quarta-feira, 28 de outubro de 2009

UM TEXTO PARA ISABEL ALÇADA

Por Joaquim Gomes

No XVIII Governo Constitucional, que ontem tomou posse, existe um ministério, no qual as atenções dos portugueses irão recair, quase de imediato, devido às enormes convulsões que até aqui se têm verificado neste sector. Trata-se, evidentemente, do Ministério da Educação.

Creio não existirem dúvidas acerca das enormes dificuldades políticas que esperam este Governo. Mas também creio não existirem dúvidas que essas dificuldades (ausência de maioria absoluta) são o resultado da política educativa, principalmente contra os professores, que foi seguida pela anterior Ministra da Educação.

A questão que se coloca de imediato é esta: terá a nova Ministra da Educação perspicácia política para ser, ela própria, a proponente de uma revisão do Estatuto da Carreira Docente, nomeadamente no que se refere a uma nova avaliação de professores, ou deixará para os partidos da oposição os louvores políticos de uma vitória neste sector? Ninguém duvida, que os partidos da oposição estarão, neste momento, a ver qual deles será o primeiro a propor na Assembleia da República um novo modelo de avaliação de professores.

A nova Ministra da Educação, que admiro pelo seu trabalho literário e académico, deve pensar de imediato em formar uma equipa coesa e dialogante. E essa equipa deve, necessariamente, começar pela mudança dos anteriores Secretários de Estado e Directores Regionais. Será curioso vermos se a Ministra da Educação manterá a mesma Directora Regional de Educação do Norte. Eu aposto um cêntimo como esta “senhora do norte” não fica. E já estou a subir a fasquia demasiado alto!

A nova Ministra da Educação, que admiro pela afabilidade que tem no diálogo com as pessoas, deve apostar de imediato na revisão do Estatuto do Aluno, nomeadamente no que concerne às Provas de Recuperação, inúteis para os alunos, mas sujeitas a um trabalho incansável para professores e direcções das escolas.

A nova Ministra da Educação, que admiro pela seriedade com que debate temas ligados à Cultura e Educação, deve pensar de imediato em encontrar uma solução para a divisão da carreira docente.

Esta Ministra da Educação, admirada pelos mais jovens (quem não gosta de ler os seus livros?) deve pensar de imediato na eliminação do ranking das escolas porque, como sabe, não há escolas melhores nem piores (há sim escolas diferentes, em diferentes regiões e com diferentes meios ao dispor da comunidade escolar).

Esta Ministra da Educação que, creio, gostará mais de ler e de escrever, deve pensar, de imediato, em incentivar mais os estudantes portugueses à leitura e à escrita, desde pequenos. E, neste seguimento, será importante rever o ridicularizado &ldq uo;Computador Magalhães”, e verificar se, de facto, é assim tão meritório para o desenvolvimento do ensino em Portugal, ou como muito gostava de dizer a ex. Ministra da Educação, se é assim “tão indispensável para o futuro do país”!

À nova Ministra da Educação, aconselho-a a rever o despacho normativo 50/2005, relativo à avaliação dos alunos. Que inutilidade para os alunos, e que excesso de burocracia, são os Planos de Recuperação, os Planos de Desenvolvimento e os Planos de Acompanhamento. São, quase, uma falsidade no desenvolvimento dos alunos.

À nova Ministra da Educação aconselho-a a rever a inutilidade das aulas de substituição.
À nova Ministra da Educação aconselho-a a rever o plano de formação de professores. Não encontro um professor que esteja satisfeito com este modelo de formação. A maior parte deles frequentam as acções de formação contrariados e apenas com o objectivo de adquirirem os créditos inutilmente exigidos. Torna-se penoso assistir a situações em que os professores (mães e pais) frequentam acções de formação, quase diárias, desde as 19 horas até às 23 horas, deixando os seus filhos, alguns de tenra idade, em casa.

À nova Ministra da Educação, aconselho-a a rever e a avaliar a política seguida pela sua antecessora, nomeadamente no que concerne aos Territórios Educativos de Acção Prioritária (TEIP’S). O que baseou a criação destes “territórios educativos” foram/são os factores potenciadores de risco de insucesso, destacando-se a “violência, a indisciplina, o abandono, o insucesso escolar e o trabalho infantil alguns exemplos da forma como essa degradação se manifesta” (1) na região onde serão implantados. (2)

Para que Isabel Alçada tenha uma grande aventura na área da Educação, sugiro-lhe este texto, para que também com ele possa chamar para si todos os Encarregados de Educação, Alunos e, claro, Professores, para o seu plano nacional de desenvolvimento da Educação.

1) - Despacho normativo n.º 55/2008, de 23 de Outubro de 2008

2) - No concelho de Braga existem duas destas escolas. Numa delas, só este ano, perdeu mais de duas centenas de alunos, porque este nome “TEIP” assustou os respectivos Encarregados de Educação. A criação destes dois “territórios educativos”, no concelho de Braga acaba por ser, quase, uma ofensa a toda a notável política de integração social e de eliminação de núcleos geradores de violência, que foi levada a cabo pela Câmara Municipal de Braga, desde 1976. E neste contexto, não se justifica a existência destes dois territórios de educação prioritária em Braga. Há concelhos que os justificavam e não os aceitaram!

In Correio do Minho

1 comentário:

Anónimo disse...

vindo de um sub-director de escola parece candidato ao lugar da dita cuja na DREN e ainda parece querer fazer as pazes com alguém da câmara de Braga.....filho pródigo,lol

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