.

Mas quem procura completar a sua escolaridade através do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências continua a trazer mais expectativas do que as de colmatar anos perdidos de aulas. Com os olhos postos na crise de emprego e na necessidade de formação como resposta ao despedimento, a maioria dos adultos espera que o diploma abra as portas do mercado de trabalho.

Certificar em tempos de crise

Mónica Costa arrependeu-se de deixar a escola com o 10.º ano incompleto. Com 19 anos e a trabalhar numa fábrica do sector automóvel, o ensino recorrente "estava fora de questão". Aos 33 anos conta como durante 13 anos de trabalho se sentiu "atrofiada", sem tempo para ler e para escrever, algo que lhe dava prazer. "Não havia tempo!"

Foi o desemprego que lhe proporcionou as horas livres para se dedicar a certificar o 12.º ano no Centro Novas Oportunidades Escola Secundária Inês de Castro, em Vila Nova de Gaia. Agora as expectativas de Mónica de reinserção no mercado laboral estão depositadas no tão ambicionado diploma: "Quero ter um emprego que não seja numa caixa de supermercado!" Mas não arrisca voos mais altos. "Talvez dê para ser recepcionista", desabafa.

"Encontrar um emprego melhor" é também a aspiração de Mário Sousa. A mesma idade de Mónica, a mesma turma, sonhos mais elevados. É vigilante numa grande superfície comercial. "Não me imagino a trabalhar nisto até ser velhinho", diz com receio de que o futuro o atraiçoe. Foi jogador de futebol no Gondomar Sport Clube, mas a bola não lhe trouxe fama nem glória. Serviu para o fazer deixar a escola com 15 anos. Agora, para o seu 12.º ano reconhecido, validado e certificado, Mário Sousa tem um plano bem delineado: candidatar-se ao Ensino Superior, à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. "Quero ser professor de Educação Física!"

Céptica com a "propaganda" em torno das Novas Oportunidades está Eugénia Rodrigues: "Do ponto de vista profissional para mim não vale nada!" O desemprego colocou-lhe, tal como a Mónica, "os estudos na agenda". Mas aos 48 anos, é sem expectativas algumas de emprego que participa no processo de certificação e validação de competências, para completar o 12.º ano.

As páginas dos ‘classificados' e as visitas aos sites de emprego não lhe deixam antever boas perspectivas de retorno ao mercado laboral como "empregada de escritório". Constatou que a sua experiência profissional nada vale por já ter ultrapassado a casa dos 30 anos. Pior: acredita que as empresas pedem "qualificações excessivas" para algumas funções. "Para um mero serviço administrativo pedem logo um bacharelato...", nota Eugénia Rodrigues.

Às críticas de que o tecido empresarial demora a adequar se às novas qualificações e de que os diplomas não estão a produzir efeitos de empregabilidade, os mais optimistas com as "Novas Oportunidades" pedem tempo. Para Eugénia Rodrigues, tempo é o que não lhe falta, mas sem optimismo: "Vou esperar calmamente que me apareça qualquer coisa, mas já não tenho perspectivas de trabalhar nisto ou naquilo..."

In Educare.

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