segunda-feira, 23 de novembro de 2009

SÓCRATES DESTRÓI... SÓCRATES

Por Helena Garrido
helenagarrido@negocios.pt

A política é a arte do possível. É uma regra com um autor que se perde na história. Mas a política é (ou seria) também convicções. Em Portugal, na era de Sócrates, como já o tinha sido com Durão Barroso, a política limita-se a ser a arte de... continuar a ter...

A política é a arte do possível. É uma regra com um autor que se perde na história. Mas a política é (ou seria) também convicções. Em Portugal, na era de Sócrates, como já o tinha sido com Durão Barroso, a política limita-se a ser a arte de... continuar a ter o poder. Custe o que custar e a qualquer preço.

Contra tudo e contra todos, durante quatro anos e meio, José Sócrates e o o seu governo de maioria absoluta reduziram o Estado Social, que apoia quem está doente, desempregado ou reformado. E contra tudo e contra todos adoptaram medidas para, diziam-nos, disciplinar a função pública através da responsabilização e da avaliação.

Eles, os funcionários públicos, é que não queriam seriam avaliados. E no conjunto dos "eles", os professores foram os mais castigados.

Passou menos de um mês da tomada de posse do novo Governo de Sócrates em minoria. E neste curtíssimo período de tempo, já foram deitadas literalmente para o lixo algumas medidas dadas como determinantes para salvar a Pátria, há menos de um ano.

A avaliação dos professores é o caso mais inacreditável, para não dizer revoltante. O país inteiro - que não conhecia professores - acreditou que o problema não estava no Governo mas sim nos professores, que não queriam ser avaliados, como foi dito até à exaustão.

Mais um caso, pensávamos nós, em que as corporações impediam a necessária reforma e redução do peso do Estado.

A ex-ministra da Educação, elogiada nos primeiros tempos, manteve-se intransigente, mesmo quando a sua popularidade baixou e a opinião publicada começou a ser-lhe adversa. A sua força vinha do apoio do primeiro-ministro, como sempre acontece em casos controversos e impopulares. A sua intransigência, só tínhamos razões para pensar assim, era justificada pela convicção de estar a agir em defesa do interesse público.

Todas estas convicções caem por terra menos de um mês após o mesmo primeiro-ministro tomar posse. O que mudou? Hoje não tem maioria absoluta e substituiu a ministra. O que podemos concluir? Que os professores nunca se recusaram a ser avaliados. E, das duas uma, ou estávamos no passado perante um "quero, posso e mando" sem convicções mas apenas com teimosia, ou estamos hoje perante o mais puro e lamentável oportunismo político. Quanto a Maria de Lurdes Rodrigues vai vendo, de fora, o seu trabalho ser deitado para o lixo.

As taxas moderadoras sobre os internamentos é outra das medidas que é deitada para o lixo. Depois de toda a controvérsia que gerou, o Governo, agora em minoria e com uma outra ministra, aceita desistir de uma receita que já todos se tinham habituado a garantir. E, ao lado das taxas moderadoras há outras várias medidas menos visíveis, mas não menos importantes, que o ex-ministro da Saúde Correia de Campos queria concretizar e que foram directas para o lixo.

Durante mais de quatro anos aceitámos medidas que se traduziram em menos direitos para todos nós, na convicção de que estávamos a construir um Portugal mais moderno e que usa melhor os poucos recursos que tem. Em menos de um mês o mesmo primeiro-ministro diz-nos que afinal essas medidas eram desnecessárias.

Sócrates destrói Sócrates. Pior ainda, destrói a convicção que tínhamos de estar a construir um país melhor. Da arte do possível, a política desagua na arte de garantir o poder a qualquer preço.

In Jornal de Negócios.

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