Falo dos alunos com mais dificuldades, uma vez que o estudo não é aquilo que mais gostam de fazer. Não basta a escolha das ciências ou das letras no sentido de fugir a esta ou aquela disciplina na qual sabem não ter qualquer possibilidade de sucesso, estão também condicionados a continuar outras para as quais não têm muitas bases. Falo, por exemplo do caso das línguas. Os alunos têm uma língua de iniciação e outra de continuação. O que não entendo é porque é que a continuação tem de ser feita na língua de nível superior e não na outra de nível inferior. (Quando não é o problema do sistema de ensino, são limitações do estabelecimento de ensino.) Ora, se os alunos não têm bases para enfrentarem um nível superior de língua, está a ver-se a repetição do problema de anos anteriores. Os alunos em causa irão permanecer no décimo uns quantos anos ainda, até, muitas vezes, optarem pela desistência. Quando isto acontece, temos o problema do abandono escolar que, não acontecendo dentro do ensino obrigatório, não deixa ainda assim de ser preocupante. Ora, a questão é porque é que os alunos não poderão optar pela segunda língua trazida também do terceiro ciclo e na qual poderiam obter melhores resultados? Para quê frustrar alunos e professores numa caminhada que não augura, à partida, nada de bom? Porque é que não se investe numa turma mais pequena, se for o caso, ainda que dela só façam parte um ou dois alunos? Nesta fase do ensino, é preciso investir!
Depois, também as disciplinas obrigatórias, dentro das Humanidades, por exemplo, não mudaram muito desde há alguns anos. A História, o cadeirão destas novas gerações, ainda se encontra lá, sem nenhuma outra que a substitua. Por que não escolhem o Ensino Professional? Bem, até poderiam se os cursos não tivessem as disciplinas de ciências como a Matemática e as Ciências Físico-Químicas. Para os alunos que revelam grandes dificuldades, o secundário em nada lhes facilita a vida. Para quem quer obrigar os alunos a permanecer nas escolas até ao décimo segundo ano, o panorama não é famoso. Até bem pelo contrário… E só obrigar não chega, é preciso reformular, adaptar…
Fátima Nascimento
Fonte: www.orio.pt









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