Os professores tinham exigido aos sindicatos "firmeza" e "determinação" na primeira ronda de negociações com a ministra da Educação.
Os sindicatos sabiam (devem saber!), e pelas declarações públicas parecia assumido, que os dois pontos essenciais - a suspensão do actual modelo de avaliação e o fim da divisão na carreira - são inegociáveis e a condição sem a qual nada se poderá resolver no abalado edifício da Educação.
Portanto, protelar a resolução destes dois problemas é compactuar com o conflito que se vive nas escolas e se tem adensado nestes últimos tempos à medida que, nos diversos estabelecimentos de ensino, se vão conhecendo as classificações da avaliação atribuídas aos professores.
O resultado final da reunião de ontem, entre os sindicatos e o ministério, quase pareceu um novo "memorando" de intenções, que arrasta o processo e deixa os professores muito preocupados.
Os dirigentes sindicais, talvez por terem estado sujeitos ao azedume da anterior ministra, parecem ter-se deixado seduzir por uma postura menos desabrida de uma nova ministra (sem poder e com muito pouca margem de manobra), apenas recrutada para fazer um trabalho de charme. Esse facto não conseguiram disfarçá-lo!
Aos sindicatos parece continuar a interessar o prolongamente de negociações, arrastadas no tempo, como se esse fosse o único lenitivo da sua existência. Os professores não compactuarão com meras rondas de reuniões ou agendamento de calendários, num espectáculo que, é bom dizê-lo, cansa a opinião pública e não granjeia a simpatia dos professores.
A ministra da Educação, mesmo no seu poder relativo dentro de um governo de relativo poder, deve ter consciência de que é urgente resolver o problema da divisão na carreira e o modelo de avaliação em curso, sob pena de a escola pública continuar num processo de destruição e a ser um local de tumulto e um foco de instabilidade para um governo que necessita de se concentrar noutros graves problemas nacionais.








3 comentários:
FILHOS DE DEUS MENOR
Olá Boa Tarde, gostava de lhe colocar uma situação que surge agora com a "Nona" alteração ao ECD.
Um professor com 12,5 anos de carreira/serviço, sendo QE desde há quatro anos, encontra-se actualmente no
chamado segundo escalão, e tendo em conta sensivelmente os 2,5 anos em que esteve "congelado", com a alteração
promovida pela senhora ministra em período eleitoral, fica-lhe a faltar mais de dois anos e meio para passar de escalão (na melhor das hipóteses).
Um colega que tem 9 anos de serviço, e fica colocado nos quadros pela primeira vez no princípio deste ano lectivo, e tendo em conta esta mesma última alteração é automaticamente promovido para o terceiro escalão.
Quid juris?
Justiça?
Igualdade?
Gostaria de saber a sua opinião.
Atentamente
Completamente de acordo. Os sindicatos já estão a atraiçoar-nos mais uma vez. E isso tem que ser já denunciado. No ano lectivo passado eles foram obrigados a "vir para a frente" devido às iniciativas dos movimentos independentes. O resto é conversa. Se formos na conversa deles, vai ficar tudo na mesma (ou quase). Só com LUTA é que conseguiremos os nossos objectivos. Luta contra a política do governo e a traição dos sindicatos.Desiludam-se....
Foi absolutamente lamentável ver os "representantes" dos professores saírem da reunião com a ministra a abanarem o rabinho!
É por essas e por outras que não sou sindicalizada há anos! Não me revejo nas posições ambíguas de interesses escondidos que esses senhores têm vindo a mostrar. Só a pressão exercida sobre eles dos movimentos dos profs., pode vir a dar esperança para a resolução dos problemas.
A ver vamos
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