quinta-feira, 15 de outubro de 2009

PÚBLICO E PRIVADO: COMPARAR O INCOMPARÁVEL

Melhor pública de 2008 cai com mudanças de professores

Directora da Secundária Infanta D. Maria, de Coimbra, explica porque considera que público e privado não são comparáveis. Representante do particular defende os méritos do sector, que também tem "muitos alunos carenciados"

Este ano lectivo, a escola secundária Infanta D. Maria, de Coimbra - a melhor pública no ranking das escolas do DN em 2008 e que passou para quinta estatal - já viu partir para a reforma, em muitos casos antecipada, 42 dos 100 professores que ajudaram a torná-la num caso de sucesso no País.

As contas são de Rosário Gama, directora, e ajudam a explicar o motivo para esta professora considerar que elaborar um ranking em que se combinam os sectores público e privado - com grande vantagem deste último - é "tentar comparar o incomparável", dada a diferença de realidades.

"Nós tínhamos um dos corpos docentes mais velhos de Coimbra, e eram esses professores antigos que integravam os que chegavam", explica a líder da escola que, ainda assim, manteve um quinto lugar no sector estatal nas contas do DN. "Dos 100 professores que começaram este ano, 42 são novos. Dos três professores de Português que tínhamos saíram dois. Do grupo de História não ficou nenhum", conta.

Saídas que a directora atribui, em muitos casos, ao descontentamento com "as polémicas" que agitaram a Educação no País. Questões que, considera, passam ao lado do privado "em que as condições são muito diferentes", não só na "liberdade de escolha dos professores" e até "dos alunos", como "na dimensão das provas realizadas" e na diversidade dos casos.

Quem rejeita que os melhores resultados do particular e cooperativo se devam a uma situação mais favorável é João Alvarenga, presidente da Associação dos Estabelecimentos do Ensino privado (AEEP), para quem a diferença se faz "no trabalho desenvolvido" nas escolas.

"O sistema educativo português é estatal e não estatal, e do que se trata [nos rankings] é do posicionamento dos alunos em provas nacionais que são iguais para todos", defende. João Alvarenga garante ainda que "mais de metade dos alunos do ensino não estatal já frequentam o privado em gratuitidade total". E garante que não é só nas públicas que se encontram situações de carências extremas: "Também o privado recebe alunos cuja única refeição é a que tomam na escola".

Por outro lado, acrescenta, "não são só os colégios de topo" que obtêm bons resultados. "Há muitos privados, no Interior, em meios sócio-económicos desfavorecidos, que também estão bem colocados nessas listas", assegura.

Já para a Fenprof não há dúvidas sobre a inadequação dos rankings que, defendeu ontem, servem apenas para "promover o ensino privado". A Fenprof classifica as listas como um " simulacro de avaliação das escolas, num jogo com regras viciadas", em que "se põe levianamente em causa todo o trabalho que professores e alunos desenvolvem quotidianamente na escola pública". De resto, estas estrutura cita mesmo os casos de países como a Irlanda, em que o Supremo Tribunal terá proibido a divulgação dos dados.

In Diário de Notícias.

1 comentário:

mario silva disse...

Pensamentos politicamente incorrectos:

A acção de estabelecer ranking de escolas no sistema educativo português nos últimos anos, foi um método informal e subrepticio de implementar uma classificação de qualidade das escolas. A mensagem subliminar que se transmite é singela: as escolas que possuem melhores médias de classificações nos exames, devem ser as melhores escolas, o que implicitamente significa que devem possuir os melhores professores. Esta conclusão é truncada devido à multiplicidade de factores que interferem nos resultados obtidos pelos alunos, e que extravasam as competências dos professores.
Todavia, estes rankings estão a colocar sob elevada pressão e sob cobertura mediática, um conjunto de professores, aos quais lhes é imputado indirectamente a imagem que a escola transmite à comunidade; esses professores são os que leccionam em escolas secundárias e áreas disciplinares objecto de exame nacional. Caiu nos ombros destes professores a responsabilidade de produzir uma imagem de qualidade para a escola em que leccionam, o que os coloca em nítida desvantagem em relação aos colegas que não têm essa responsabilidade por inerência das áreas disciplinares que leccionam. Portanto, cabe a esse grupo de professores a tarefa hercúlea de transmitir uma imagem de qualidade da escola através das classificações dos exames. Curiosamente, uma maior responsabilidade não é acompanhada com uma maior compensação…
Seguindo este raciocínio, coloca-se a questão de existir um mesmo ECD e uma mesma carreira remuneratória, independentemente da área do conhecimento e/ou do nível de ensino a que pertence, como se leccionar uma determinada disciplina fosse idêntico a leccionar outra disciplina ou leccionar no 2º ciclo ser idêntico a leccionar no ensino secundário. Obviamente é uma abordagem politicamente incorrecta, mas será necessariamente falsa? Os rankings dão a resposta: a escola X é classificada como a melhor e a escola Y como a pior, por causa das médias dos exames cujas disciplinas são leccionadas por uma minoria de docentes. A reputação destes docentes é anualmente mediatizada, contrariamente aos colegas que não leccionam disciplinas objecto de exame nacional ou aos colegas que não leccionam em escolas secundárias. Qualquer sistema de avaliação ou ECD não deveria equacionar estas peculiaridades da carreira docente?

Desde 01-01-2009


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